domingo, 30 de novembro de 2014

Amigos, tenham um excelente domingo.
Há 79 anos falecia um dos maiores escritores e poetas, Fernando Pessoa. E por gostar demais de seu trabalho, dedico essa homenagem aqui na página, além de dois poemas: Chove e A Morte Chega Cedo.
Espero que gostem e amanhã tem mais.
Grande abraço,
Miriam

Fernando Pessoa
79 anos de falecimento 

Fernando António Nogueira Pessoa, mais conhecido como Fernando Pessoa, foi poeta, filósofo e escritor português. Fernando Pessoa é o mais universal poeta português e também um dos maiores escritores da história.

Ele nasceu no dia 13 de junho de 1888, no Distrito de Lisboa e faleceu há 79 anos, dia 30 de novembro de 1935, em Lisboa, Portugal, aos 47 anos.

Após a morte do pai por tuberculose, ocorrida quando ele só tinha cinco anos, a mãe se vê obrigada a leiloar parte da mobília e os dois mudam-se para uma casa mais modesta. É também nesse período que surge seu primeiro pseudônimo, “Chevalier de Pas”, assim como o primeiro poema, curto, com a infantil epígrafe de “À Minha Querida Mamã”. Sua mãe casa-se pela segunda vez em 1895, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, África do Sul.

Muda-se com a mãe para a cidade sul-africana, onde passa a maior parte de sua juventude. Recebe uma educação britânica, o que lhe proporciona um profundo contato com a língua inglesa. Seus primeiros textos e estudos são feitos em inglês. Teve desde cedo contato com autores como William Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, entre outros.

Utiliza o idioma para traduzir textos de poetas ingleses, como “O Corvo” e “Annabel Lee” de Edgar Allan Poe, chegando a publicar em 1918 e 1921 coletâneas de poemas em inglês de sua autoria.

Heteronímia

Podemos dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar. De tanto fazê-lo, criou outras vidas através de seus heterônimos, que se constituíram em sua grande criação estética. Os heterônimos, diferentemente dos pseudônimos, são personalidades poéticas completas: identidades que, em princípio falsas, se tornam verdadeiras através da sua manifestação artística própria e diversa do autor original. Entre os heterônimos, o próprio Fernando Pessoa passou a ser chamado ortônimo, porquanto era a personalidade original.

Os três heterônimos mais conhecidos foram Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Um quarto heterônimo de grande importância na obra de Pessoa é Bernardo Soares, considerado um semi-heterônimo, autor do Livro do Desassossego, importante obra literária do século XX.

Através dos heterónimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade. Este último fator se destaca no enigmático que perpassa a obra do poeta.

Escreveu desde sempre, com seu primeiro poema aos sete anos e pondo-se a escrever até mesmo no leito de morte. Sua vida foi uma constante divulgação da língua portuguesa. Nas palavras do poeta, expressas pelo heterônimo Bernardo Soares, “minha pátria é a língua portuguesa”. Ou então, através de um poema: “Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da civilização e o alargamento da consciência da humanidade.” Analogamente ao general romano Pompeu que disse, por volta de 70 a. C., que “navegar é preciso; viver não é preciso”, Pessoa diz, no poema “Navegar é Preciso”, que “viver não é necessário; o que é necessário é criar”.

Poesias
Chove. Há Silêncio
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva 
Não faz ruído senão com sossego. 
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva 
Do que não sabe, o sentimento é cego. 
Chove. Meu ser (quem sou) renego... 

Tão calma é a chuva que se solta no ar 
(Nem parece de nuvens) que parece 
Que não é chuva, mas um sussurrar 
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece. 
Chove. Nada apetece... 

Não paira vento, não há céu que eu sinta. 
Chove longínqua e indistintamente, 
Como uma coisa certa que nos minta, 
Como um grande desejo que nos mente. 
Chove. Nada em mim sente... 

A Morte Chega Cedo
A morte chega cedo, 
Pois breve é toda vida 
O instante é o arremedo 
De uma coisa perdida. 

O amor foi começado, 
O ideal não acabou, 
E quem tenha alcançado 
Não sabe o que alcançou. 

E tudo isto a morte 
Risca por não estar certo 
No caderno da sorte 
Que Deus deixou aberto. 







sábado, 29 de novembro de 2014

Até que enfim o sábado chegou! Que seja bom para todos nós.
Para quem deseja conhecer mais sobre a História do Modernismo, tem exposição na Pinacoteca de São Paulo sobre o tema, que vale a pena.
Além disso, para quem não conhece a pinacoteca, é um lugar maravilhoso. Outro ponto cultural importante é o Museu da Língua Portuguesa, que fica em frente à pinacoteca, basta atravessar a rua. Fica aí a dica!
Bem, por hoje é só e amanhã tem mais.
Grande abraço,
Miriam
  
Modernismo na Pinacoteca



Até o dia 27 de dezembro, a Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta 50 obras de grandes artistas adeptos do estilo modernista com a exposição “História do Modernismo em São Paulo”.
A mostra traz obras de Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral.
A exposição está dividida em três momentos modernistas: inovações formais do primeiro modernismo; a retomada das tradições e a influência do abstracionismo.

Serviço:
“História do Modernismo em São Paulo”
Pinacoteca do Estado de São Paulo - Praça da Luz, 2, Bom Retiro
Quando: até 27 de dezembro de 2014
Horários: de terça a domingo, das 10h às 17h30
Ingressos: As quintas e sábados a entrada é gratuita. Nos demais dias, cobra-se R$ 6 e R$ 3 (meia-entrada).

Modernismo

O Modernismo foi um movimento artístico e cultural, teve seu inicio na Europa e começou a se difundir no Brasil a partir da primeira década do século XX, através de manifestos de vanguarda, principalmente em São Paulo, e da Semana da Arte Moderna, realizada em 1922.
O movimento deu início a uma nova fase estética na qual ocorreu a integração de tendências que já vinham surgindo, fundamentadas na valorização da realidade nacional, abandonando as tradições antes seguidas, tanto na literatura quanto nas artes.
Apesar da grande repercussão que a arquitetura e Arte Moderna obtiveram, vale ressaltar que o Movimento Moderno não se limitou a essas duas áreas. Foi um movimento cultural global que envolvia vários aspectos, entre eles sociais, tecnológicos, econômicos e artísticos.
O Modernismo foi introduzido no Brasil através da atuação e influência de arquitetos estrangeiros adeptos do movimento, embora tenham sido arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, que mais tarde tornaram este estilo conhecido e aceito. Foi o arquiteto russo Gregori Warchavchik quem projetou a “Casa Modernista” (1929-1930), a primeira casa em estilo Moderno construída em São Paulo. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Graças a Deus a sexta chegou! Af!!!
Final de semana se aproximando e tem exposição gratuita no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, do genial Leonardo da Vinci.
Evento cultural é tudo de bom e sempre será divulgado aqui na página, além de literatura, contos, minicontos, cinema, lançamentos de livros e de autores, entre outros, afinal, é um blog cultural.
Bem, por hoje é só e amanhã tem mais.
Grande abraço,
Miriam

Leonardo da Vinci, 
a Natureza da Invenção
No Centro Cultural Fiesp

Até o dia 10 de maio de 2015, você poderá contemplar de perto algumas das grandes criações do visionário Leonardo da Vinci em uma mostra inédita. A exposição é inteiramente gratuita e acontece no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista, em São Paulo.
O material exposto na Mostra ‘Leonardo da Vinci, a Natureza da Invenção’ faz parte do acervo do Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia (MUST), de Milão, na Itália.
Os projetos foram produzidos por pesquisadores e engenheiros para celebrar o aniversário de 500 anos de Da Vinci em 1952. Fazem parte da exposição máquinas, desenhos e esboços.

Serviço:
Exposição Leonardo da Vinci, a Natureza da Invenção
Local: Centro Cultura Fiesp – Ruth Cardoso - Avenida Paulista, 1312, São Paulo
Quando: até dia 10 de maio de 2015, das 10h às 20h - entrada franca


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Tenham um excelente dia meus amigos, que venha logo a sexta-feira!
Ritual é o miniconto que compartilho com vocês e espero que gostem.
Eu adoro escrever minicontos, outra forma de literatura, pois muito mais importante que mostrar é sugerir, deixando ao leitor a tarefa de “preencher” as elipses narrativas e entender a história por trás da história escrita.
Bem, por hoje é só e amanhã tem mais.
Abraços,
Miriam
Ritual

— “Alaster...puella libertus”... “Alaster... puella libertus”...
Vozes... que palavras são essas que não as compreendo? Onde estou e quem é essa gente perto de mim? Pensava Anna Morette, bolsista do 1º ano de Filosofia.
Essas pessoas estão vestidas com túnicas negras que escondem seus rostos, mas o homem junto a mim, eu vejo sua face, mas não o reconheço.
Eles estão com adagas nas mãos.
Que lugar sinistro e eu não consigo me mexer, acho que me drogaram e estou com o corpo anestesiado. Posso ver o homem sem o capuz entregando uma adaga a uma pessoa. Vejo também que o objeto está sujo, será sangue? Socorro! Não consigo nem gritar!
Há uma enorme taça perto de mim, será... vinho?! O homem sem capuz bebe da taça e a passa aos demais. Agora ele se volta ao meu peito com uma faca...
Opa, que barulho é esse? Arrombaram as portas.
Graças a Deus, são policiais entrando armados e gritando. Estou salva! Estão prendendo as pessoas e vão me tirar daqui.
Um policial se aproxima de mim. Ele faz um sinal e um homem entra com uma maca. Estico meu pescoço e vejo que estou nua. O policial me cobre com um lençol.
Agora consigo me mexer e até me sentar e... 
Não!!!!! Seu grito ecoou para ela mesma!
Os policiais estão levando o meu corpo...  

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Olá amigos, que a quarta-feira seja proveitosa para todos nós.
Recebi o convite e disponibilizo aqui na página a quem tiver interesse. Trata-se da antologia Viagens de papel, organizada pelo escritor Roberto de Sousa Causo e realizada pela Andross Editora.
Bem, por hoje é só e amanhã tem mais.
Abraços,
Miriam


Viagens de papel
Organizado por Roberto de Sousa Causo

A Andross Editora está recebendo contos de novos escritores para publicação no livro "Viagens de papel - Contos e crônicas de temática livre”, a ser lançado em maio de 2015 no evento Livros em Pauta.
Qualquer pessoa pode participar. Basta acessar o site www.andross.com.br ler o regulamento de participação e submeter seu texto à avaliação. 
As inscrições terminam dia 31 de dezembro de 2014.

Sinopse do livro:
Quem lê desfruta de experiências reservadas somente àqueles que escolhem viver intensamente. Quem lê viaja. Descobre terras desconhecidas, muitas vezes, inimaginadas.
Os autores do livro Viagens de papel desempenham brilhantemente sua função de agente de viagens e propõem pacotes diversos, capazes de agradar ao turista mais exigente. E lembre-se: o que importa não é o destino e sim a própria viagem.

Roberto de Sousa Causo
“Aceitaremos para avaliação qualquer conto ou crônica de qualquer temática”, ressalta Roberto de Sousa Causo, organizador do livro. “Queremos um livro bem diversificado”, completa.

Serviço: 
Livro: Viagens de papel - Contos e crônicas de temática livre” 
Organização: Roberto de Sousa Causo
Envio do texto: até 31/12/2014
Lançamento: maio de 2015 (no evento Livros Em Pauta
Regulamento: no site www.andross.com.br

 Realização: Andross Editora

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tenham uma terça-feira maravilhosa!
Bem, acabei de ler “A Hora do Vampiro”, de Stephen King, livro de 1975, mas ainda não tinha lido, e gostei bastante, envolvente do começo ao fim, tinha de ser.
Apesar de muita leitura, sempre é bom revisarmos as mudanças do Novo Acordo Ortográfico, não é mesmo?
E para esta semana, a amiga revisora Bernadete Bernardo esclarece sobre compostos com mais de dois elementos, que sempre deixam dúvidas.
Bem, por hoje é só e amanhã tem mais.
Abraços,
Miriam

Mão-de-obra ou mão de obra?

Acordo Ortográfico dos compostos


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Olá amigos, tenham uma ótima segunda-feira, pena já ter terminado o final de semana!
O escritor e amigo Ademir Pascale está lançando o terceiro romance: Caçadores de Demônios e disponibilizo aqui para vocês um pouco sobre o novo livro.
Espero que gostem.
Grande abraço,
Miriam

Caçadores de Demônios
O novo livro de Ademir Pascale

É com grande prazer e honra que anuncio aqui na página o novo romance do escritor e ativista literário Ademir Pascale, Caçadores de Demônios, publicação pela Editora Draco. O livro entrará em pré-venda. 
Caçadores de Demônios é o terceiro romance de Ademir. “Esse é o trabalho de mais de um ano, do qual passei noites sem dormir escrevendo e elaborando a maior das aventuras que já escrevi  Agradeço ao editor Erick Sama pela oportunidade de poder mostrar aos leitores o meu terceiro romance (segundo pela editora Draco). O prefácio ficou por conta do grande escritor Octavio Aragão. A arte da capa foi elaborada pelo capista e escritor Hugo Maximo. Os dois personagens da capa são os protagonistas Rafael Monte Cerquillo e Laila, dois caçadores de demônios”, ressaltou Pascale.

“A arte de contar uma história envolvente, que muitos deixam de lado em prol de pirotecnias linguísticas, é algo que Ademir Pascale cultiva com destreza. Caçadores de Demônios é uma dessas narrativas das quais é impossível escapar ileso.”
 Ronize Aline, escritora e crítica literária do jornal O Globo do Rio de Janeiro (suplemento literário Prosa&Verso).

Caçadores de Demônios

Quando o mal decide pelo extermínio da humanidade, desconfie de tudo e de todos.
Uma vingança ancestral cairá sobre a Terra quando o mais ardiloso entre todos os demônios for libertado de sua prisão.
Rafael Monte Cerquillo lutará contra as criaturas da noite em uma aventura alucinante pelas ruas, avenidas e bares de uma São Paulo dominada pelas trevas. Mas não estará sozinho nessa caçada. Com a ajuda de dois poderosos guerreiros, ele sabe que deve prevalecer, custe o que custar.
Caçadores de Demônios é um romance de Ademir Pascale, que se passa no mesmo universo de O desejo de Lilith. Acompanhe a trajetória desses heróis e esteja sempre atento, pois nada acontece por acaso. Desvende os mistérios do mundo e prepare-se para uma verdadeira corrida para impedir que o mal triunfe. Tome cuidado, no entanto: eles estão por toda parte.

Pré-venda

Livro em pré-venda com 20% de desconto, e interessados devem solicitá-lo no site nos botões abaixo, frete incluso para todo o Brasil. Envios previstos para Dezembro de 2014.



Autor: Ademir Pascale
ISBN: 978-85-8243-119-1
Gênero: Terror, aventura, fantasia sombria
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 116
Preço de capa: R$ 27,90(papel)
R$ 15,90 (e-book)  

domingo, 23 de novembro de 2014

Um bom domingo para todos nós.
Uma amiga foi conhecer no feriado o trabalho de Ron Mueck na Pinacoteca e ficou encantada. Por isso, disponibilizo para quem tiver interesse. Fica a dica.
Grande abraço,
Miriam

Mostra de Ron Mueck na Pinacoteca de São Paulo

Até o dia 22 de fevereiro a Pinacoteca de São Paulo abriga a mostra com esculturas hiper-realistas do australiano Ron Mueck.
As nove obras reproduzem com fidelidade máxima cenas cotidianas, inclusive um autorretrato do artista, que resume sua obra, caracterizada pelo cuidado em cada detalhe, como pelos, rugas, veias e músculos.
A exposição apresenta, por exemplo, um homem tomando banho de sol, um negro esfaqueado, a mulher com um bebê no ponto de ônibus e um barqueiro nu. 
A mostra já passou pelo Japão, Austrália, Nova Zelândia, México, Buenos Aires e Rio de Janeiro.

Ron Mueck

Mueck trabalha em seu pequeno estúdio no norte de Londres, onde o tempo é um importante elemento para o seu processo criativo. O detalhe de suas figuras humanas é meticuloso, com mudanças surpreendentes de escala que estão longe do realismo acadêmico, hiper-realismo ou da pop art.
O artista é capaz de captar íntimas expressões do rosto humano de forma tão fiel que é possível acreditar que se tratam mesmo de pessoas em ações do cotidiano. Mueck utiliza materiais como resina, fibra de vidro, silicone e acrílico para reproduzir fielmente cada detalhe da anatomia humana e construir esculturas que tematizam pinturas de vida e morte. 

Serviço
Ron Mueck na Pinacoteca de São Paulo
Local: Praça da Luz, 2, São Paulo
Quando: Até 22 de fevereiro, de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30 (às quintas, até as 22h)
Ingressos: R$6 (inteira) e R$3 (estudante/meia)
Mais informações: (11) 3324-1000
 

sábado, 22 de novembro de 2014

Bom dia amigos, hoje acontece mais um evento cultural de grande importância para quem aprecia poesia, fotos, contos etc. Trata-se da XXVII edição do Sarau Virtual, que aceita visitantes e participantes.  

O evento começou hoje, às 10 horas e terminará na segunda-feira, dia 24, às 8 horas.

Participe!

Abraços,

Miriam

 

 

XXVII Sarau Virtual do 

Grupo Caixa de Poemas

A XXVII edição do Sarau Virtual do Grupo Caixa de Poemas de Manoel Hélio já começou!
Você pode visitar a página e também participar com a sua obra, pois o objetivo principal do evento é apresentar diversos trabalhos (poemas, crônicas, contos, romances, vídeos, fotografias, músicas, sites, lançamentos literários e eventos variados) e que todos possam comentar, curtir e compartilhar.
O Sarau começou hoje às 10 horas e só terminará às 8 horas de segunda-feira, dia 24/11.

Conheça o evento, acesse:





Olá amigos, tenham um excelente sábado.
Iniciada no dia 19, a nona edição da Balada Literária prossegue no final de semana com diversas atrações.
Bem, por hoje é só e amanhã tem mais.
Grande abraço,
Miriam

Nona Balada Literária
O evento acontece até dia 23

A Balada Literária chega à nona edição. E até dia 23 de novembro recebe vários artistas, celebrando a dupla Carolina Maria de Jesus e Plínio Marcos, com ampla programação. Desta que é uma das festas literárias mais simpáticas e descontraídas do País, com entrada gratuita e que já faz parte do calendário da cidade de São Paulo.
Carolina foi, na literatura brasileira, a primeira favelada a escrever sua própria história, assinando o clássico “Quarto de Despejo”, obra precursora de nomes recentes de nossa literatura que vieram ou vivem na periferia das grandes cidades.
Já Plínio Marcos é autor de diversos clássicos do teatro, a exemplo de “Navalha na Carne” e “Dois Perdidos Numa Noite Suja”.

Para saber mais sobre o evento e a programação completa, acesse o site:





sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Bem, o feriado terminou e de volta ao batente! Ainda bem que é sexta! E não se esqueçam de colocar roupa azul em campanha ao Novembro Azul.
Hoje deixo aqui na página a poesia Saudade, de minha amiga revisora, que sempre nos deixa importantes dicas da Língua Portuguesa, Bernadete Bernardo que ela fez em homenagem à mãe.
Bem, por hoje é só e amanhã tem mais.
Grande abraço,
Miriam

Saudade

Senti tanta saudade de você hoje,
Até doeu meu peito.
Num primeiro impulso, tive vontade de gritar,
Em seguida quis ficar quietinha,
Só pensando em você.
Senti meus olhos marejarem,
Sei que terei muitos momentos como esse,
Então... esperarei a noite chegar,
Porque você é aquela Estrela
Que brilha todas as noites na direção da minha janela.


Bernadete Bernardo, 20/11/2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Tenham um bom dia, feriado aqui em Santos, Dia da Consciência Negra e sexta-feira batente novamente.
Para relaxar um conto de Carlos Drummond de Andrade.
Bem, por hoje é só.
Grande abraço,
Miriam

Conto Caso de chá
De Carlos Drummond de Andrade

A casa da velha senhora fica na encosta do morro, tão bem situada que ali se aprecia o bairro inteiro, e o mar é uma de suas riquezas visuais. Mas o terreno em volta da casa vive ao abandono. O jardineiro despediu-se há tempos; hortelão, não se encontra nem por milagre. A velha moradora resigna-se a ver crescer a tiririca na propriedade que antes era um brinco. Até cobra começou a passear entre a folhagem, com indolência; é uma cobrinha de nada, mas sempre assusta.
O verdureiro que faz ponto na rua lá embaixo ofereceu-se para matá-la. A boa senhora reluta, mas não pode viver com uma cobra tomando banho de sol junto ao portão, e a bicha é liquidada a pau. Bom rapaz, o verdureiro, cheio de atenções para com os fregueses. Na ocasião, um problema o preocupa: não tem onde guardar à noite a carrocinha de verduras.
– Ora, o senhor pode guardar aqui em casa. Lugar não falta.
– Muito agradecido, mas vai incomodar a madame.
– Incomoda não, meu filho.
A carrocinha passa a ser recolhida nos fundos do terreno. Todas as manhãs o dono vem retirá-la, trazendo legumes frescos para a gentil senhora. Cobra-lhe menos e até não cobra nada. Bons amigos.
-  Madame gosta de chá?
– Não posso tomar, me dá dispepsia, me põe nervosa.
– Pois eu sou doido por chá. Mas está tão caro que nem tenho coragem de comprar. Posso fazer um pedido?
Quem sabe se a madame, com esse terreno todo sem aproveitar, não me deixa plantar uns pés, pouquinha coisa, só para o meu consumo?
Claro que deixa. Em poucas horas o quintal é capinado, tudo ganha outro aspecto. Mão boa é a desse moço: o que ele planta é viço imediato. A pequenina cultura de chá torna alegre outra vez a terra abandonada. Não faz mal que a plantação se vá estendendo por toda a área. A velha senhora sente prazer em ajudar o bom lavrador. Alegando que precisa fazer exercício, caminhando com cautela pois enxerga mal, ela rega as plantinhas, que lhe agradecem a atenção prosperando rapidamente.
– Madame sabe: minha intenção era colher só uma pequena quantidade. Mas o chá saiu tão bom que os parentes vivem me pedindo um pouco e eu não vou negar a eles. É pena madame não experimentar. Mas não aconselho: se faz mal, não deve mesmo tocar neste chá. O filho da velha senhora chegou da Europa esta noite. Lá ficou anos estudando. Achou a mãe lépida, bem disposta.
– E eu trabalho, sabe, meu querido? Todos os dias rego a plantação de chá que um moço me pediu licença para fazer no quintal. Amanhã de manhã você vai ver a beleza que está.
O verdureiro já havia saído com a carrocinha. A senhora estende o braço, mostra com orgulho a lavoura que, pelo esforço em comum, é também um pouco sua. O filho quase caiu duro:
– A senhora está maluca? Isso nunca foi chá, nem aqui nem na Índia. Isso é maconha, mamãe!