terça-feira, 26 de agosto de 2014

Muito bom dia a todos vocês meus amigos.
Que tal uma das muitas crônicas maravilhosas de Rubem Braga para começarmos bem a terça?
Então disponibilizo O Pavão.
Foi difícil a escolha, e espero que gostem.
Abraços,
Miriam

Crônica O Pavão
Rubem Braga

Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico. 

Nenhum comentário: