sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Olá, até que enfim hoje é sexta-feira e 13!!
Para brindar essa fatídica data, deixo o conto “Quase sexta-feira 13”, espero que vocês gostem.
Tenham um bom dia e até amanhã.
Abraços,
Miriam 

Conto
Quase sexta-feira 13

Virginia olhou no relógio de casa - um antigo modelo do século XIX, aqueles que anunciam as horas com badaladas à hora cheia -, que avisava que eram 11 horas da noite.
A relíquia da família deixou a moça atordoada, pois logo viria a meia-noite de sexta-feira, que para ela não seria um dia comum, era a última sexta-feira 13 do ano.
A jovem lembrou-se então da última que ocorreu, e daquele mau agouro que a atormentava desde a adolescência. Cheia de crendices, pois Virginia acreditava em mau pressentimento ou mau sinal e carregava em sua bolsa patuás, pé de coelho e vários objetos que afugentam infortúnios.
Andando de um lado ao outro, ela conseguiu deixar a mãe nervosa.
— O que você tem? — Questionou a mãe.
— É que amanhã é sexta-feira 13 e...
— Não me venha com essa bobagem novamente, interrompeu a mãe, uma pessoa cética. — Vá dormir que já é tarde e pare com isso, retrucou.
— Acho que ela tem razão, eu sou muito influenciável e fico colocando bobagens na cabeça. E Virginia atendeu às ordens.
A moça deitou-se e logo pegou no sono.
Um estrondo a fez acordar assustada. Pulou da cama rapidamente e viu que chovia muito lá fora. A janela do quarto estava aberta e o barulho foi proveniente de um raio. A moça fechou a janela. Tudo isso já foi motivo para deixar Virginia assustada.
— Vou tomar um copo d´água com açúcar para me acalmar, pensou a jovem. Bem, minha vó diz sempre que resolve, pensava Virginia.
Antes de descer até a cozinha, Virginia tentou acender as luzes, mas o terrível estrondo atingiu algum transformador de luz da rua, que estava inteira na escuridão.
Um nó formou-se na garganta de Virginia, que engoliu em seco. As mãos da moça começaram a suar, assim como a testa.
— Vou descer bem devagar os degraus, pois preciso beber água de qualquer jeito, pensava a moça.
E Virginia foi descendo lentamente pelo corredor. A cada degrau, o coração batia forte; era uma sensação horripilante de pânico, mas ela tinha que enfrentar tudo aquilo, afinal já não era mais uma garotinha apavorada, estava com 25 anos.
E Virginia foi caminhando devagar e chegou a sala. Da janela, pode constatar que toda a rua estava à penumbra, à sombra da escuridão e refém dos seres que habitam o lado negro. Esse era o pensamento da jovem, coisas terríveis que uma mente apavorada pode traduzir.
— Bobagem minha ficar pensando nessas coisas, vou pegar água que ganho mais, retrucou para si mesma Virginia.
Respirou fundo e foi em direção da cozinha.
Ao passar pelo corredor, o badalo do relógio começou anunciar que já era meia-noite, e mais uma vez, a lembrança da sexta-feira 13!
Ela então correu para a cozinha, iria beber água e retornar ao quarto.
Ao chegar a pia, Virginia viu um vulto passar rapidamente pelo lado de fora da janela.
Com o susto, a moça deixou o copo cair dentro da pia. Ela tremia da cabeça aos pés. Paralisada de medo, ela tinha que sair dali de qualquer maneira.
E Virginia tentou caminhar o mais rápido que pode. Nisso, quando estava já no corredor, ela ouviu um barulho na cozinha e depois passos que se arrastavam para fora dela. Já sem fôlego e com o coração à mão, Virginia virou lentamente e o mesmo vulto, estava agora dentro de sua casa.
Ela tentou gritar, mas a voz não saia. Virou-se, reanimou-se e começou a subir os degraus, conseguindo chegar até a porta do seu quarto.
— Isso não pode estar acontecendo comigo! Suplicou para si mesma.
Tremendo, Virginia foi perdendo os sentidos e se jogou na cama. Puxou o lençol até cobrir-se por inteira.
Quando estava já se recuperando, ela escuta passos em seu quarto e isso a fez delirar de medo. Com um impulso e forças que ela tirou sabe-se lá de onde, Virginia levantou-se rapidamente da cama e partiu para a maçaneta da porta. Nisso, algo segurou muito firme seu braço. Ela não teve coragem de ver o que era, se debatendo, sua voz retornou e ela começou a gritar...
...
— Meu amor, se acalma, falava a mãe abraçando Virginia, que estava desfigurada e pingando de suor da cabeça aos pés.
Virginia então abriu os olhos e estava nos braços da mãe.
— Você estava tendo um pesadelo e gritou muito, até me acordou, falou a mãe.
Aos poucos ela foi entendendo o que se passava e se recuperando de tudo aquilo.
— Vou dormir aqui com você, disse a mãe, preocupada com o estado da filha.
Amanheceu e Virginia sentia-se bem. A mãe já havia se levantado e preparava o café.
— Ufa, tudo não passou de um sonho! Respirou aliviada.
Ao terminar de se arrumar, Virginia foi até o espelho do banheiro para se pentear. Ao olhar fixamente para o seu reflexo no espelho, ela deixou o pente cair de suas mãos.

Boquiaberta, viu que seu braço estava arranhado e com um hematoma, como se fosse marcas de mão.  
Nisso a mãe entra no banheiro e Virginia começa a mostrar o braço e a falar do que havia acontecido.

Meu Deus, pensou a mãe, ela continua com esses delírios sempre na sexta-feira 13, a lembrança do pai ter desaparecido nesta data a persegue sempre.  

Um comentário:

Maria Bernadete disse...

Miriam, eu adorei esse conto, ele é surpreendente. Riquíssimo em detalhes, gostei demais. Sem falar que Virginia é o nome de minha mãe. Parabéns, você está cada dia melhor.Um beijo...Bernadete.