quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Queridos amigos, que o dia hoje seja excelente para todos nós.
Outro dia estava procurando uma poesia e acabei chegando até as de Maya Angelou e então achei legal trazer para cá, apresentando esta maravilhosa artista, para quem não a conhece.
Espero que gostem, amanhã tem mais.
Abraços,
Miriam

Maya Angelou
Ainda me levanto (Still I rise)

Podes inscrever-me na História
Em mentiras amargas e retorcidas.
Podes espezinhar-me no chão sujo
Mas ainda assim, como a poeira, vou-me levantar.

Minha impertinência incomoda?
Por que ficas soturno
Ao me ver andar como se tivesse em casa
Poços de petróleo jorrando?

Como as luas e como os sóis,
Como a constância das marés,
Como a esperança alçando voo,
Assim me levanto.

Querias ver-me alquebrada?
Cabeça pensa e olhos baixos?
Ombros caídos como lágrimas,
Enfraquecida de tanto pranto?

Minha altivez o ofende?
Não leve tão a peito assim:
Eu rio como quem minera ouro
Em seu próprio quintal

Podes fuzilar-me com palavras
Podes lanhar-me com os olhos
Podes matar-me com malevolência
Mas ainda assim, como o ar, eu me levanto

Minha sensualidade perturba?
Por acaso te surpreende
Que eu dance como quem tem diamantes
Ali onde as coxas se encontram?

Do fundo das cabanas da humilhação
Me levanto
Do fundo de um pretérito enraizado na dor
Me levanto
Sou um oceano negro, marulhando e infinito,
Sou maré em preamar

Para além de atrozes noites de terror
Me levanto
Rumo a uma aurora deslumbrante
Me levanto
Trazendo as oferendas de meus ancestrais
Portando o sonho e a esperança do escravo
Ainda me levanto
Me levanto
Me levanto

Tradução de Walnice Nogueira Galvão, professora emérita da FFLCH da USP

Sobre Maya Angelou

Maya Angelou, pseudónimo de Marguerite Ann Johnson foi uma escritora e poetisa dos Estados Unidos. Passou a infância na Califórnia, Arkansas, e St. Louis, e viveu com a avó paterna, Annie Henderson, na maior parte de sua infância.
Ela nasceu no dia 4 de abril de 1928, em St. Louis, Missouri, EUAe faleceu no dia 28 de maio de 2014, Winston-Salem, Carolina do Norte, EUA, aos 86 anos.
Foi conhecida como ativista pela igualdade racial,  trabalhando com Martin Luther King e Malcom X.  
Admirada por diversos músicos, Maya leu um poema chamado "We had him" no funeral de Michael Jackson, em 2009. Ela também influenciou cantores como Steven Tyler, Fiona Apple e Kanye West. A apresentadora Oprah Winfrey considerava Maya sua mentora.
Ela também trabalhou como cantora, dançarina, atriz, dramaturga e compositora. A artista ganhou o Grammy e outros prêmios em diversas áreas artísticas. Ela teve uma infância pobre, na época de alta segregação racial nos EUA. Ainda aos 17 anos, ela se formou na escola e teve um filho, Guy. Nesta época, começou a trabalhar e foi a primeira motorista negra em San Francisco, segundo o Poetry Foundation.
Como escritora, sua obra tem forte marca autobiográfica. Maya foi aclamada já em seu primeiro livro, a autobiografia "I know why the caged bird sings" (1969), que fez dela uma das primeiras escritoras negras a ter um best-seller nos Estados Unidos.
Depois de "I know why the caged bird sings", que abarca o período até seus 17 anos de idade, Maya publicou outros seis volumes de sua autobiografia: "Gather together in my name" (1974), "Singin' and swingin' and gettin' merry like Christmas" (1976), "The heart of a woman" (1981), "All God's children need traveling shoes" (1986), "A song flung up to heaven" (2002) e "Mom & me & mom (2013).
A artista foi escolhida por Bill Clinton para ler sua primeira cerimônia de posse, em 1993. O texto original lido foi "On the pulse of morning", que também se tornou um best-seller.


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