sábado, 22 de fevereiro de 2014

Olá! Tenha um sábado excelente e divirta-se.
Hoje tenho duas dicas culturais interessantes: apresentação literomusical sobre o grande poeta brasileiro Manuel Bandeira, que foi um dos principais nomes da chamada “Semana de 22”, que ocorreu na cidade de São Paulo, em 1922, e também a peça Reclame, uma História de Amor, com apresentação gratuita.
Grande abraço,

Miriam

Manuel Bandeira
Apresentação literomusical no Sesc Santos

Neste sábado, às 18 horas, no Sesc Santos, tem passeio literomusical pelo universo poético de Manuel Bandeira, com Nando Luz.
Poemas clássicos como “Vou-me embora pra Pasárgada”, “Teu Nome”, “Estrela da Manhã” e “Velha Chácara” ganham versões musicadas em gêneros diversos, do blues ao pop, passando por ritmos nordestinos.
O espetáculo existe há mais de dez anos. Em 2001, após ser convidado para compor a trilha sonora da peça “Dá o Ritmo, Manuel”, em que musicou 12 poemas do autor, Nando criou o “Acenando com Bandeira”, com uma proposta semelhante, pois a ideia do espetáculo é apresentar a poesia de Bandeira para a época contemporânea.
Natural da cidade de Itororó, na Bahia, Nando Luz é um cantor e compositor que transita com facilidade por diferentes gêneros musicais, como pop, MPB, blues, reggae e rock. Ele já compôs trilhas sonoras para peças teatrais e espetáculos infantis e já dividiu palco com personalidades como Lô Borges, Flavio Venturini, Vânia Bastos, Nando Reis e Toni Garrido, entre outros. 
O Sesc fica na Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida Santos.
Informações: Telefone: (13) 3278-9800

Manuel Bandeira
O escritor Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho foi um dos principais nomes da chamada “Semana de 22”, a “Semana de Arte Moderna”, que ocorreu na cidade de São Paulo de 13 a 17 de fevereiro de 1922.
Precursor do Modernismo, Manuel Bandeira escreveu 14 livros durante sua carreira. Seus poemas já ganharam releituras nas vozes de grandes nomes da música brasileira, entre eles Caetano Veloso e Adriana Calcanhoto. 
Poeta, tradutor e crítico literário, Manuel Bandeira foi o mais lírico dos poetas brasileiros. A temática cotidiana e a melancolia, associada a um sentimento de angústia, permeou toda sua obra. Soube, como nenhum outro poeta, contrapor o provincianismo modernista com o universalismo da poesia. Divide com Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto o título de maior poeta brasileiro pós-1940. 

Poemas de Manuel Bandeira

Vou-me Embora pra Pasárgada

 

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolhere

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Andorinha


Andorinha lá fora está dizendo:

— “Passei o dia à toa, à toa!”


Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa…


O Último Poema

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
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Reclame, uma História de Amor
Hoje, às 17h, na Pinacoteca Benedicto Calixto

Reclame, uma História de Amor, da Cia Teatral Cenicomania, revisita as várias gerações e as mais criativas produções da propaganda nacional e é uma homenagem aos artistas e comunicadores.
O espetáculo acontece neste sábado, às 17 horas, com entrada franca na Pinacoteca Benedicto Calixto, que fica na Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos, retirar ingressos meia hora antes do espetáculo.
Informações: Telefones: (13) 3226-8000 / 3288-2857

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