terça-feira, 10 de outubro de 2017

Poema de Guerra Junqueiro 

Fim da Tormenta

 

Muito bom dia a todos nós e excelente terça-feira, semana curta por causa do feriadão, anda bem.

Estou lendo a Antologia de Poemas Portugueses para a Juventude, da Editora Peirópolis, com organização de Henriqueta Lisboa.

E aproveito para deixar a poesia “Fim da Tormenta”, de Guerra Junqueiro, você conhece?

 


Parou a ventania.
As estrelas dormentes, fatigadas,
Cerram à luz do dia
As misteriosas pálpebras doiradas.
Vai despontando o rosicler da aurora;
O azul sereno e vasto
Empalidece e cora,
Como se Deus lhe desse
Um brando beijo luminoso e casto.


A estrela da manhã
Na altura resplandece;
E a cotovia, a sua linda irmã,
Vai pelo azul um cântico vibrando,
Tão límpido, tão alto, que parece
Que é a estrela no céu que está cantando.


Guerra Junqueiro
Abílio Guerra Junqueiro nasceu em Freixo de Espada à Cintra (Trás os Montes), no dia 17 de setembro de 1850. Filho de rico negociante fez seus estudos preparatórios na cidade de Bragança. Ingressou no curso de Teologia da Universidade de Coimbra, mas transferiu-se para o curso de Direito da mesma universidade.
Com notável talento poético, participou ativamente da vida literária estudantil. Nessa época publicou “Vozes Sem Eco” (1868), “Batismo de Amor” (1868), “Vitória da França” (1870) e “A Espanha Livre” (1873), após a proclamação da república espanhola. Nesse mesmo ano formou-se em Direito. Foi Secretário-geral do Governo Civil, Deputado e Embaixador em Berna, na Suíça.
Duas fases constituem sua carreira poética. A primeira, realista e agressiva. Em “A Morte de D. João” retrata a corrução da sociedade de seu tempo. Em “A Velhice do Padre Eterno” censura a luxúria do clero e a decadência moral da Igreja, tentando revestir a obra do cunho científico, vigente na época.
Na segunda fase, o poeta volta-se para os valores espirituais, com uma poesia a serviço da salvação do homem. Reconcilia-se com a Igreja e cultiva a fé, esperança e a caridade. Alimenta-se do lirismo, já a caminho da espiritualidade simbolista. São dessa época, “Os Simples” (1892), “Pátria” (1896), “Oração ao Pão” (1902) e “Oração à Luz” (1903).
Abílio Guerra Junqueiro faleceu em Lisboa, Portugal, no dia 7 de julho de 1923.

Biografia fonte: pensador 

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