segunda-feira, 16 de outubro de 2017

À Virgem Santíssima

Poema de Antero de Quental

 

Olá bom início de semana a todos nós e que tal um pouco de poesia para suavizar a semana?

Este é mais um poema que faz parte da coletânea que estou lendo e achei legal disponibilizar um pouco dos poetas portugueses aqui no Cantinho da poesia, espero que gostem Abraços,

Míriam



 

Num sonho todo feito de incerteza,
De noturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade,
Era outra luz, era outra suavidade
Que até nem sei se as há na natureza...

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!


Antero de Quental


Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores, Portugal, no dia 18 de abril de 1842. Descendente de família nobre, filho de Fernando de Quental e Ana Guilhermina da Maia, Quental passou sua infância e cursou os estudos primários e secundários em sua cidade natal, na capital da ilha de São Miguel.
Com apenas 16 anos, ingressou em Direito e foi estudar em Coimbra donde se destacou com seu brilhantismo. Interessado pela política, filosofia e literatura, Antero em 1862, com 20 anos, publicou seus primeiros sonetos (forma fixa literária, composta de dois quartetos e dois tercetos), intitulado “Sonetos de Antero”.
Junto aos poetas portugueses Luís de Camões e Bocage (um de seus amigos íntimos) formou a tríade dos maiores sonetistas portugueses. Viajou pela França, Estados Unidos e Canadá, entretanto, foi em seu país, Portugal, que passou a maior parte de sua vida se dedicando à literatura e às questões políticas.
Os poetas da geração de 1870 formaram o grupo de literatos empenhados em renovar o pensamento português, ligados, mais tarde, à Questão Coimbrã, uma polêmica literária travada em 1865 entre os jovens da Universidade de Coimbra e os poetas amigos de António Feliciano de Castilho. Assim, Feliciano critica as ideias dos novos poetas portugueses, centradas na liberdade de pensamento, sobretudo de Antero de Quental.
Note que Antero foi o maior agitador da Questão Coimbrã, consagrado pelos poemas "Odes Modernas" e o ensaio "Bom Senso e Bom Gosto", esse último representa a resposta violenta dada a Antônio Feliciano de Castilho.

 

Principais Obras

Dono de uma obra essencialmente filosófica, social, política, metafísica e lírica, Antero de Quental é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa. Algumas de suas obras:
·       Sonetos de Antero (1861)
·       Beatrice e Fiat Lux (1863)
·       Odes Modernas (1865)
·       Bom Senso e Bom Gosto (1865)
·       A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais (1865)
·       Defesa da Carta Encíclica de Sua Santidade Pio IX (1865)
·       Portugal perante a Revolução de Espanha (1868)
·       Primaveras Românticas (1872)
·       Considerações sobre a Filosofia da História Literária Portuguesa (1872)
·       A Poesia na Actualidade (1881)
·       A Filosofia da Natureza dos Naturalistas (1884)
·       Sonetos Completos (1886)
·       A Filosofia da Natureza dos Naturistas (1886)
·       Tendências Gerais da filosofia na Segunda Metade do Século XIX (1890)
·       Raios de extinta luz (1892)   

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