segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Boa segunda-feira a todos nós. Vamos que vamos!!!

Para começar bem a semana, a poesia TE CORTAS, do amigo jornalista, escritor e poeta Marcos Martins, que acabou de ser premiado com uma de suas poesias. Parabéns a ele!

Bem, por hoje é só.

Grande abraço,

Miriam

 

TE CORTAS
Marcos Martins

Corto o véu que me revigora, porque de mim nada se faz nascer;
Corto as cordas do umbilical, separando-me de minha natureza forjada no mal.
Sou um ser apático, vivo num mundo monocromático – justificativa que não encontro em meu nascer.
Os poros estão obstruídos, então corto o pulmão já carcomido com toda a esperança que o humano se faz romper.
Corto.
Descortino.
Esfolo.
Corto o céu de minha boca para que possa tocar as estrelas infinitas;
Corto os laços doutrinários que me forjaram, que me incomodam, causam urticarias em meu espírito.
Corto.
Esfolo o espírito – angústia criativa de ter mãos e não poder escrever.
Cortas a corda no pescoço, pois se depois da morte há vida de que adianta querer morrer. Então mutilas tuas mágoas, dilacera tuas perdas, frustrações, dissabores, tuas feridas, tudo o que de ruim já foi vida, vivida por uma existência Frankenstein.
Cortas tudo.
Cortas o todo, cortas as feridas que nunca serão lacradas, pois a dor do existir sempre a de existir dentro da alma de todo ser que vive sua existência sem saber que viver é cortar-se; é sofrer no existir.

Poesia premiada no primeiro concurso do grupo Poetas que Choram e Amam. Conheça o poeta e escritor, acesse:


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