quarta-feira, 18 de março de 2015

Uma ótima quarta-feira a todos nós.

Hoje o poema O Navio Negreiro, escrito por Castro Alves completa 147 anos.

O poema foi escrito no dia 18 de abril de 1868, e é um dos meus favoritos.

Espero que apreciem.

Grande abraço, e até amanhã com a coluna da revisora Bernadete Bernardo.

Miriam

 

O Navio Negreiro – 147 anos
Castro Alves

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.  

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...  

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...  

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...  

Donde vem? onde vai?  Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,  
Galopam, voam, mas não deixam traço.  

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!  

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!  

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!  

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................  

Antônio de Castro Alves 
Nasceu em 14 de março de 1847 na Bahia e é considerado o último grande poeta do Romantismo. Foi o escritor mais importante desta fase, a 3ª fase romântica chamada Poesia Social.
Esta fase que se iniciou, aproximadamente em 1860, é marcada pelas ideias liberais e democráticas e pelo envolvimento dos escritores por questões políticas e sociais. A obra de Castro Alves tem como características a indignação com tantas opressões e a compreensão dos problemas sociais. Sua poesia também possui um tom vigoroso e versos expressivos.
Castro Alves recebeu o apelido de Poeta dos Escravos, pois é na poesia abolicionista que ele melhor se sobressaiu. Nas obras Navio Negreiro e Vozes d’África o poeta denuncia as injustiças e clama por liberdade.
A poesia amorosa de Castro Alves é mais sensual do que o comum na época. A mulher aparece envolvida em um clima de erotismo e paixão e está muito próxima a ele. O amor, em suas obras, não é mais platônico.

Obras
- Gonzaga ou a Revolução de Minas
- Espumas Flutuantes (1870) única obra publicada em vida
- A Cachoeira de Paulo Afonso (1876)
- Os Escravos (1883) nesta obra está incluído o poema 

O Navio Negreiro também é conhecido como Tragédia no Mar.
Considerado um poema épico, foi escrito no dia 18 de abril de 1868, e tornado público no dia 7 de setembro deste mesmo ano quando foi declamado durante a sessão magna comemorativa da Independência.

 

Fonte: Instituto Estadual de Educação Elisa Valls e InfoEscola    

 

Acesse para ler a poesia completa:

https://docs.google.com/document/d/1JhybP7NGRYDtiQgl8BcBPRXRmh4pyALUldJ7gy6pVps/edit?hl=pt_BR&pli=1


 

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