quinta-feira, 30 de junho de 2016

Os pecados da língua

Olá meus amigos, tenham uma excelente quinta-feira, quase final de semana.
E voltando a pedidos (graças a Deus) com a coluna de dicas da língua portuguesa, hoje vamos ao pequeno repertório de grandes erros de linguagem. Então, aproveitem!
Grande beijo,

Míriam


Fonte: Os Pecados da Língua, 4º volume, Editora AGE

terça-feira, 28 de junho de 2016

Sombra
Conto de Edgar Allan Poe

Olá meus queridos amigos, que a terça-feira seja ótima para todos nós.
Parece que quanto mais você lê, mas se convence que tem tanta coisa ainda a ser lida, né?
E com Edgar Allan Poe, um dos autores sobrenaturais mais interessantes da literatura, ainda tem contos que não conheço, como Sombra.
Legal, né? Espero que gostem, abraços,
Míriam

Vós que me ledes por certo estais ainda entre os vivos; mas eu que escrevo terei partido há muito para a região das sombras. Por que de fato estranhas coisas acontecerão, e coisas secretas serão conhecidas, e muitos séculos passarão antes que estas memórias caiam sob vistas humanas. E, ao serem lidas, alguém haverá que nelas não acredite, alguém que delas duvide e, contudo, uns poucos encontrarão muito motivo de reflexão nos caracteres aqui gravados com estiletes de ferro. O ano tinha sido um ano de terror e de sentimentos mais intensos que o terror, para os quais não existe nome na Terra. Pois muitos prodígios e sinais haviam se produzido, e por toda a parte, sobre a terra e sobre o mar, as negras asas da Peste se estendiam. Para aqueles, todavia, conhecedores dos astros, não era desconhecido que os céus apresentavam um aspecto de desgraça, e para mim, o grego Oinos, entre outros, era evidente que então sobreviera a alteração daquele ano 794, em que, à entrada do Carneiro, o planeta Júpiter entra em conjunção com o anel vermelho do terrível Saturno. O espírito característico do firmamento, se muito não me engano, manifestava-se não somente no orbe físico da Terra, mas nas almas, imaginações e meditações da Humanidade. Éramos sete, certa noite, em torno de algumas garrafas de rubro vinho de Quios, entre as paredes do nobre salão, na sombria cidade de Ptolemais. Para a sala em que nos achávamos a única entrada que havia era uma alta porta de feitio raro e trabalhada pelo artista Corinos, aferrolhada por dentro. Negras cortinas, adequadas ao sombrio aposento, privavam-nos da visão da lua, das lúgubres estrelas e das ruas despovoadas; mas o ressentimento e a lembrança do flagelo não podiam ser assim excluídos.
Havia em torno de nós e dentro de nós coisas das quais não me é possível dar conta, coisas materiais e espirituais: atmosfera pesada, sensação de sufocamento, ansiedade; e, sobretudo, aquele terrível estado de existência que as pessoas nervosas experimentam quando os sentidos estão vivos e despertos, e as faculdades do pensamento jazem adormecidas. Um peso mortal nos acabrunhava. Oprimia nossos ombros, os móveis da sala, os copos em que bebíamos. E todas se sentiam opressas e prostradas, todas as coisas exceto as chamas das sete lâmpadas de ferro que iluminavam nossa orgia. Elevando-se em filetes finos de luz, assim que permaneciam, ardendo, pálidas e imotas.
E no espelho que seu fulgor formava sobre a redonda mesa de ébano a que estávamos sentados, cada um de nós, ali reunidos, contemplava o palor de seu próprio rosto e o brilho inquieto nos olhos abatidos de seus companheiros. Não obstante, ríamos e estávamos alegres, a nosso modo – que era histérico – , e cantávamos as canções de Anacreonte – que são doidas -, e bebíamos intensamente, embora o vinho purpurino nos lembrasse a cor do sangue. Pois ali havia ainda outra pessoa em nossa sala, o jovem Zoilo. Morto, estendido a fio comprido, amortalhado, era como o gênio e o demônio da cena. Mas ah! Não tomava ele parte em nossa alegria! Seu rosto, convulsionado pela doença, e seus olhos, em que a Morte havia apenas extinguido metade do fogo da peste, pareciam interessar-se pela nossa alegria,, na medida em que, talvez, possam os mortos interessar-se pela alegria dos que têm de morrer. Mas embora eu, Oinos, sentisse os olhos do morto cravados sobre mim, ainda assim obrigava-me a não perceber a amargura de sua expressão. E mergulhando fundamente a vista nas profundezas do espelho de ébano, cantava em voz alta e sonorosa as canções do filho de Teios. Mas, Pouco a pouco, minhas canções cessaram e seus ecos, ressoando ao longe, entre os reposteiros negros do aposento, tornavam-se fracos e indistintos, esvanecendo-se. E eis que dentre aqueles negros reposteiros, onde ia morrer o rumor das canções, se destacou uma sombra negra e imprecisa, uma sombra tal como a da lua quando baixa no céu, e se assemelha ao vulto dum homem: mas não era a sombra de um homem, nem a de um deus, nem a de qualquer outro ente conhecido. E, tremendo um instante entre os reposteiros do aposento, mostrou-se afinal plenamente sobre a superfície da porta de ébano. Mas a sombra era vaga, informe, imprecisa, e não era sombra nem de homem, nem de deus, de deus da
Grécia, de deus da Caldéia, de deus egípcio. E a sombra permanecia sobre a porta de bronze, por baixo da cornija arqueada, e não se movia, nem dizia palavra alguma, mas ali ficava parada e imutável. Os pés do jovem Zoilo, amortalhado, encontravam-se, se bem me lembro, na porta sobre a qual a sombra repousava. Nós, porém, os sete ali reunidos, tendo avistado a sombra no momento em que se destacava dentre os reposteiros, não ousávamos olhá-la fixamente, mas baixávamos os olhos e fixávamos sem desvio as profundezas do espelho de ébano. E afinal, eu, Oinos, pronunciando algumas palavras em voz baixa, indaguei da sombra seu nome e lugar de nascimento. E a sombra respondeu: “Eu sou a SOMBRA e minha morada está perto das catacumbas de Ptolemais, junto daquelas sombrias planícies infernais que orlam o sujo canal de Caronte”. E então, todos sete, erguemo-nos, cheios de horror, de nossos assentos, trêmulos, enregelados, espavoridos, porque o tom da voz da sombra não era de um só ser, mas de uma multidão de seres e, variando suas inflexões, de sílaba para sílaba, vibrava aos nossos ouvidos confusamente, como se fossem as entonações familiares e bem relembradas dos muitos milhares de amigos que a morte ceifara.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

No mar
Poesia de Álvares de Azevedo

Olá meus queridos amigos, tenham um excelente dia.
Que tal iniciarmos a semana com poesia? E dentre vários autores, nossa, tenho vários que adoro, escolhi Álvares de Azevedo, um grande representante do Romantismo para compor o dia de hoje de minha página com a poesia No mar.
Espero que gostem.
Até mais,
Míriam

Era de noite — dormias,
Do sonho nas melodias,
Ao fresco da viração;
Embalada na falua,
Ao frio clarão da lua,
Aos ais do meu coração!
 

Ah! que véu de palidez
Da langue face na tez!
Como teus seios revoltos
Te palpitavam sonhando!
Como eu cismava beijando
Teus negros cabelos soltos!
Sonhavas? — eu não dormia;
 

A minh'alma se embebia
Em tua alma pensativa!
E tremias, bela amante,
A meus beijos, semelhante
Às folhas da sensitiva!
 

E que noite! que luar!
E que ardentias no mar!
E que perfumes no vento!
Que vida que se bebia
Na noite que parecia
Suspirar de sentimento!
 

Minha rola, ó minha flor,
Ó madressilva de amor!
Como eras saudosa então!
Como pálida sorrias
E no meu peito dormias
Aos ais do meu coração!
 

E que noite! que luar!
Como a brisa a soluçar
Se desmaiava de amor!
Como toda evaporava
Perfumes que respirava
Nas laranjeiras em flor!
 

Suspiravas? que suspiro!
Ai que ainda me deliro
Sonhando a imagem tua
Ao fresco da viração,
Aos ais do meu coração,
Embalada na falua!
 

Como virgem que desmaia,
Dormia a onda na praia!
Tua alma de sonhos cheia
Era tão pura, dormente,
Como a vaga transparente
Sobre seu leito de areia!
 

Era de noite — dormias,
Do sonho nas melodias,
Ao fresco da viração;
Embalada na falua,
Ao frio clarão da lua,
Aos ais do meu coração!  

sábado, 25 de junho de 2016

Exposição Ex Machina
Até dia 7 de agosto, no Itaú Cultural

Olá, muito bom dia a todos e que o sabadão seja ótimo para todos nós.
Aproveitando o frio que está fazendo, que tal visitar exposição fotográfica e conhecer o centro Itaú Cultural? Muito boa opção, né?
Então conheça a exposição que acontece até dia 7/8.
Abraços,
Míriam

Entre obras autorais e arquivos ou coleções revisitadas, são cerca de 150 imagens fortes que podem ser conferidas até o dia 7 de agosto no Itaú Cultural, em São Paulo.
Arquivo Ex Machina – Identidade e Conflito na América Latina tem curadoria do brasileiro Iatã Cannabrava e do catalão Claudi Carreras, ambos fotógrafos, e reúne 10 conjuntos de trabalhos fotográficos. 
Ex Machina é uma expressão do latim, criada no teatro antigo grego para definir a entrada em cena de um deus cuja missão era solucionar de forma arbitrária um impasse vivido pelos personagens.
As fotos abordam revoltas populares, criminalidade, escravidão, extermínio indígena no Equador, preconceito contra anões na Bolívia, repressão política no Brasil e em diversos outros países da América Latina. Na mostra há trabalhos dos artistas André Penteado e Eustáquio Neves, do Brasil, Marcelo Brodsky, da Argentina, Coco Laso, do Equador, os colombianos Andrés Felipe Orjuela Castañeda e Javier Nuñes Del Arco.
Outro destaque é Operação Condor, fotos do português João Pina com um impactante relato do que foi essa operação tirana, que envolveu seis países latino-americanos, nos anos de 1970, quando a América Latina era governada por ditadores.

Serviço:
Arquivo Ex Machina – Identidade e Conflito na América Latina
Quando: até 7 de agosto - de terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Local: Itaú Cultural - avenida Paulista, 149, São Paulo (próximo à estação Brigadeiro do Metrô
Mais informações: (11) 2168-1776/1777
Pisos 1 e -1
Indicado para todas as idades, com exceção do conjunto Arquivo Muerto, recomendado para maiores de 12 anos.
Estacionamento: entrada pela rua Leôncio de Carvalho, 108
Valor: R$ 15 pelo período de 12 horas

Fonte: jornal A Tribuna 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Apresentação internacional no SESI Santos com entrada gratuita

Diretamente de Los Angeles, o músico Carl King traz seu estilo soul pop para apresentação que acorre neste sábado, dia 25, às 20h. O cantor e compositor norte-americano Carl King tem mais de 200 composições próprias, e se apresenta acompanhado de violão e piano. Ele interpreta no show músicas do seu próprio estilo, mudando do soul ao funk, do jazz ao country, passando pelo reggae.
A apresentação é gratuita e os ingressos podem ser reservados pelo sistema Meu SESI, na página www.sesisp.org.br/meu-sesi
Uma cota de ingressos também será distribuída na bilheteria da unidade até 1h no dia do espetáculo.
O SESI Santos fica na avenida Nossa Senhora de Fátima, 366, Jardim Santa Maria.
Informações: 3209-8210


Carl King
Nos anos 90 trabalhou com o Tito Jackson, irmão de Michael Jackson na gravadora ANM Records. Escreveu a música Freedom para a artista gospel ganhadora de Grammy Tremaine Hawkins. Também emprestou suas composições para artistas como Colonel Abrams, Timmy T e Cuba Gooding Jr. Em 2016, King participou da trilha sonora do filme Race do diretor Stephen Hopkins e trabalha na trilha de What about Love, estrelado por Sharon Stone e Andy Garcia com estréia no final do ano.
Filho adotivo de um pastor, King nasceu em Chicago e atualmente mora em Los Angeles nos Estados Unidos. Sua relação com a música começou na infância quando ainda era pequeno, cantando na igreja. Desde então seu violão resgata o ritmo e o sentimento aprendidos no coral, transmitindo muita emoção em suas músicas e composições.
Sua voz é inconfundível, seu amor pela música é inigualável e sua paixão pelo Brasil faz com que ele sempre volte para encantar o público brasileiro. 

Espero que gostem da dica cultural de hoje.
Abraços, boa sexta-feira e até amanhã.
Míriam

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Os pecados da Língua Portuguesa

Olá meus amigos, tenham uma excelente quinta-feira.
Ontem no serviço colocamos em nosso mural dicas muito boas da Língua Portuguesa, são erros que passam por muitas vezes despercebidos e isso torna o texto da pessoa redundante.
Então acompanhe que dicas legais e que ajudam a melhorar a linguagem.
Obrigada, espero ter colaborado com o seu texto.
Beijão e até mais.
Míriam




quarta-feira, 22 de junho de 2016

Sorteio do livro Tânatos – contos sobre a morte e o oculto

Participe do sorteio e concorra ao livro Tânatos - contos sobre a morte e o oculto de Vitor Abdali. A promoção do livro autografado é válida até dia 20/07, mas é preciso ter endereço no Brasil.


Regras para participar do sorteio:

1 - Curtir as fanpages listadas abaixo:
- Revista Conexão Literatura: https://www.facebook.com/conexaoliteratura
- Fanpage do livro Tânatos: https://www.facebook.com/tanatoscontos
2 - Compartilhar a promoção no Facebook
3 - Deixe um comentário no post do sorteio com o seu endereço de e-mail (apenas uma vez) até o dia 20/07/2016: 
http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2016/06/participe-e-concorra-ao-livro-tanatos.html

O resultado será divulgado no dia 21/07/2016, na fanpage da Revista Conexão Literatura.

Legal, não é?
Então participe, vale a pena.
Até mais, abraços,
Míriam

*     

terça-feira, 21 de junho de 2016

A Divina Comédia
Obras de Salvador Dalí

Muito bom dia a todos vocês meus queridos amigos.
No domingo à noite consegui finalizar um conto que estava escrevendo, agora falta a revisão.
Como fiz teatro no SESI e participo de muitas atividades, constantemente recebo convites de cursos, exposições etc.
E vejam que interessante a mostra que está em cartaz, até dia 10/7, no SESI Campinas.

O gênio surrealista Salvador Dalí recebe homenagem do SESI-SP em exposição que percorrerá quatro cidades do interior paulista. A mostra Dalí: A Divina Comédia fica até o dia 10 de julho no SESI Campinas Amoreiras. Durante o segundo semestre, as obras do pintor espanhol serão exibidas ainda nas unidades de Itapetininga, São José do Rio Preto e São José dos Campos, todas com visitação gratuita.
A exposição traz cem xilogravuras de Dalí que ilustram os cem cantos que compõem a obra A Divina Comédia, do poeta italiano Dante Alighieri. O trabalho inicial, em aquarela, foi uma encomenda do governo italiano para celebrar os 700 anos do autor, que retratou a si mesmo em uma jornada simbólica entre o inferno, o purgatório e o paraíso. Dalí pintou as aquarelas e trabalhou por cinco anos em um sistema para que elas pudessem ser reproduzidas mecanicamente. Para isto, teve ajuda dos gravadores Raymond Jacquet e Jean Taricco, que fizeram 35 placas com 3.500 blocos xilográficos para reproduzir as obras peça por peça.
O resultado desse esforço foi publicado nos anos 60 por uma editora francesa.  A exposição segue a mesma proposta estrutural do livro de Dante. Do tormento à redenção, cada estrofe do poema original é representada por uma obra. Ao todo são 34 imagens para compor a narrativa do inferno, 33 para o purgatório e outras 33 para o paraíso. As obras expostas pertencem a um colecionador espanhol e ficarão no Brasil por pouco tempo.

Serviço:
A Divina Comédia – obras de Salvador Dalí
Quando: até dia 10 de julho
Visitação: de terça a sexta, das 9h às 18h, sábados, das 14h às 19h, exceto feriados – entrada gratuita
Local: SESI Campinas Amoreiras – Av. das Amoreiras, 450, Parque Itália, Campinas, SP
Telefone: (19) 3772-4100 

Mais informações:



segunda-feira, 20 de junho de 2016

Conto: Morro Preto, o mistério ronda Iporanga

Olá meus amigos, mais uma semana se inicia.
Ontem, escrevendo um conto e não tive como disponibilizar nenhuma história aqui na página.
Bem, mas a que segue hoje, faz parte da 12ª edição da Revista Conexão Literatura.
Espero que gostem.
Abraços,
Míriam

Um grito agudo misturado com uma espécie de uivo ecoou pela estrelada noite de Iporanga, no final do mês de junho, de 1987. Passava das dez e os poucos moradores que viviam às margens do Rio Ribeira de Iguape, entre agricultores, quilombolas e comunidades indígenas, todos espalhados dentro do território, recolhidos em suas moradias, ninguém se atreveu a verificar.
Eu me preparava para dormir quando escutei o barulho. Abri a janela do quarto do alojamento e nada podia ver além da escuridão. Deixei para lá e cai na cama, pois estava exausta.
No dia seguinte, na mesa do café, o assunto central girava em torno do grito e todos pareciam ter suas conclusões.
- Então, minha jovem, - perguntou Afonso, o mais velho do grupo, - o que você tem a dizer sobre o que ouvimos ontem à noite? Você escutou, não?
Imagem divulgação
- Oh, sim, mas cansada do jeito que fiquei abri a janela e não vi nada, então fui dormir, disse eu.
Vinícius se aproximou de mim e me beijou ao sentar-se ao meu lado.
E o pequeno grupo de espeleólogos continuou falando sobre aquilo, mas como não chegou a nenhuma conclusão, a conversa cessou, pois tínhamos coisas mais importantes a fazer e o fim de semana era muito curto para o trabalho.
Vinícius fazia parte da equipe há três anos e desde que nos conhecemos, aquela foi a primeira oportunidade para ele me levar para o Vale do Ribeira, mais precisamente ao PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), local que abriga sítios espeleológicos, paleontológicos, arqueológicos e aproximadamente, 360 cavernas catalogadas, e eles faziam justamente a catalogação e pesquisa. Era um trabalho de formiguinha para eles, professores da USP, que não tinham verba para aquela pesquisa, faziam-na pelo prazer do estudo, já que a maior parte era biólogo e geólogo. Eu os conheci por intermédio de Vinícius em outra ocasião.
Estávamos em 12 pessoas e nos dividimos em dois grupos, com destinos a trilha do Morro Preto e caverna Morro Preto e cavernas, Couto e Santana e o outro grupo faria a trilha passando pelo Rio Betary com as cavernas, Água Suja e Cafezal.
Eu estava deslumbrada com a beleza e riqueza natural da região. E quanto mais andava pela mata, mais tonalidades de verde meus olhos desbravavam em meio a tanta folhagem, uma coisa de louco de lindo!  Sem contar que próxima à caverna Couto borboletas azuis e de outras cores comiam frutinhas ao chão formando um lindo tapete no meio da trilha. E eu acompanhava a equipe de professores, estudiosos e amantes da natureza boquiaberta.
Vinícius ficou feliz em saber que eu estava amando tudo aquilo. Após a caverna Couto partimos para outra gruta, batizada de Laboratório, pois naquele local os espeleólogos estudavam o bagre-cego, espécie de peixe que vive em ambientes onde não há entrada de luz.
Quando deixamos a cavidade, encontramos o Joaquim Justino ou JJ como era conhecido, espeleólogo e guia de Iporanga e conhecedor da região como ninguém. Ele, no entanto, estava intrigado e foi logo falando:
- Vocês escutaram o uivo de ontem à noite? 
- Sim, responde Paulo, outro biólogo. O que você nos diz?
- Não sei ao certo, mas acho que vocês não devem andar à noite por aí. E JJ continuou seu caminho. Estava com humor diferente de seu jeito habitual.
Chegamos à trilha Morro Preto, e a caverna de mesmo nome ficava lá no alto, uma senhora subida, ufa! Com uma imensa boca de entrada, a maior da região, os professores colheram material para estudo, e o grupo resolveu adentrar mais toda a caverna e a descida parecia sem fim. Iluminamos com as lanternas e luzes auxiliares um grande salão e por entre estalactites e estalagmites, havia duas passagens, sem saber por qual, optamos pela da direita. E, de repente, quando já estávamos perto do que parecia o final da caverna uma luz de formato arredondado e do tamanho de uma porta se abre.
Levei um tremendo susto e ao voltar os passos para trás, tropecei e cai ao chão. Vinícius ficou hipnotizado com aquilo à nossa frente. Renato e as outras duas professoras, Rose e Wilma, também.
- O que é isso, minha gente? Grita Renato, perplexo e caminhando em direção à luz. Sendo seguido por Rose, que sorrindo, segurou na mão dele e caminhou a seu lado.
Fiquei sem voz, não conseguia falar nada. Vinícius, saindo do transe, segurou o braço de Wilma e não a deixou segui-los. Vinícius gritou para que parassem, mas já era tarde demais, pois os dois atravessavam a porta iluminada.
Nisso, alguém se aproxima de nós, era JJ. Com força e convicção, sem olhar para a luz, chamou a nossa atenção e nos ordenou a sair de lá.  
- Vamos embora daqui, disse o guia para nós. E foi nos puxando e conduzindo, até que saíssemos da caverna.
- O que foi aquilo JJ? Perguntam Vinícius e Wilma chorando. Temos que entrar para tirá-los de lá, gritavam em estado de choque.
- Não sei, mas olhei para trás quando saíamos e vi que a luz se apagou.
- Não! Berraram os dois...
...
Imagem divulgação
- Podem parar com essa palhaçada de história todos vocês! – Grita o delegado com um soco na mesa para o grupo de espeleólogos, professores da USP. Como posso colocar isso no relato do sumiço de duas pessoas no PETAR? - Diz ele. E depois de muita conversa com intervenção de um advogado, conseguimos deixar a delegacia.
E vocês devem estar se perguntando, e o que aconteceu com o grito logo no início da história?
Há, sim, quando retornamos à delegacia novamente passado um mês para novos depoimentos fomos ao vilarejo procurar o JJ e retornamos à caverna, que para nossa tristeza, nada havia de diferente além das rochas.
JJ disse que ouviu o uivo mais uma vez, mas nada aconteceu com ninguém de lá. Ele explicou que no início de seus antepassados quilombolas em Iporanga, algo semelhante aconteceu no vilarejo e a história demandava cem anos. No entendimento deles, a vida é uma eterna troca de espíritos, independente do tempo de ida e vinda.
E o grupo ficou cabisbaixo, sem ter o que falar, mas jurou não desistir dos amigos, até encontrar uma resposta, algo para que pudessem trazê-los de volta.

Essa história homenageia o JJ, falecido dia 17 de maio, aos 78 anos de idade. Foi guia local e grande espeleólogo de Iporanga, região que frequentei no final dos anos 80.  

sábado, 18 de junho de 2016

Fescete - Festival de Cenas Teatrais
Ampla programação até dia 1º de julho

Com o tema 'Reinventar', o primeiro festival de cenas do Brasil, que tem realização do grupo Tescom e apoio da Prefeitura de Santos, comemora 20 anos neste mês de junho.
Até 1º de julho a ampla programação reúne mais de 120 produções, em 12 espaços de Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.
O Fescete é um importante evento artístico idealizado pela TESCOM (Escola de Teatro e Agência de Artistas e Técnicos), em 1997, e desde então é realizado em parceria com a Prefeitura Municipal de Santos, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura, que investiga estéticas e integra todas as linguagens da arte (dança, música, arte audiovisual, teatro, artes plásticas etc) e abre espaço a estudantes, amadores e profissionais.
No gênero (Festival de Cenas), o FESCETE é pioneiro no Brasil, onde até então, homenageia personalidades santistas que contribuem com o fazer artístico e conta com a participação de 1.000 artistas de diferentes segmentos: teatro, dança, música, poesia e artes visuais, além de promover mostras, cursos, workshops, performances, debates, exposições, espetáculos e concurso de poesia estudantil. Busca também conscientizar sobre o Desenvolvimento Sustentável e a Ecorresponsabilidade.

Acesse e saiba mais sobre o evento e a programação completa:

Olá meus queridos amigos, tenham um excelente sábado.
Olha só que legal o Fescete, que acontece até o dia 1º de julho com grande programação, vale a pena.
Bem, fica aí a dica, espero que tenham gostado do assunto.
Beijos,

Míriam 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Solilóquios
Peça gratuita, dias 17 e 18 de junho

Solilóquios, da Bendita Trupe, é uma história de amor sob o prisma da incomunicabilidade. O silêncio que impera entre ex-namorados impede o sentimento de transparecer entre eles, restando apenas solilóquios verborrágicos, construídos no pretérito do futuro que, inutilmente, ecoam no vazio, conduzindo a ação inexorável rumo a separação.
A citação dos animais monogâmicos, em contraponto a capacidade dos homens de estabelecer uma relação duradoura e harmoniosa, nos traz a imagem forte e poética de uma natureza sábia em contraposição a inadequação humana diante do amor.



Serviço:
Solilóquios - gratuito
Quando: dias 17 e 18/6, às 20 horas
Local: SESI Santos: Avenida Nossa Senhora de Fátima, 366, Jardim Santa Maria, Santos (estacionamento no local)
Telefone: 3209-8210
Classificação: inadequado para menores de 14 anos
Drama, adulto, 60 min.

Espero que tenham gostado da dica cultural de hoje.
Abraços, até mais,

Míriam

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A Nova Hollywood
Curso aborda geração que transformou Hollywood

Olá meus amigos, espero que o dia seja excelente. Quase sexta, diga-se de passagem.
Vejam que legal o curso que meu amigo jornalista André Azenha promove no próximo mês. Interessados, as inscrições estão abertas.

Há 40 anos, filmes como “Taxi Driver”, “Todos os Homens do Presidente”, “Carrie, a Estranha”, “Rocky, Um Lutador”, “Rede de Intrigas”, entre outros, tornavam 1976 um dos anos mais celebrados do cinema dos EUA. Estes e muitos outros filmes fizeram da década de 70 um período especial para a produção cinematográfica do país: a Nova Hollywood, um movimento que trouxe à tona jovens cineastas que se inspiraram no “cinema de autor” da nouvelle vague francesa e romperam de vez com o velho sistema de estúdios.
Nessa época, despontaram nomes como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Steven Spielberg, George Lucas, Brian de Palma, Peter Bogdanovich, Michael Cimino, Paul Schrader, William Friedkin, Robert Altman, Arthur Penn, John Boorman, Mike Nichols, Sidney Lumet e Hal Ashby, que modificaram o funcionamento da indústria hollywoodiana.

Curso
Pela importância histórica e sua influência até hoje, este movimento será tema do curso "A Nova Hollywood - Como uma geração transformou o cinema dos EUA", que será ministrado durante o mês de julho pelo jornalista e crítico André Azenha, na Open House Idiomas (Rua Minas Gerais, 85, Boqueirão).
O curso terá 12 horas-aulas divididas em quatro dias, com turmas segundas, sextas e sábados de julho. Durante as aulas, o professor abordará o início da Nova Hollywood, as referências e trajetórias dos principais cineastas desse período, bem como eles influenciaram o cinema internacional. Serão mostrados e analisados trechos de filmes.
O investimento é R$ 200, valor que pode ser pago em dinheiro ou boleto bancário. As matrículas podem ser efetuadas na própria escola, entre segunda e sexta, a partir das 15h.
Mais informações:

 Telefone da escola: (13) 3289-4660

André Azenha
André Azenha é jornalista, crítico de cinema e produtor cultural. Colaborou com textos sobre cinema e música para revistas, jornais e sites de Santos, São Paulo, Limeira, Maceió e Rio de Janeiro. 
Ministra cursos e oficinas de cinema e jornalismo cultural. Entre eles, “Introdução à História, Teoria e Crítica de Cinema” e “Grandes Astros do Cinema” (Open House Idiomas), “Quadrinhos no Cinema” e “História do Batman no Cinema” (ambos no Sesc Santos).
É idealizador da Mostra Cine Brasil Cidadania, que visa exibir longas do cinema nacional seguidos de debates com seus realizadores, e Nerd Cine Fest Santos – Festival de Cinema e da Cultura Nerd e Geek do Litoral Paulista.
Tem dois livros artesanais publicados em 2012: Coletânea CineZen, que reúne textos do site, e “Meu Namoro com o Cinema”, com críticas de filmes que abordam de alguma forma o amor. Em 2016, publicou o livro “Histórias: Batman e Superman no Cinema”. 

Serviço: 
"A Nova Hollywood - Como uma geração transformou o cinema dos EUA"
Três turmas em julho
Turma 1 – Segundas (4, 11, 18 e 25 de julho), das 19h30 às 22h30
Turma 2 – Sextas (8, 15, 22 e 29 de julho), das 19h30 às 22h30
Turma 3 – Sábados (9, 16, 23 e 30 de julho), das 8h30 às 11h30
(Sempre com intervalo de 10 minutos). 
Matrículas, de segunda a sexta, a partir das 15h, na Open House Idiomas: Rua Minas Gerais, 85, Boqueirão. 
Investimento: R$ 200 (dinheiro ou boleto bancário). 


Fonte: André Azenha

terça-feira, 14 de junho de 2016

Festival Varilux de Cinema Francês 2016
Diariamente até dia 22 de junho

Oi meus amigos, tenham uma excelente terça-feira, que tudo de bom nos aconteça. Ufa, estou iniciando o dia bem positiva.
Pessoal, vejam que legal e eu me esqueci completamente, mas ainda bem que me lembrei antes de terminar, é que até dia 22, acontece o Festival Varilux de Cinema Francês, com ampla programação.



O Festival em Santos tem o copatrocínio da Aliança Francesa.
As sessões acontecem no Cinespaço Santos – no Shopping Miramar: Av. Floriano Peixoto, 44, Gonzaga.

Acesse o link e acompanhe toda a programação do evento, assim como informações diversas que o site oferece:



segunda-feira, 13 de junho de 2016

Poesia de Edgar Allan Poe

Olá pessoal, iniciamos mais uma semana e que tal uma poesia de Edgar Allan Poe? Então disponibilizo aqui na página a poesia Só e espero que gostem.
Abraços,
Miriam


Desde a infância eu tenho sido
Diferente d'outros – tenho visto
D'outro modo – minhas paixões
Tinham uma outra fonte e
Minhas mágoas outra origem -
No mesmo tom não despertava
O meu coração para a alegria -
O que amei – eu amei só.
Então – na infância – a aurora
Da vida atormentada – estava
Em cada nicho de bem e mal
O mistério que me prendia -
Da correnteza, da fonte -
Da escarpas rubras do monte -
Do sol que me rodeava
Em pleno outono dourado -
Do relâmpago nos céus
Quando sobre mim passava -
Do trovão, da tormenta -
E a nuvem tem a forma
(Quando o resto do céu é azul)
D'um demônio aos meus olhos.