segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Revista Conexão Literatura
Participe da 16ª edição

Olá, meus amigos, iniciamos mais uma semana, e que seja proveitosa para todos nós.
Estou escrevendo o meu conto para a 16ª edição da Revista Conexão Literatura, mês de outubro e se você quiser participar com crônica, conto, anúncio, ainda dá tempo, basta enviar e-mail para o editor Ademir Pascale. Vale também para tratar sobre parceria.

Para baixar gratuitamente as edições, acesse:

Complementando sobre a Revista Conexão Literatura, deixo o meu conto que faz parte da edição deste mês, produzido em agosto e espero que vocês gostem.
Abraços, até mais,
Míriam

Conto: Castelo

           
Olá meus amigos e lá vamos nós a mais uma história que aconteceu há alguns anos, difícil de crer no pivô dos acontecimentos, então, tirem vocês suas próprias conclusões!
            Outubro de 2011 e o nosso personagem arrumando as malas, iria embarcar para Portugal. Com destino a Lisboa, Renato Menezes estava ansioso, pois esta seria sua primeira viagem internacional, de muitas que irei fazer, pensava ele enquanto terminava de arrumar as malas. Recém-separado da esposa, casamento que durou quatro anos e cinco meses, ele queria ir para bem longe, vou espairecer, dizia aos amigos. Renato nunca teve muita sorte com as mulheres, não pela aparência, mas pela falta de conversa, e Talia foi a primeira namorada, mas não deu certo porque a moça tem um gênio insuportável, além de mimada.
            E sem mágoas no coração por tê-la deixado, e com o divórcio em andamento, Renato não faria excursão em Portugal, resolveu conhecer o lugar por si, percorrendo os pontos turísticos a pé, ou de ônibus. Logo que desembarcou no país de nascimentos de seus avós maternos, Renato já se sentiu em casa.
            A cada passo, a cada rua ou praça, tinha a sensação de que tudo lhe era familiar. Mas eu nunca estive aqui, como pode ser? Os locais não me são estranhos! Conversava consigo mesmo.
            Após treze dias de estadia, e faltando três dias para partir, Renato caminhava tranquilamente pelo calçadão do Largo São Domingos, passando pelo marco dos judeus com destino ao Castelo de São Jorge, que fica no local mais alto da cidade, uma tremenda subida até chegar ao topo do morro. E foi uma caminhada prazerosa passando por ruas estreitas, casas coloridas, lojas de presentes. Ao chegar, logo na compra do ingresso Renato Menezes sentiu um frio percorrer a barriga, algo que não sabia explicar. Pensei que fosse cansaço pela baita caminhada até o topo do morro, mas depois percebi que não foi bem isso, acrescenta o nosso personagem.
            Renato e os turistas se impressionam com a bela vista da cidade, sem contar os canhões que outrora defenderam invasores que vinham pelo rio Tejo. E o imenso pátio externo teve suas muralhas rodeadas de pessoas que percorriam a fortaleza histórica. E todas elas se acomodaram para ver a apresentação medieval que começava, eram cavaleiros, e por ser dia 25 de outubro comemoravam o Dia do Exército no Castelo de São Jorge, padroeiro da cavalaria.
            Já estava na metade da apresentação quando Renato começa a ficar zonzo, a tontura toma conta dele de tal maneira, que agarrado à muralha, ele começa a se abaixar lentamente, até sentar-se ao chão, e entre piscadas, o ouvido zumbindo, zumbindo, a visão a falhar e com a respiração ofegante, sente-se desfalecer. A consciência ia e vinha e ao conseguir firmar a visão, algo estranho toma conta de seu ser, e ele sentiu-se em pé, andando pela fortificação vestindo a armadura e empunhando espada e bandeira de cavaleiro. A cena, no entanto, não era mais o show e os turistas não estavam mais ali; tudo agora era real!
            ...
           
Ele então olhou do alto da fortaleza e viu centenas de barcos cheios de soldados, tinham cercado à região, batalha que acontecia há meses contra os mouros na reconquista de Lisboa.
            À frente dos cavaleiros subia Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, que agora vencendo as muralhas, subia pela primeira vez a fortificação. Dom Henriques era aclamado por derrotar o inimigo. Todos gritavam e empunhavam para cima as espadas e bandeiras.
            E eu, tinha a missão, junto de mais alguns cavaleiros, de descer o morro e percorrer o entorno em busca dos mouros, que porventura, estivessem escondidos. Era noite quando andávamos com tochas nas mãos pela cidadela fora das muralhas na escuridão das ruas, e numa viela, sofremos uma emboscada. Na luta sangrenta, fui atingido e caí ao chão. Os outros continuaram lutando e venceram o inimigo, cerca de uns cinco mouros — conta Renato.
            Sentia a dor da perfuração da espada e em meio a tanto sangue, comecei a desfalecer e minha respiração foi desacelerando e ficando cada vez mais fraca. Um dos cavaleiros se ajoelhou e segurou minha cabeça, ao golfar sangue pela boca, vi a luz se apagando lentamente...
            ...
            — Ei moço, acorde, moço, você está bem?
            Senti alguém me chamando e segurando a minha cabeça e minha mão, era uma mulher. Sem saber o que acontecia, meu estômago doía e vomitei. Ela tirou um lenço da bolsa e jogando água nele, limpou o meu rosto. As pessoas que estavam ao meu redor tentando ajudar foram se dispersando quando a desconhecida falou que estava tudo bem e assim fui voltando a si, e recuperando as forças para me levantar. Ela me ajudou e me amparou com o braço em minha cintura e assim fomos sentar num banco à sombra.
            E para encurtar a história, já que tenho poucas linhas a terminar, digo que para nós foi amor à primeira vista. Como tinha poucos dias para partir, ficamos juntos até o meu retorno ao Brasil. Depois de alguns meses o divórcio saiu e eu estava livre definitivamente de Talia. Com o coração em Portugal, nos falávamos pelo SMS diariamente, e em menos de um ano fiz acordo no serviço e vim para cá. Atualmente estamos noivos e trabalho em comércio com o pai dela, e a propósito, ela se chama Fátima, em devoção à santa.
            Não tive mais aquela visão, ou regressão, como dizem os esotéricos e não sei ao certo o que foi aquilo que me aconteceu, mas uma coisa é certa nada vem por acaso e foi graças àquele incidente que eu a conheci; obra do acaso ou não, dívida de um passado, não saberemos a verdade, mas quem se importa com isso? O que realmente interessa é a felicidade, sentimento que move boas energias e que nos traz renovação.
            Então, um brinde à vida!


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