segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Olhos que apenas podem cobiçar
Marcos Martins

Ás vezes penso que a criação do impossível foi uma invenção dos antigos para não deixar com que almas livres pudessem voar;

Ás vezes acho que tudo foi criado para que não se descobrisse a verdade - que talvez não existam verdades universais.

A bailarina está triste por não mais poder dançar, não poder mais ser graciosa, mesmo pisando em brasas, mesmo sentindo dores ao dar suas piruetas no caos. Ela está triste e chora, molha a flor que está para se tornar.

O dono da casa olha pela fechadura o que ele julga ser seu. Podes ter aprisionado um corpo, déspota, podes ter aprisionado a linda flor num jarro de porcelana chinesa e castigado-a sem dar-lhe água, mas o espírito de todo ser vivo não pode ser trancado, pois não existem grades, trancas nem cadeados que possam sucumbir o desejo de ser livre, por mais tardio que ele possa despontar.

Não, homem que olha pela fechadura, podes apenas olhar e nada mais, pois a fina flor já tem suas raízes ramificadas e o jarro ruído por seus atos e a ação imparcial do tempo, que hora age como um aliado, hora parece não se importar, transmuta do corpo ao átomo e tudo vira infinito, sentimentos afinco não hão de se apagar.

Ás vezes penso que a criação do impossível não significa nada, que mesmo Ícaro tendo caído, nunca mais se esqueceu da sensação de ter podido voar.

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