quarta-feira, 4 de março de 2015

Bom dia a todos e que o dia seja produtivo para todos nós.

Para esta quarta-feira, deixo uma poesia de Manoel de Barros, pois me deu uma saudade de seus escritos.

Espero que gostem.

Grande abraço,

Miriam

 

O apanhador de desperdícios

Manoel de Barros

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

 

Manoel Wenceslau Leite de Barros foi um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao Pós-Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas.
O poeta nasceu em Mato Grosso, no dia 19/12/1916 e faleceu em 13/11/2014, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

 

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