segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Revista Conexão Literatura
Participe da 15ª edição

Olá, meus amigos, iniciamos mais uma semana, e que seja proveitosa para todos nós.
Que pena ontem foi o encerramento das Olimpíadas Rio 2016,  sentirei falta, pois curti bastante os jogos olímpicos, pena mesmo que terminou.

Estou escrevendo o meu conto para a 15ª edição da Revista Conexão Literatura, mês de setembro e se você quiser participar com crônica, conto, anúncio, ainda dá tempo, basta enviar e-mail para o editor Ademir Pascale. Vale também para tratar sobre parceria.

Para baixar gratuitamente as edições, acesse:


Revista Conexão Literatura – 14ª edição
Conto: Há, Manoela!

Meus amigos a história que vou lhes contar é muito parecida com a de certas princesas dos contos de fadas, que foram maltratadas por suas madrastas, mas que ao final, tudo deu certo. Bem, na verdade, a “princesa” não é lá essas coisas em termos de beleza, não senhor, muito pelo contrário a começar pela idade...
Manoela Lima corria com o serviço de secretaria da instituição de ensino onde trabalhava, em um bairro simples de São Paulo chamado Vila Moraes, ou Jardim da Saúde, melhor dizer assim. Formada em Letras até poderia ministrar aulas de Português, mas pela timidez e também por ser uma pessoa retraída não conseguiu prosseguir com domínio em sala de aula e procurou seu papel na Escola Estadual Júlio Ribeiro, metida na secretaria.
Manoela, por incentivo dos próprios colegas de serviço e até pela diretora que consentiu que ela saísse em férias em junho, fez um pacote de viagem à Manaus, iria conhecer a terra de nascimento dos avós paternos e faltava exatamente uma semana para ela embarcar em sua aventura.
Em casa, porém, Manoela já havia escutado as mais absurdas coisas da mãe dona Alzira, que não queria a viagem. Manoela era solteirona e vivia com os pais. Caçula de dois irmãos de uma família extremamente machista, a pobre e doce mulher foi sempre conduzida a viver em casa, a cuidar do lar e de todos. Nunca conseguiu arrumar um namorado e assim ela permaneceu na casa dos pais e não teve a sua própria vida independente.
E assim o tempo foi passando e a vida se modificando para os irmãos, que construíram suas próprias famílias menos Manoela, que vivia do serviço para casa. Concursada pela Prefeitura de São Paulo para a Secretaria de Educação, Manoela permanecia na mesma escola há 15 anos, e a parte social de sua vida era justamente esse serviço. Querida por todos por ser uma boa ouvinte dos problemas alheios (um dos pontos positivos do tímido) ela tornou-se conselheira e suas opiniões eram de uma sinceridade que a fez a pessoa mais querida do colégio.
Antes de partir para Manaus, uma companheira de serviço ajudou-a na compra de roupas mais modernas, incentivando-a a fazer um corte jovial nos cabelos e a se produzir.
E com um visual mais sofisticado Manoela partiu sozinha para Manaus e lá faria parte de uma excursão para conhecer os pontos turísticos da cidade, momentos exclusivos e unicamente só para ela, sem ter a mãe dizendo que já estava velha demais: 40 anos de idade, e o que iriam dizer os vizinhos vendo-a viajar sozinha. E a sua ânsia por conhecer novos territórios e sair daquela rotina fatigante e sufocante mexeu em seu mais profundo íntimo, o que a fez ter mais vontade em sair e explorar o novo.
E assim, com tantos contras e pessimismos vindos da família, Manoela chegou a Manaus, e do aeroporto o táxi a levou para o Hotel Lagoa, que fica perto do Teatro Amazonas e no dia seguinte ela iria se encontrar com a excursão. E tudo saiu a contento e até melhor do que ela esperava. Manoela estava radiante e curtindo a sua primeira descontração, de muitas que ela já sonhava. O grupo era animado e como ela era a mais nova, pois como em sua casa era chamada de ultrapassada, tia, coroa etc, ela escolheu excursão para idosos, mas a idade do grupo não atrapalhou em nada e tudo o que puderam conheceram: o encontro das águas entre o Rio Negro e o Rio Amazonas, o Espaço Cultural Largo de São Sebastião e por aí afora.
            — Dona Manoela, diz a camareira Lúcia, funcionária do hotel que fez amizade, a senhora vai embora amanhã e hoje é Dia de São João, que tal conhecer uma das tradicionais Festas Juninas de Manaus?
            E Manoela nem pestanejou, aceitou o convite e às oito da noite as mulheres já estavam se divertindo com os grupos que se apresentavam e se deliciando com quitutes típicos. Lá pelas dez e tanto da noite a festa corria solta e a camareira Lúcia chama a atenção de Manoela:
            — Veja lá do outro lado da festa que tem um homem que não para de olhar você, diz Lúcia.
            E ao mesmo instante que Manoela se vira para tentar ver o tal homem, eis que ele vem em sua direção. Era alto, forte, jovem e vestido com roupa social branca e um chapéu na mesma cor. Ao passo que se desvencilhava das pessoas, ele arrancava suspiros e olhares femininos. O homem era realmente um encanto!
           
Ao se aproximar de Manoela, ele sorriu para ela e a cumprimentou tirando o chapéu, pois era um cavalheiro e muito educado. Manoela olhou para Lúcia que piscou para ela ficar com ele. O homem era tremendamente galanteador e falante e convidou Manoela para dançar. E o casal atraiu todos os olhares da festa e o desconhecido conduziu tão magnificamente  na dança que pareciam flutuar. Sorrindo e muito feliz, Manoela deixou-se beijar.
            ... Sonolenta e zonza da bebida, ao acordar, Manoela não lembra como retornou ao hotel. Sentindo ainda o frescor dos lábios dele, se aprontou para partir. Da janela do avião, se despediu da cidade com lágrimas ao rosto.
             Retornou para a sua pacata vida e o pensamento era único: no príncipe que entrou somente uma vez em seus sonhos tornando-a radiante, momentos inexplicáveis em seus 40 anos. Manoela desde aquela noite não conseguia mais esquecê-lo e parecia viver num além-mundo! Mas assim como ele chegou ele se foi e nem ao menos disse seu nome.
— Quem seria ele? Manoela fazia planos para encontrá-lo novamente.
Em casa e no serviço todos notaram que ela estava diferente tanto no semblante, por estar mais bonita, como também absorta em uma lembrança sem fim.
O que estava acontecendo? Pensava a mãe.
E a mudança mesmo total de comportamento começou quando os enjoos tiveram início e depois de nove meses, ao nascer o menino João. E nada se soube do paradeiro do pai da criança.
Morando sozinha com o filho Manoela finalmente conseguiu mudar de vida.
— E ainda hoje, quando a questiono sobre o paradeiro de meu pai, ela diz não saber e com um sorrisinho no rosto, responde que eu sou filho do Boto!
— Há, Manoela! — Diz ele à mãe!

Dia do Folclore: Esse conto homenageia o Dia do Folclore, comemorado no dia 22 de agosto, momento de contarmos e ouvirmos as histórias do Saci-Pererê, Mula-sem-cabeça, Curupira, Boto e Boitatá, entre outros personagens. Nesta data, também são valorizadas e praticadas as danças, brincadeiras e festas folclórica. Vamos manter nossa cultura popular.  

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