sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Olá meus amigos, hoje é Dia das Bruxas!!!!
Pegue a vassoura e vamos juntos arrepiar por ai!
Para comemorar a data, deixo um conto: Travessura ou gostosura e espero que gostem.
Amanhã tem mais, abraços,
Miriam 

Travessura ou gostosura?

        Lembro-me como se fosse hoje. Faltava menos de dois dias para a tradicional festa de Halloween e as casas de uma pacata rua na Zona Noroeste de Santos já estavam cheias de enfeites com aranhas e abóboras penduradas.
       
 E na casa de Lana, por mais que a moça gostasse da comemoração, seus pais não permitiam, e era sempre aquela mesmice, sem nenhuma novidade. Não que fosse por algum motivo religioso, mas eram pessoas sem vida, sem aquele “tempero” necessário para saírem da rotina. E Lana cresceu nesse ambiente.
        Pior que a “eterna velhice” dos pais, Lana de uns tempos para cá começou a sofrer bullying na escola. Sempre com roupas antigas e sem graça, a moça chamava a atenção das demais, que começaram a pegar no pé, a deixá-la de lado para que ela reparasse, para que se visse um pouco no espelho e ligasse mais para a sua aparência. O bullying sofrido por Lana nunca foi físico, mas a violência verbal era cruel.
        Lana se apaixonou por um rapaz de sua classe. Estavam quase para se formar do Ensino Médio e Thales era um garoto alto, moreno, boa conversa e super atencioso, tudo o que as garotas adoram em um rapaz e Lana também.
        Não se sabe como, mas as meninas da classe ficaram sabendo e o deboche sobre isso foi notícia na escola inteira.
        Lembro-me que Lana ficou tão chateada, que se aprofundou ainda mais na timidez e na vergonha de si mesma. Confesso que me arrependo de não tê-la ajudado, pois eu não fazia parte do grupo das meninas, era neutra, assistia a tudo sem interferir.
        Naquele ano, a escola toda resolveu fazer uma festa em comemoração ao Dia das Bruxas e todos deveriam levar um prato de doce ou salgado estar vestido a caráter para o baile.
        Lana andava mais esquisita do que nunca, e metida sempre na biblioteca pública do bairro, ao final do local, numa mesa cheia de livros.
        Faltando apenas um dia para o evento, não vi mais Lana na biblioteca, assim como também ela não apareceu na aula.
        - A feiona faltou, que milagre, pois ela vem mesmo doente! Debocharam as garotas.
        E a noite do baile chegou.
        A animação era tamanha. O colégio todo enfeitado e os alunos bem a caráter assustando uns aos outros. Tudo estava perfeito. Eu fiquei triste por não ver Lana por lá.
        Eram quase dez horas da noite e não estava calor; noite de lua cheia e com uma brisa que refrescava. De repente, vem se aproximando da escola uma mulher maravilhosa. Ela trajava um vestido justo negro, longo, que realçava as curvas perfeitas. Seus cabelos longos e sedosos eram de fazer inveja a qualquer uma. A moça estava de máscara e não se via o rosto. Trazia nas mãos uma cesta toda enfeitada com doces de diversos tipos.
       
Quando ela entrou no salão onde acontecia o baile e estavam os comes, todos acompanharam os seus passos e a doçura ao oferecer-lhes os doces.
        - Travessura ou gostosura? – E com as doces palavras pronunciadas por ela, que ao mesmo tempo estendia a cesta para que a pessoa pudesse servir-se, encantados, as pessoas foram pegando os doces, até que a cesta ficasse vazia.
        Eu estava sentada sozinha, e não consegui comer o doce oferecido por ela, pois passei da conta na bebida o que me embrulhou o estômago. Permaneci sentada e com a cabeça descansando sobre a mesa, não notei quando começou o alvoroço e as pessoas começaram a passar mal, com vômitos, fraqueza e mal estar.
        Ao me dar conta da gritaria, alguns estavam caídos por causa da tontura e a festa havia terminado. O baile resultou em quase todas as pessoas intoxicadas por chumbinho, veneno de rato e apenas uma colega faleceu, Luciene.
        A polícia não conseguiu encontrar quem fez aquilo e nem o motivo. Vários meses se passaram e o crime ficou sem solução. Muitos colegas ficaram doentes e a moça misteriosa nunca foi encontrada.  
        Lana passou de ano e nunca mais a vi nas proximidades da escola e tão pouco no bairro. A casa dela continuava a mesmice de sempre com os velhos pais, mas nem sinal de Lana, e os próprios colegas foram cada um tomando a sua vida ao normal.
        Depois de um ano o caso ainda estava inconclusivo pela polícia. E Jessica foi a única pessoa que não comeu os doces.
...
        Novamente o Dia das Bruxas chegou. Jessica chegou mais tarde em casa porque não conseguiu sair cedo do serviço. A casa estava em silêncio e a porta da rua não estava trancada. Quando ela chega à sala, os pais estavam caídos no chão.
A moça vê em cima da mesa de jantar, uma linda cesta de vime toda enfeitada, e dentro, junto com alguns doces que restaram um bilhete:

- Travessura ou gostosura? 

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