segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Revista Conexão Literatura
Participe da 17ª edição

Olá, meus amigos, iniciamos mais uma semana, e que seja proveitosa para todos nós.
Estou escrevendo o meu conto para a 17ª edição da Revista Conexão Literatura, mês de novembro e se você quiser participar com crônica, conto, anúncio, aproveite e envie logo, pois esta é a última semana.
Envie seu trabalho para o e-mail do editor Ademir Pascale. Vale também para tratar sobre parceria.

Para baixar gratuitamente as edições, acesse:


Complementando sobre a Revista Conexão Literatura, deixo o meu conto “Um crime quase perfeito”, que homenageia o escritor Edgar Allan Poe em seu aniversário de falecimento. A história faz parte da edição deste mês, e espero que vocês gostem.
Abraços, até mais,
Míriam

Conto: Um assassinato quase perfeito

            O meu conto de outubro “Um assassinato quase perfeito” para a Revista Conexão Literatura foi inspirado em algumas histórias do escritor Edgar Allan Poe, o qual sou fã de carteirinha! E a homenagem é para marcar a data de falecimento (07 de outubro) do autor, escritor, poeta, romancista, crítico literário e editor norte-americano. Poe deixou para a Literatura os poemas: O Corvo e Annabel Lee, e contos de suspense, terror e policial: A Queda da Casa dos Usher, Os Crimes da Rua Morgue, O Gato Preto e O Barril de Amontillado, entre outros.

            Verão de 1845, e depois de andar por ruas em Paris, a conhecer a bela e famosa capital francesa, fui parar no bairro de Saint Roque, não por acaso, mas procurava a Rua Morgue, logradouro que me fascinou assim que fiquei sabendo de alguns acontecimentos estranhos, que aguçaram minha curiosidade.
            Chegando ao local, me deparei com uma rua pequena e sem atrativos. Nos dois lados várias casas eram dispostas igualmente em tamanho, e apenas duas se destacavam por seus jardins impecáveis e perfeição na pintura.
           
Eu não tinha muito dinheiro, mas mesmo assim, consegui me aventurar na França. Caminhando pela Rua Morgue, me deparei com uma simpática e falante senhora, chamada Françoise, que retornava das compras. Ajudei-a carregando seus pacotes e perguntei sobre a moradia de número 26, onde ocorreram os assassinatos. A casa agora estava habitada por uma família inglesa, os Crowley, que partiram em férias, deixado o imóvel aos cuidados dos empregados. E a senhora Françoise me contou sobre o terrível fim de mãe e filha Camila L´Espanaye neste endereço.
            — Elas foram mortas por um orangotango, isso mesmo, um animal muito forte, contava ela.
            — Minha nossa, que horrível, não? — Indaguei.
            — Sim, disse a senhora Françoise, mas qual o seu interesse nesses crimes meu jovem? Perguntou-me a mulher.
            — É que eu li nos jornais e resolvi vir aqui para saber mais para um estudo sobre o acaso, expliquei-lhe eu, com meu francês um pouco enrolado.
            E a senhora Françoise foi contando os crimes que ocorreram na residência.
            — Você tem onde ficar? – Perguntou-me a senhora Françoise.
            — Por enquanto não, assim que desembarquei vim para cá. A senhora conhece algum local bom e com preço acessível? – Questionei-lhe.
            E para encurtar a conversa, ela disse que poderia alugar um quarto de sua casa, pois vivia só depois do falecimento do marido e os filhos moravam longe, na Inglaterra. Meu coração vibrou, pois queria conhecer bem de perto os acontecimentos daquela rua.
            Cinco dias já havia se passado e nada notei de especial que me chamasse atenção. Para espairecer a mente, aproveitei este quinto dia em outros locais de Saint Roque, caminhei por várias ruas e praças passando um dia muito agradável.
            Já era noite quando retornei à Rua Morgue, e para a minha surpresa, um dos moradores o espanhol que residia em uma casa em frente à da senhora Françoise promovia uma festa. Aparentando uns 40 anos de idade, ele residia na rua a cerca de dois anos. Apreciador de bons vinhos, ao querer impressionar os convidados ele comprou um barril de amontillado, vindo de vinícolas de Montilla, da Espanha.
           
Desconhecido, não fui convidado e todos os vizinhos participavam do evento. Aproveitei a ocasião para descansar no quarto alugado. Tarde da noite acordei com muito calor e com minhas inquietações mentais costumeiras. Fui sentar-me no banco do belíssimo e bem cuidado jardim da senhora Françoise e, para minha surpresa, algo me chamou a atenção. Firmei bem os olhos para tentar enxergar na escuridão e vi o espanhol saindo apressado de sua casa. Abaixei-me e corri quase engatinhando até o muro da casa que era baixo a me esconder e acompanhar o que se passava. O espanhol tinha nas mãos um objeto que não consegui distinguir, me pareceu uma pá de construção. Ele olhava aflitamente para os lados da rua, e correu até uma das casas que estava sem morador. Sem muro e com um jardim mal cuidado, o espanhol abriu um buraco, jogou o que tinha nas mãos e também a camisa que vestia, depois enterrou e tampou o buraco com as próprias mãos, retornando correndo até a sua casa.
            Confesso que quase enfartei com a cena e a minha cabeça ansiava em saber o que ele havia enterrado. Meu coração pulsava por essa informação! Eu tinha certeza de que boa coisa não era! E assim, tirei a casa 26 da cabeça, assim como a história dos assassinatos, pois sabia que tinha algo sinistro vindo do espanhol.
            Mas não tive tempo de averiguar, pois logo que amanheceu a esposa do vizinho italiano começou a procurar por ele e no dia seguinte, ela foi até a delegacia, trazendo a polícia até a Rua Morgue. Eu fui o primeiro suspeito da equipe do chefe de polícia Eduard Ferdinand Deville. Após responder muitas perguntas, convenci a todos que não tinha nada a ver com o caso e Deville me deixou retornar à minha casa no outro lado do mundo.
            ...
            No verão do ano seguinte o chefe Deville estava na delegacia revisando um caso quando um de seus policiais lhe entrega um envelope. Ao abrir, viu várias folhas de papel, era uma história entre dois vizinhos que no início da relação eram grandes amigos e depois um queria se vingar do outro.
            O conto, intitulado Um assassinato quase perfeito retratava sobre o caso que aconteceu na Rua Morgue, em 1845 (ano passado), entre dois vizinhos, o espanhol e o italiano. E um deles, o italiano, foi enterrado vivo na parede da adega na casa do espanhol.
            E sabem o porquê dessa perversidade? É que o italiano tivera um caso com a mulher do espanhol e este descobriu; então, resolveu se vingar daquele que se designava o melhor amigo.
            O chefe de polícia achou a história sensacional!
            Deville deixou a escrita em cima da mesa, levantou-se e caminhou até a porta com um sorriso no rosto, mas antes de sair da sala, ele parou e encostou-se na porta e uma dúvida o assolou sobre tudo o que leu.
            Mas afinal, pensou o chefe de polícia Deville, como esse escritor americano Edgar Allan Poe conseguiu detalhes importantes revelados somente na investigação?
            E o chefe pegou as folhas novamente, olhou para elas e as trancou em uma de suas gavetas.
            Acho que convidarei o senhor Poe para um novo depoimento, pensou Deville.


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