quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Lygia Fagundes Telles

Hoje me deparei com este texto da escritora Lygia Fagundes Telles, estava em meus arquivos e acabei trazendo para a página, pois daí me lembrei que Lygia foi indicada ao Nobel de Literatura.
Então, vejam que texto ótimo da escritora:

O poeta dizia que era trezentos, trezentos e não sei quantos. Eu sou apenas duas: a verdadeira e a outra. Uma outra tão calculista que às vezes me aborreço até a náusea. Me deixa em paz! – peço e ela se põe a uma certa distância, me observando e sorrindo. Não nasceu comigo, mas vai morrer comigo e nem na hora da morte permitirá que me descabele aos urros, não quero morrer, não quero! Até nessa hora sei que vai me olhar de maxilares apertados e olho inimigo no auge da inimizade: “Você vai morrer sim senhora e sem fazer papel miserável, está ouvindo?” Lanço mão do meu último argumento: tenho ainda que escrever um livro tão maravilhoso... E as pessoas que me amam vão sofrer tanto! E ela, implacável: “Ora, querida, as pessoas estão fazendo montes. E o livro não ia ser tão maravilhoso assim”. É bem capaz de exigir que eu morra como as santas.
Lygia Fagundes Telles

Prêmio Nobel de Literatura

A União Brasileira de Escritores (UBE) indicou a escritora Lygia Fagundes Telles para o Prêmio Nobel de Literatura. A indicação, por unanimidade, foi enviada no dia 3 de fevereiro para a Academia Sueca.
“Lygia é a maior escritora brasileira viva e a qualidade de sua produção literária é inquestionável”, diz o presidente da entidade, Durval de Noronha Goyos, em comunicado à imprensa.
Paulistana, a autora tem obras traduzidas para o alemão, espanhol, francês e inglês; italiano, polonês, sueco e tcheco, além de adaptações de suas obras para o cinema, teatro e televisão. 
Recebeu prêmios como Camões (2005) e Jabuti (1966 e 1974). Dentre sua obra, destacam-se As Meninas e As horas nuas.

Vamos torcer pessoal! 

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