quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Amor, de Álvares de Azevedo

 

Olá meus amigos, tenham uma excelente quinta-feira.

Para deixar mais leve o dia, que tal uma poesia de Álvares de Azevedo, um dos poetas mais lidos do Romantismo Brasileiro? Eu adoro, e espero que vocês também.

Abraços,

Míriam



Amor

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu´alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d´esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir! 
Vem, anjo, minha donzela,
Minh´alma, meu coração!
Que noite, que noite bela! 
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

 

Álvares de Azevedo

Manuel Antônio Álvares de Azevedo, São Paulo (1831 – 1852). 
Principais obras: Obras I (Lira dos Vinte Anos), 1853; 
Obras II (Pedro Ivo, Macário, A Noite na Taverna, etc), 1855.

Nascido a 12 de setembro de 1831 em São Paulo, onde seu pai estudava, transferiu-se cedo para o Rio de Janeiro. Sensível e adoentado, estuda, sempre com brilho, nos Colégios Stoll e Dom Pedro II, onde é aluno de Gonçalves de Magalhães, introdutor do Romantismo no Brasil. Aos 16 anos, ávido leitor de poesia, muda-se para São Paulo para cursar a Faculdade de Direito.

Torna-se amigo íntimo de Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, também poetas e célebres boêmios, prováveis membros da Sociedade Epicuréia. Sua participação nessa sociedade secreta, que promovia orgias famosas, tanto pela devassidão escandalosa, quanto por seus aspectos mórbidos e satânicos, é negada por seus biógrafos mais respeitáveis. Mas a lenda em muito contribuiu para que se difundisse a sua imagem de "Byron brasileiro".

Sofrendo de tuberculose, conclui o quarto ano de seu curso de Direito. Em férias no Rio de Janeiro, ao passear a cavalo pelas ruas, sofre uma queda, que traz à tona um tumor na fossa ilíaca. Sofrendo dores terríveis, é operado - sem anestesia, atestam seus familiares - e, após 46 dias de padecimento, vem a falecer no Domingo de Páscoa, 25 de abril de 1852. 

 

Fonte: Jornal de poesia e mensagens com amor  

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