terça-feira, 11 de novembro de 2014

Tenham uma excelente terça-feira!
O mês de novembro é para mim da poetisa Cecília Meireles porque ela nasceu no dia 7, e completaria 113 anos e faleceu no dia 9, tudo em novembro.
Para comemorar, deixo aqui três poesias de nossa maravilhosa representante da poesia brasileira.
Grande abraço,
Miriam

Novembro, mês de nascimento e falecimento de Cecília Meireles

Na sexta-feira, dia 7, a poetisa, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles completaria seu 113º aniversário.
Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901 e é um dos principais nomes da poesia no Brasil.
Ela escreveu obras como Romanceiro da Inconfidência, Ou Isto ou Aquilo, Baladas para El-Rei e Canção da Tarde no Campo.
Cecília Benevides de Carvalho Meireles faleceu no dia 9 de novembro de 1964, aos 63 anos, no Rio de Janeiro. 

Poesias  
Timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
 
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.


Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração 
que nem se mostra. 

Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
- Em que espelho ficou perdida 
a minha face?


Nenhum comentário: