domingo, 25 de setembro de 2016

Poesia Minha Religião
Mirian Marclay Fraga

Muito bom dia a todos vocês meus queridos amigos! Final de semana chuvoso aqui na Baixada e também no Brasil.
Peço desculpas por não conseguir disponibilizar nenhuma dica cultural neste final de semana, mas é que estou na finalização do conto que enviarei para a edição de outubro da Revista Conexão Literatura, estou terminando a história e ainda tem a revisão.
Porém, recebi a poesia Minha Religião de minha amiga poetisa Mirian Marclay e espero que vocês gostem.
Abraços a todos e até amanhã.
Míriam

Houvesse em mim uma razão para escrever
Que não fosse o próprio ato da escrita,
Esse exercício louco de lucidez
Que “ad eternum” na alma crepita!
Nenhuma linha de mim
Jamais sairia.

Morressem todos os poetas
De que cor seria a agonia?
Como se expressaria a ilusão da lágrima
Ou até mesmo a morte de uma estrela.

E ainda me pergunto: Por que escrevo?
Quando o mundo cada vez mais
Torna-se monossilábico.

Não há dogma maior
Que emergir 
Da doma 
Da ignorância. 

Percebo que teimo no gracejo de um tango triste,
Enquanto que talvez de fato fosse essencial
Estabelecer se um tango alegre existe.
Se o sol é belo
E a lua é a musa nua da ausência de inspiração.

No meu silêncio
Ainda escrevo,
Talvez seja vício,
Ou um artifício
Da minha própria

Salvação.

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