sábado, 23 de agosto de 2014

Olá amigos, um ótimo sábado a todos nós.
Este mês tem comemoração ao centenário de nascimento do brilhante escritor argentino Julio Cortázar, muito bom e merecido.
Também tem Dor, de Mariano da Rosa no Cantinho da Poesia.
Bem, por hoje é só e amanhã tem mais.  
Abraços,
Miriam

Centenário de Julio Cortázar

Julio Cortázar é considerado um dos autores mais inovadores e originais do seu tempo. Foi criador de uma nova forma de fazer novelas na América Latina, rompendo com moldes clássicos da literatura. "Rayuela", "Bestiário" e "Todos los fuegos el fuego" são algumas das suas obras mais conhecidas. 

Argentina celebra centenário com 
exposição sobre vida e obra

Fotografias, textos, música e até mesmo gravações com sua voz integram "Julio Cortázar 1914-2014", a exposição foi inaugurada ontem em Buenos Aires e que constitui um recorrido pela vida do autor argentino poucos dias antes que se completem 100 anos de seu nascimento.
Do material selecionado para a exposição, destacam-se as fotos do genial escritor argentino feitas por prestigiados fotógrafos como Sara Faccio, Manja Offerhaus, Alicia D'Amico e Dani Yako.
Além disso, os visitantes podem escutar a voz do autor de "O Jogo da Amarelinha" lendo fragmentos de seus textos intercalada com a música que ele amava, especialmente peças de jazz.
A exposição faz parte do Ano Cortázar 2014, organizada pelo governo argentino para homenagear o escritor por ocasião do centenário de seu nascimento em Bruxelas no dia 26 de agosto de 1914 e o 30º aniversário de sua morte, ocorrida em Paris em 12 de fevereiro de 1984.
Os atos comemorativos continuarão na próxima semana com múltiplas atividades, entre elas a realização das jornadas internacionais "Leituras e releituras de Julio Cortázar", nas quais mais de 40 escritores e acadêmicos analisarão seu legado literário.
O escritor argentino será homenageado também em outras duas mostras simultâneas, "Los otros cielos", no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires, e "Rompecortázar", no Palais de Glace, e em atividades organizadas em Banfield e Chivilcoy, os municípios da província de Buenos Aires onde residiu durante sua infância e juventude.

Rio de Janeiro celebra centenário

 

O Rio de Janeiro se uniu as comemorações do "Ano Cortázar", quando será lembrado o centenário do nascimento do escritor argentino Julio Cortázar (1914-1984), com uma série de eventos que se estenderá até o dia 27 deste mês.
Debates com amigos do autor de "O Jogo da Amarelinha", com a escritora brasileira Nélida Piñon, exibição de filmes inspirados em sua obra, mesas-redondas com tradutores, leituras de textos, exposição com fotografias inéditas e até um espetáculo de jazz fazem parte do "Todo Cortázar 100 anos - um só autor, muitas artes".
Debates estão previstas para 27 de agosto e abordarão as primeiras obras de Cortázar, com a discussão de contos e um romance inédito da década de 1950, além de sua relação com a Filosofia.
Antes de cada mesa-redonda haverá a exibição de filmes como "Mentiras piedosas" e "Jogo Subterrâneo", filme brasileiro inspirado em obras do escritor, além de leituras dramatizadas feitas pela atriz colombiana Carolina Virgüez. O ciclo será concluído com um espetáculo de jazz.

 

Livros de Cortázar ganham novas edições 


Para comemorar o centenário de nascimento de Julio Cortázar, a Civilização Brasileira lança A Fascinação das Palavras – Conversas Com Julio Cortázar, do uruguaio Omar Prego Gadea. Publicado em 1991 pela José Olympio com o título ligeiramente diferente – O Fascínio das Palavras –, o livro estava esgotado. A infância, a militância política, o jazz e a literatura são alguns dos assuntos discutidos pelos dois autores.
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Dor


Falo. E a Palavra é a Sombra do meu Ego
Que em busca de uma identidade peregrina
Sob os restos da árida Realidade,
Não tendo outra imagística senão o Mito
Do Corpo da Ilusão – Coração da História!

Mas há uma ruptura que a Razão não cura,
Um abísmico vão que tudo subestima,
Um Precipício de Prazer – Rio de Angústia
Que no Oceano da Dúvida desemboca,
Insípido tornando o meu destino: Eu.

Falo. E a Palavra é o Oráculo da Alma!
Adivinha o choro que agoniza nas vísceras,
Inacabado - tanto quanto o obtuso riso
Que dissimula a Silhueta da Desgraça,
Do Arbítrio nu ao Desejo oculto – a Alquimia!

E a Palavra escapa como o pólen das flores,
Catártica, embora imperceptível... Protesto:
Desabafo – penitente vômito, ou Súplica –
Mendicante espera?! Ó Excesso de Ausência
Do Embrião de Existência chamado Infinito!!!

E a Palavra foge como um pássaro cego
Diante da predatória fome de “Chronos”...
Ao encontro de um ninho ávido de Vida,
Mesmo o improviso de um Silêncio todo Teia!
De um Vazio todo Teu! De um “Nós” todo Meu!

Falo. Neste momento sou Dor. E mais Nada!

Texto integrante do título Quase Sagrado, Politikón Zôon Publicações, São Paulo, Brasil (p. 93-94):

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