quarta-feira, 18 de maio de 2016

Poesia Anjos do Céu
Álvares de Azevedo

As ondas são anjos que dormem no
mar,
Que tremem, palpitam, banhados de
luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d´escuma revolvem-se nus!
E quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no

mar!
Que dormem, que sonham- e o vento
dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de
Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do
mar!
E quando nas águas os ventos
suspiram,
São puros fervores de ventos e mar:
São beijos que queimam... e as noites
deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!
Ai! quando tu sentes dos mares na
flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Por que não consentes, num beijo de
amor
Que eu diga-te os sonhos dos anjos
do mar?

Maravilhosa, não é?
Bem, sou suspeita porque adoro Álvares de Azevedo, escritor da segunda geração romântica brasileira e que morreu tão novo, aos 20 anos de idade.

Um pouco de Álvares de Azevedo
Manuel Antônio Álvares de Azevedo apesar da pouca idade deixou expressiva obra: Poesias diversas, Poema do Frade, o drama Macário, o romance O Livro de Fra Gondicário, Noite na Taverna, Cartas, vários Ensaios (incluíndo "Literatura e civilização em Portugal", "Lucano", "George Sand" e "Jacques Rolla") e Lira dos vinte anos.
O autor foi muito lido até as duas primeiras décadas do século XX, com constantes reedições de sua poesia e antologias. As últimas encenações de seu drama Macário foram em 1994 e 2001.

Bem queridos amigos, espero que gostem da poesia.
Grande beijo e até mais.

Míriam

Nenhum comentário: