sexta-feira, 13 de outubro de 2017


Olá pessoal, bom dia, espero que seja bom, pois já tive contratempos hoje aqui em casa que mudaram a minha programação, literalmente. Havia me esquecido que hoje, é Sexta-feira 13!!!!

E na edição deste mês da Revista Conexão Literatura meu conto é justamente sobre esse dia, para chamar a atenção contra a ignorância de muitas pessoas que ainda sacrificam gatos pretos nesta data.

Espero que gostem da história, e a postagem que eu havia colocado retornarei amanhã, porque é sobre um evento literário muito legal. Abraços, obrigada,

Míriam

 

Conto: Sexta-Feira Treze!
Por Míriam Santiago
                                   
         Laura sabia que o dia não seria muito bom para ela, pois era sexta-feira treze!
Extremamente supersticiosa a moça era daquelas pessoas ligadas a crendices populares das mais diversas. Não passava em baixo de escada, não chegava perto de gato preto por causa do mau agouro e por aí afora.
         E ela sabia que seria mais um dia em que deveria se preocupar até para atravessar a rua.
         E assim a jovem tomou as precauções devidas para não faltar ao trabalho. Sim, porque da última sexta-feira 13, em janeiro deste ano, Laura telefonou ao serviço e disse que estava doente, porque leu no horóscopo logo cedo, pela internet, que seu signo estaria em perigo por causa da data. O que dizer de pessoas assim?
        
 - Meu Deus, outubro e sexta-feira treze novamente! – Exclamou logo cedo Laura, ao olhar, religiosamente na folhinha, o dia da semana.
A moça, para não perder o costume, foi consultar o “seu oráculo”, o horóscopo pela internet.
Que bom, hoje, apesar do dia azarento, não acontecerá nada de diferente, e está escrito para eu não me preocupar. Diz Laura.
Apressou-se para não se atrasar e conseguiu chegar ao serviço no horário. E o dia no Centro de Santos prosseguiu na normalidade com um detalhe: muita gente vestindo preto!
Já era noite quando a jovem conseguiu sair do serviço e retornar a casa.  Estranho não ter ninguém na rua! Pensa Laura, já engolindo em seco com a situação. Ela tenta apressar o passo quando, ao virar a esquina, se depara com um gato preto na calçada. O bicho ficou parado e olhando para ela. Era um gato grande e gordo e os olhos verdes a fitavam a cada passo.
Laura observou que o bichano a seguia com os olhos.
Não posso continuar nesta calçada, não conseguirei passar ao lado dele! Pensava Laura, que já estava desesperada.
Mas li que não me preocupasse com nada, mas justo um gato preto? O horóscopo nunca me deixou na mão! Tentava Laura, com todas as suas forças, a ignorar o pobre animal.
Ao atravessar a rua, Laura olhou para o outro lado e viu que o gato atravessou também.
Ela apressou o passo e o gato começou a segui-la. Laura mal conseguia respirar de tanto nervoso e o gato vinha calmamente atrás dela. Desesperada, atravessou a rua novamente e, para sua surpresa, o bicho também.
A moça tentou correr, mas sem forças devido ao nervosismo, não conseguiu. Apressou ainda mais o passo e o gato continuava firme seguindo-a.
Laura não acreditava que sua casa ficasse assim tão longe do ponto de ônibus!
De repente, ao virar por mais uma esquina, ela se depara com um homem, que vestido completamente de preto, caminhava pela rua.
- Ei moça, você quase me atropelou, sorriu o jovem para ela, após segurá-la pelo braço. Por que tanta pressa? Perguntou ele.
- É que tem um gato me seguindo! Disse ela.
- Como é que é? Perguntou ele, com um sorrisinho de deboche.
- Me ajude, por favor, implorou ela ao homem!
E o gato parou diante deles. O bicho encarou o jovem e seus olhos verdes ficaram ainda maiores ao avistar o rapaz. O gato mudou de fisionomia e rapidamente, avançou no jovem, furioso.
Laura gritou de susto e saiu correndo.
O homem tentou se desvencilhar do animal, que estava grudado em seu cangote a mordê-lo.
Maldito gato, coitado do rapaz! Chorava Laura, enquanto conseguiu correr até sua residência. 
Ao abrir o portão ela escutou um miado alto e estridente e sabia que o homem havia enxotado o bicho.
Graças que aquele homem pegou o gato, ainda bem. Pensava ela.
Laura morava sozinha, já que veio do Sul do País para estudar e ficou pelo Estado de São Paulo, mais precisamente em Santos. Cansada, só queria dormir.
Nisso, alguém toca a campainha e Laura vai até o portão. Era aquele rapaz, estava com a roupa toda surrada e rasgada e ensanguentado. Ele mal conseguia ficar em pé sem se apoiar.
- Meu Deus, exclamou a jovem horrorizada ao ver o estado do homem, o gato fez tudo isso em você? Perguntou.
- Por favor, entre, disse Laura ao estranho, que a segurou no braço para se apoiar.
A jovem o sentou numa cadeira da sala e foi buscar a maleta branca de medicamentos. Após, chamaria um táxi para o jovem.
Ao retornar, a sala estava vazia.
Laura começou olhar pela casa, abriu a porta para ver se o via partindo, mas nada, desaparecera. Nem sinal dele.
Vou chamar a polícia. Como sou idiota, e se for um ladrão? Questionava-se.
Ao pegar o telefone, Laura vê um vulto. Assustada, ela deixa o telefone cair de suas mãos e sobe as escadas correndo para o quarto. Entra e tranca a porta do cômodo. Gritando, ela diz que com o celular chamou a polícia.
Nisso, escuta um barulho no telhado. Assustada e tremendo muito, Laura sente o coração sair pela boca quando vê o rapaz do lado de fora flutuando parado em frente à janela. Ele levanta calmamente os vidros, apoia os braços nos batentes, abaixa a cabeça e num piscar de olhos já estava em pé dentro do quarto.
- Não grite, eu não vou machucá-la diz o rapaz, que estava completamente revigorado e os arranhões haviam sumido de seu rosto.
Caminhando bem devagar ele a seduz com o olhar. A moça fica completamente hipnotizada.
- Foi você quem me convidou a entrar, disse baixinho, sussurrando ao ouvido...
 ...
E o barulho estridente do alarme do despertador faz Laura pular da cama.
Que sonho horrível, meu Deus! Mas ainda bem que foi só um pesadelo! Diz Laura a si mesma.
Tomou um banho correndo para o trabalho e saiu de casa; estava sem fome.
Ao caminhar até o ponto de ônibus, não se sente bem e retorna a casa. Febril, Laura dorme o dia inteiro.
Acorda a noite sentindo-se melhor.
Toma um banho para relaxar.
Ao se aproximar do espelho para pentear-se, nota algo incomum em seu olhar.
Laura então se afasta e se apoia na parede ao ver sua imagem pouco refletida no espelho.
Sem saber o que acontecia escuta um miado lá de fora. Cambaleando entre paredes vê da janela um gato preto no portão.
Aos poucos vai recordando e entendendo que na noite anterior o bicho não estava atrás dela para machucá-la, e sim, para protegê-la!


A história fictícia que se passa em outubro de 2017 (Sexta-feira Treze) visa chamar a atenção contra o mau agouro, ainda hoje, do gato preto.
A adoção desses bichos é sempre mais difícil, eles sofrem muita rejeição por conta de mitos e preconceitos criados contra eles. Mas tem épocas em que as pessoas querem muito “adotar” apenas gatos pretos. Nesses períodos (antes da Sexta-feira Treze e Dia das Bruxas), especificamente, o objetivo é sacrificá-los em rituais de magia, em geral de forma cruel e dolorosa.


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