sábado, 26 de abril de 2014

Amigos, tenham um excelente sábado e aproveitem ao máximo.
Para quem gosta de evento cultural, a Pinacoteca Benedicto Calixto abriga hoje sarau em homenagem ao poeta Vicente de Carvalho, que foi uma personalidade pública muito importante para a Cidade de Santos. Saiba mais sobre ele e suas poesias.
Abraços,
Miriam

Sarau sobre Vicente de Carvalho

Hoje, às 17 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, acontece sarau em homenagem ao poeta Vicente de Carvalho, com interpretações de poesias e músicas por Regina Alonso, Alice Mesquita e pianista Tarso Ramos.
Com entrada franca a pinacoteca fica na Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos.

Vicente de Carvalho

Nascido em Santos, Vicente de Carvalho publicou seu primeiro livro de poesias, Ardentias, em 1885. Formou-se bacharel na Faculdade de Direito de São Paulo SP. Participou na Boemia Abolicionista, encaminhando escravos fugitivos para o Quilombo Jabaquara.
Candidatou-se a deputado provincial no Congresso Republicano, em 1887, em São Paulo. Foi redator do Diário de Santos, e fundou o Diário da Manhã em Santos. Tornou-se deputado no Congresso Constituinte do Estado em 1891, participando então na Comissão Redatora da Constituinte.
Membro da Academia Brasileira de Letras em 1909, no período de 1914 a 1920 foi Ministro do Tribunal de Justiça do Estado, em Santos. Em 1924 publicou Luizinha, comédia em dois atos. 

Obra poética:

Ardentias (1885), Relicário (1888), Rosa, Rosa de Amor (1902), Poemas e Canções (1908), Verso e Prosa (1909), Páginas Soltas (1911) e Versos da Mocidade (1912). É considerado um dos principais nomes da poesia parnasiana brasileira. 

Poesias:
A Flor e a Fonte

"Deixa-me, fonte!" Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.
"Deixa-me, deixa-me, fonte!
" Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte...
"Não me leves para o mar".
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!...
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava levando a flor.
"Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr do sol;
"Carícia das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!...
" As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...

No teu aniversário

No lar cercam-te vozes d´alegria
em bando, em nuvens doiro, mariposas
que o teu olhar atrai. Canções e rosas
sob os teus pés desfolham-se à porfia.

A noite, alva corbelha de mimosas
sobre ti volta o arcanjo da poesia.
Nublam-te o sono as ondas vaporosas
do turib´lo do amor, como de dia.

Vives feliz no angélico ambiente
de fortuna, feliz. Mas considera,
que em um pobre, misérrimo, eu doente,

eu vibraria a lira, se pudera
vibrar a lira frágil e inocente
a bruta e hedionda garra duma fera
.

Saudade
Belos amores perdidos,
Muito fiz eu com perder-vos;
Deixar-vos, sim: esquecer-vos
Fôra de mais, não o fiz.

Tudo se arranca do seio,
— Amor, dezejo, esperança...
Só não se arranca a lembrança
De quando se foi feliz.

Rozeira cheia de rozas,
Rozeira cheia de espinhos,
Que eu deixei pelos caminhos,
Aberta em flor, e aprti:

Por me não perder, perdi-te;
Mas mal posso assegurar-me
— Com te perder e ganhar-me
Si ganhei, ou si perdi...

Parnasianismo

O poeta Vicente de Carvalho foi um dos representantes do Parnasianismo no Brasil.
O Parnasianismo foi um movimento literário que surgiu na França, na metade do século XIX e se desenvolveu na literatura europeia, chegando ao Brasil. Esta escola literária foi uma oposição ao romantismo, pois representou a valorização da ciência e do positivismo
O nome parnasianismo surgiu na França e deriva do termo "Parnaso", que na mitologia grega era o monte do deus Apólo e das musas da poesia. Na França, os poetas parnasianos que mais se destacaram foram: Théophile Gautier, Leconte de Lisle, Théodore de Banville e José Maria de Heredia.
No Brasil, o parnasianismo chegou na segunda metade do século XIX e teve força até o movimento modernista (Semana de Arte Moderna de 1922). 

Principais representantes do parnasianismo brasileiro

- Alberto de Oliveira. Obras principais: Meridionais (1884), Versos e Rimas (1895), Poesias (1900), Céu, Terra e Mar (1914), O Culto da Forma na Poesia Brasileira (1916).
- Raimundo Correia. Obras principais: Primeiros Sonhos (1879), Sinfonias(1883), Versos e Versões(1887), Aleluias(1891), Poesias(1898).
- Olavo Bilac. Obras principais: Poesias (1888), Crônicas e novelas (1894), Crítica e fantasia (1904), Conferências literárias (1906), Dicionário de rimas (1913), Tratado de versificação (1910), Ironia e piedade, crônicas (1916), Tarde (1919).
- Francisca Júlia. Obras principais: Mármores (1895), Livro da Infância (1899), Esfínges (1903), Alma Infantil (1912).
- Vicente de Carvalho. Obras principais: Ardentias (1885), Relicário (1888), Rosa, rosa de amor (1902), Poemas e canções, (1908), Versos da mocidade (1909), Páginas soltas (1911), A voz dos sinos, (1916).

Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia formaram a chamada "Tríade Parnasiana".

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