terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Olá amigos. Último dia do ano! Nossa, quanta coisa aconteceu e realizamos durante os 365 dias, não é mesmo?
Finalizo 2013 com mais uma história “Caminho”, que trás esperança para Lenita.
Bem, espero que gostem do conto.
Tenham uma passagem maravilhosa e um Feliz Ano-novo!
Desejo tudo de bom a todos vocês, e que sejamos abençoados no ano vindouro.
Grande abraço,
Miriam

Conto
Caminho

Pessoas rabugentas estão em todas as partes do mundo, assim como os avarentos, estes são os piores, pois alteram a balança do universo, ou melhor, o pêndulo de sustentação, que faz com que o planeta consiga balancear suas energias de si próprio como de todos os seres que aqui habitam, sendo o Homem o único que causa transtornos a essa balança.
       
A rabugenta que conheci era uma senhora que vivia sozinha, era viúva, ela morava em um prédio pequeno e sem nenhum conforto, não que isso fosse um problema para ela, mas no fundo, também era alvo de suas reclamações.
No edifício, era conhecida também como “a mulher das lamentações”, porque nada estava bom e sempre tinha alguma coisa a se queixar.
Mesmo com esse temperamento, Helena, ou Lenita - nome escolhido por sua mãe, leitora do escritor Júlio Ribeiro e o nome foi do romance A Carne - tinha amigos já não eram muitos como no passado, mas ainda restavam alguns que gostavam dela; acho que sentiam pena.
        — Lenita querida, o que fará nas festas de final de ano? — Ligou Fátima, para convidá-la a ficar em sua casa.
— Amiga, agradeço por seu convite, mas passarei o Natal e o Ano-Novo aqui mesmo.
        A amiga entendeu que ela não queria ver ninguém, bem, todos os anos era a mesma coisa e há anos Lenita ficava em casa sozinha, reclamando da vida, desperdiçando o tempo precioso em vão.
        Naquela noite de Natal, após a Missa do Galo Helena foi dormir. O relógio do criado-muda marcava 2 da manhã, horário em que levantava todas as noites para beber água. A vida dela era uma rotina até mesmo na hora do descanso.
        — Preciso beber água, falava a mulher, mas em tom de reclamação, e mesmo assim foi até a cozinha. Quando retornava para o quarto, Lenita teve uma surpresa inesperada.
        — O que está acontecendo? — Indagou a mulher, que se encostou no corredor de acesso, ao se deparar com três portas diante de si.
        Ela esfregou os olhos e ficou parada, sem reação alguma, pois o apartamento tinha dois quartos e agora diante dela estavam as três portas.
        — Meu Deus, isso só pode ser sonho! — Lenita voltou para a cozinha e ficou lá por alguns minutos, sem saber o que fazer. Ela sabia que teria que retornar ao quarto e assim o fez.
        A mulher saiu da cozinha e parou imóvel, olhando para as portas. Um desespero tomou conta de seu ser e ela não tinha a quem recorrer, teria que sozinha, fazer a escolha certa, assim como muitas que fizera durante toda a sua vida.
        Respirou fundo e deu os primeiros passos, ela abriria a porta do meio, sim, essa seria a entrada de seu quarto. E assim o fez girando a maçaneta até que a porta se abrisse. Ao entrar no quarto, a porta se fechou. Helena correu e tentou abri-la, em vão.
        Lenita fechou os olhos e ficou de costas para o quarto, parada e sem nenhuma atitude. Lentamente ela foi se virando de tal maneira, que se machucou na maçaneta, pois o corpo estava “colado” a porta. Lentamente a mulher foi tomando fôlego e coragem e abrindo os olhos.
        Sem estrutura emocional, Lenita foi escorregando ao chão, pois não acreditava no que via. No entanto, levantou-se rapidamente e girou a maçaneta várias vezes, batendo na porta e pedindo socorro. Ninguém iria em sua ajuda, ela teria de encarar o que viesse pela frente.
        E Lenita ficou observando o que se passava, sem compreender. O quarto não era o dela, e estava no meio do nada, e adiante, um caminho a percorrer.
        A mulher, mesmo sem forças, tinha de enfrentar aquele desafio.
      — Meu Deus, eu te suplico, porque tudo isso está acontecendo comigo? — O que o Senhor quer de mim? E sem resposta alguma, a mulher enxugou as lágrimas e se preparou para a caminhada.
        Ela se desgrudou da porta e foi andando devagar. Estava escuro e o estreito caminho com pouca iluminação. A mulher deu mais uns passos e ao olhar para trás, a porta estava tão longe que mal ela podia ver. — Como isso é possível? Indagava, eu nem desgrudei direito da porta e ela está quase desaparecendo! E uma voz interior silenciou seus pensamentos, para que ela pudesse relaxar a cada passo.
   No caminho, juntaram-se mais três mulheres com ela e todas prosseguiram lentamente para algum destino. Mais adiante, o lugar ficou mais claro e Lenita observou as mulheres, que falaram com ela. A mais nova era cheia de vida, falante, risonha, linda e feliz. Já a mulher balzaquiana tinha uma fisionomia ranzinza, não falava muito e as poucas palavras eram para reclamar de alguma coisa. Ao olhar para a terceira, esta era uma senhora de cabelos brancos, pálida, magra, sem vida e sem forças até para falar, ela apenas olhava e caminhava; sua expressão era de tristeza. Lenita se arrepiou por inteiro, mas todas continuaram a caminhada.
   A mulher mais jovem percorria cantando, uma melodia alegre e saudável. Helena tentou conversar com ela, mas recebeu um cutucão e um sinal de não da mulher balzaquiana.
        A cada passo, o caminho tornava-se diferente. De totalmente escuro, o percurso ficara mais bonito com lindas árvores e pássaros aos galhos. O caminho cortava uma cidade. Pessoas acenavam para a mulher mais nova e mandavam beijos, eram seus amigos e parentes. Todos tinham suas vidas e a cidade também, e nada interferia no caminho. Era como se elas estivessem dentro de um brinquedo, aqueles montáveis com trilho de trem e cidade ao redor. A sensação era essa.
        Ao olhar para trás, a porta do quarto desaparecera e Lenita não mais conseguiu ver sua casa. Isso a deixara apreensiva, pois viu que o caminho estava chegando ao fim e se aproximavam de uma casa grande, bonita e com a natureza ao redor.
       
As quatro mulheres se aproximaram dessa casa e a porta da rua já estava aberta. Entraram e o local não tinha móveis, nem quadros, apenas paredes brancas e muito limpas. O chão era a continuação do caminho, que as levou até uma imensa sala. Lá aguardavam algumas pessoas, uma delas olhou para as mulheres e falou que todos passariam por uma entrevista e que teriam de aguardar em silêncio, e assim elas sentaram e esperaram a vez.
        Lenita viu uma mesa e cadeiras e um homem se aproximou. Era um senhor de bengala, chapéu e muito bem vestido. Era magro, com cabelos grisalhos e sem barba.
     Durante o tempo de espera, Lenita absorveu-se em seus pensamentos e nem percebeu que não havia mais ninguém, apenas as quatro.
        O senhor fez sinal e pediu para que todas fossem até ele.
As mulheres sentaram e o homem pediu para que a mais jovem contasse a sua vida.
        Ela era brilhante, cheia de ideias, vigorosa e amante do viver. Na infância e na adolescência, também tivera momentos de tristeza, de incompreensão porque ela tinha um espírito livre e aventureiro. Fizera muita coisa na juventude e ela preservava, acima de tudo, a sua liberdade. Porém, casou-se e teve um filho e a vida para ela foi se modificando e tornando-se rotineira e chata.
        — Ela teve um filho! Admirou-se Helena, pensando no seu que não o via há alguns anos, após uma briga quando ambos pararam de se falar. E Lenita começou a chorar de saudades, não percebendo que a jovem terminara sua conversa. O senhor nada falou apenas fez sinal para a mulher de meia-idade.
        E assim, esta também contou sobre seus acontecimentos. De quando rompeu com o único filho e não mais foi procurá-lo, motivo de tristeza do marido, que faleceu com essa mágoa. Das reclamações de tudo na vida, de morar em um lugar que não gostava, e por aí foi a lista de insatisfações e das coisas mesquinhas, entre uma infinidade de fatos desagradáveis.
       O senhor fez com que a mulher terminasse e também nada falou a respeito de tudo o que ouviu, apenas fez um sinal de que havia terminado as entrevistas.
        — Mas como? A senhora e eu, não falaremos? — Questionou Lenita.
     — Acho que você não entendeu ainda o porquê está aqui. — Respondeu o senhor. E com um estalo de dedos, as três mulheres ficaram com a fisionomia de apenas uma, de Lenita. — Será que agora você compreende? — Disse-lhe o velhote.
        — Lenita estava boquiaberta e gaguejou ao falar. Eu tinha suspeitas, pois as histórias de vida se pareciam com a minha. Bem, sendo assim, faltou a velhota. Eu queria saber sobre...
       — Psiu, fez o senhor, balançando a cabeça um não e com o dedo na boca, sinal para que ela ficasse quieta. Digo-lhe que até agora você ainda não compreendeu. — Falou já sem paciência o homem. — Você com esse temperamento arruinou muito de sua vida.
        — Então, gritou Lenita, querendo saber sobre o futuro. O que tem a se explicar a senhora?
   
    — Nada, disse-lhe o velhote, comandante do karma humano e conhecedor de toda a verdade da humanidade. A senhora é o seu futuro, e ela está aqui para que você veja como será o seu fim, caso você não modifique o seu presente. Olhe bem para ela e reveja se você quer terminar os seus dias na terra desta forma porque ainda há tempo de mudanças, respondeu o homem. Sempre a esperança é apresentada ao ser humano. O caminho certo de sua vida é você quem o faz, finalizou o senhor.
        Lenita virou-se para a senhora, que estava com a aparência de mais sofrimento e pior do que antes durante a caminhada e se espantou.
        Depois disso, o homem pediu que todas se retirassem, pois o tempo se esgotara e elas deveriam voltar.
        No caminho, as quatro voltaram juntas, mas na metade, a jovem se despediu e depois a balzaquiana. Lenita terminou somente com a velhota. Antes de chegar à porta de seu quarto, a senhora fez um sinal para que ela refletisse e acenou um adeus.
...
        Ainda era muito cedo quando Lenita acordou toda suada e sentindo-se exausta. Permaneceu na cama sem forças e ficou refletindo sobre tudo o que passara durante a madrugada.
        Num estalo, saiu da cama e tomou um banho. Comeu alguma coisa rapidamente, pois tinha pressa; sabia que não podia desperdiçar mais o seu tempo.
        Era dia 31 de dezembro. Lenita chamou um táxi e foi até a casa do filho. Essa era a sua prioridade.
        As outras coisas, sim, ela corrigiria ainda no ano vindouro.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Olá amigos. Hoje deixo aqui uma dica de cinema, um filme nacional do professor da USP Luiz Dantas que venceu o FestAruanda, em João Pessoa.
Espero que gostem.
Abraços,
Miriam

Filme Se Deus vier que Venha Armado vence FestAruanda

“Se Deus vier que Venha Armado”, do diretor e também professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, Luiz Dantas, conta com o patrocínio da Sabesp por meio do Programa de Fomento ao Cinema Paulista. No último dia 19, em João Pessoa, conquistou três categorias no FestAruanda, Festival do Audiovisual Brasileiro, realizado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
A produção é a estreia do diretor em longametragens e levou, de uma só vez, o título de melhor filme, melhor fotografia, melhor direção e menção honrosa especial direcionada ao ator Ariclenes Barroso.
O FestAruanda é um dos festivais mais reconhecidos em João Pessoa e tem como objetivo fomentar, reconhecer e contemplar novos talentos na área do audiovisual brasileiro.
“Se Deus Vier Que Venha Armado” conta a história de Damião, um presidiário que consegue sair da cadeia para o dia das mães, mas tem também uma tarefa a cumprir com o crime organizado. Paralelamente, conhecemos a história de um policial militar, que logo em seu primeiro dia de trabalho presencia a brutalidade de seus companheiros de trabalho. Ambientado na cidade de São Paulo, é com o choque destes dois personagens que o diretor Luis Dantas aborda temas como violência, vingança e preconceito.
“É um clima de vingança dos dois lados. As histórias desses dois se cruzam e isso tem consequências trágicas. O interessante é que contamos a trama pelo ponto de vista de cada personagem. Não tem o cara que é o bom e o outro que é mau”, acrescenta Dantas.

Veja o trailler, assista o filme:


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Bom dia amigos. Já está disponível o segundo e-book do escritor Ademir Pascale, Laila e os Caçadores de Demônios, veja como baixar.
Espero que gostem.
Abraços,
Miriam

Laila e os Caçadores de Demônios

Já está disponível para download "Laila e os Caçadores de Demônios" (capa e diagramação por Marcelo Bighetti), segundo e-book da série Caçadores de Demônios, acesse e faça o download gratuitamente (ePub, PDf ou mobi):

http://www.fantastiverso.com.br/cacadores.html



Comentário de Ronize Aline sobre 
o primeiro e-book da série:
“Uma caçada aos demônios. Uma eterna luta de vida e morte. Uma história como tantas outras, mas nem tanto. Antonio Spadoni e os caçadores de demônios é um mergulho impactante e sem volta num mundo que nem imaginamos existir. Envolvimento descritivo, cenas de ação com requinte narrativo, seres demoníacos – elementos que só poderiam existir na ficção de uma história de Fantasia. Ou não?” Ronize Aline é escritora, jornalista e professora universitária, colunista e crítica literária do O Globo http://oglobo.globo.com

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Olá meus amigos, hoje é dia de Natal, das comemorações do nascimento de Cristo, embora o dia ninguém saiba ao certo e esta data tenha sido escolhida, mas deixando tudo isso de lado, hoje é dia de reflexão e de esperança de um mundo melhor.
Para comemorar, nada melhor do que poesias natalinas. Espero que gostem.
Abraços
Miriam

Estrelinha de Natal
Narcélio Lima

Caia do céu estrelinha
Caia aqui no meu quintal
Seja minha companhia
Nesta noite de Natal
Caia logo estrelinha
Estrelinha aí do céu
Nos convide com magia
Para ver Papai Noel
E depois, minha estrelinha,
Ilumine os olhos meus
Traga toda alegria
Pra noite do menino Deus.

Poesia de Natal
Fernando Pessoa

Natal... Na província neva. Nos lares aconchegados, 
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo, 
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!


Jesus nasceu, é Natal
Marcos Brasileiro

Na Cidade de Davi, vos nasceu
Hoje o Salvador,
Que é Cristo - o nosso Senhor.
Essa é a maior
Esperança que o mundo recebeu,
O melhor presente de Deus.

Em uma humilde manjedoura,
De uma palavra fiel e mantedora,
Um menino Deus,
Sua história na humanidade escreveu.
Jesus veio à terra,
Vencer todo preconceito e guerra.

Um ser humano divino,
Que veio libertar nosso destino.
Veio cumprir o propósito da salvação,
Predito por Ele antes da Criação,
Onde Deus já havia escolhido
O seu ungido.
Por causa do seu amor por nós,
Podemos ouvir a sua voz,
De sermos filhos de Deus
Por tudo que Ele naquela cruz padeceu.
Por meio de Jesus Cristo,
A vontade de Deus, tudo previsto.

E nessa maravilhosa graça
Que Ele nos deu
A vida se alegra por ser um Deus presente.


Feliz Natal a todos vocês e que seus sonhos se realizem.
Divirtam-se e façam a diferença. Desejo a todos tudo de bom.
Abraços,

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Bom dia meus amigos, uma ótima terça-feira a todos.
Hoje é véspera de Natal, que todos os seus sonhos se realizem e que a esperança e a fraternidade caminhem lado a lado em suas vidas.
O amigo jornalista André Azenha está promovendo a Mostra Cine Brasil Cidadania, que começa em janeiro. Achei muito bom e compartilho com vocês essa divulgação.
Abraços
Miriam

Mostra Cine Brasil Cidadania

A partir de janeiro, a cidade de Santos passará a contar com um projeto que visa exibir, promover e discutir longas do cinema nacional especificamente, sempre com a presença dos cineastas. Trata-se da Mostra Cine Brasil Cidadania, que ocorrerá três quintas-feiras seguidas, dias 9, 16 e 23, sempre 19h30, com entrada franca, na sala 1 do Sesc Santos.
O projeto, idealizado pelo jornalista e crítico André Azenha, é realizado pelo CineZen em parceria com o Sesc, e exibirá os filmes “Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano”, primeira coprodução Brasil-Índia, de Beatriz Seigner, dia 9; “Encontros, Sonhos e Realizações”, que terá sua première no evento, de Eliza Capai (dia 16); e o premiado “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”, de Andrea Pasquini (dia 23).
Desta forma, o público poderá saber mais sobre a produção nacional contemporânea que nem sempre chega ao circuito comercial da região, aproxima a relação entre essas pessoas e cineastas brasileiros. Com três filmes dirigidos por mulheres – Beatriz, Eliza e Andrea, a Mostra também traça uma tendência do cinema do país, cada vez mais pontuado por realizadoras talentosas e engajadas, que concebem filmes relevantes, de conteúdo, e sensíveis, capazes e emocionar as pessoas, independente do sexo, da classe social etc.
“Um dos objetivos é propiciar a reflexão e a interação entre cineastas e público da região sobre longas do cinema nacional: despertando a plateia para a riqueza por trás do nosso cinema, as dificuldades encontradas, os diferentes olhares no ‘’fazer cinematográfico’’ que fala da cidadania, o lado autoral do cinema que remete ao Neorrealismo italiano, ao Cinema Novo, porém com o olhar contemporâneo”, explica o jornalista e crítico de cinema, André Azenha.
Além disso, os mediadores desses bate-papos que ocorrerão depois de cada sessão serão profissionais de audiovisual de Santos: respectivamente Alyson Montrezol, cineasta e professor; Waldemar Lopes, cinéfilo, artista plástico; e Raquel Pellegrini, cineasta e professora. “Ou seja, haverá uma troca de ideias, um intercâmbio entre profissionais daqui e de fora”, detalha Azenha.

Programação:
09/01 – 19h30
“Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano” 
(2010), seguido de bate-papo com a diretora Beatriz Seigner; mediação de Alyson Montrezol
Duração do filme: 83 minutos. 
Sinopse: Três atrizes brasileiras decidem tentar a sorte em Bollywood, indústria cinematográfica da Índia, mas uma vez inseridas no coração da cultura e mitologia indiana, seus sonhos se modificam no contraste entre o oriente e o ocidente, o ancestral e o novo, entre os valores individuais e coletivos. 
Aventura / Comédia. 
OBS.: Primeira coprodução entre Brasil e Índia. O filme não teve exibição no circuito, em Santos.
Beatriz Seigner é diretora, produtora e roteirista, responsável pela primeira coprodução Brasil-Índia.

16/01 – 19h30 
“Encontros, Sonhos e Realizações”

(2012), seguido de bate-papo com a diretora Eliza Capai; mediação de Waldemar Lopes
Duração do filme: 52 minutos
Sinopse: O programa Guerreiros Sem Armas, que deu origem ao filme, é uma formação vivencial de jovens em liderança e empreendedorismo social e já recebeu cerca de 343 participantes de 32 países, que são treinados em tecnologias para transformação de realidades em qualquer lugar do mundo.  Dirigido por Eliza Capai e Patrick Vanier. 

OBS.: Filme inédito em Santos. O lançamento ocorre justamente durante a realização do Guerreiros 
Sem Armas 2014.

23/01 – 19h30 
“Os Melhores Anos de Nossas Vidas” 
(2003), seguido de bate-papo com a diretora Andrea Pasquini; mediação de Raquel Pellegrini
Duração do filme: 65 minutos. 
Sinopse: Por meio de depoimentos, remonta a vida no Sanatório Santo Ângelo, em Mogi das Cruzes, SP. São diversas memórias de pessoas que enfrentaram o isolamento por causa do preconceito. O filme não teve exibição no circuito, em Santos. Recebeu diversos prêmios, inclusive no É Tudo Verdade, principal festival de documentários do país.

O Sesc Santos fica na rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, Santos.
Telefone: (13) 3278-9800 

domingo, 22 de dezembro de 2013

Bom domingo a todos

Bom dia meus amigos, que o domingo continue maravilhoso para todos nós.
Começou ontem o XV Sarau Virtual do Grupo Caixa de Poemas de Manoel Hélio, evento online que apresenta diversos trabalhos, como fotos, poesias, contos etc, com apoio da rádio web MROCK. Vale a pena conhecer.
Hoje tem Natal Iluminado, apresentação da Orquestra Sinfônica de Santos, entrada gratuita. Espero que gostem das dicas.
Abraços
Miriam

XV Sarau Virtual do 
Grupo Caixa de Poemas

O Sarau Virtual começou às 19 horas de ontem e só terminará às 8 horas de amanhã.
É um evento muito legal que conta com poemas, fotos, entre outros de diversos participantes.  
O XV Sarau Virtual do Grupo Caixa de Poemas tem como objetivo principal apresentar diversos trabalhos (poemas, crônicas, contos, romances, vídeos, fotografias, músicas, sites, lançamentos literários e eventos variados).
A proposta é comentar, curtir e compartilhar o trabalho de cada um.
O XV Sarau Virtual do Grupo Caixa de Poemas tem o apoio da rádio web MROCKwww.mrock.vai.la !!!

Participe do evento, acesse:

Alguns trabalhos:






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Hoje tem apresentação da Orquestra Sinfônica de Santos 

A Orquestra Sinfônica Municipal de Santos (OSMS), com regência de José Consani, se apresenta hoje na Basílica Menor de Santo Antônio do Embaré, às 20h, para o Natal Iluminado.
O evento conta com projeções de diversos temas natalinos na fachada da igreja. Na ocasião, a Sinfônica interpretará Cinco Miniaturas Brasileiras, de Edmundo Villani-Côrtes, Ária da Suíte Orquestral nº 3, de Bach, Concerto Grosso op. nº 6, de Arcângelo Corelli, finalizando com uma seleção de músicas natalinas. A entrada é gratuita.
A igreja fica na Av. Bartolomeu de Gusmão, 32, no Embaré, em Santos. 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Olá amigos, aproveitem o sabadão ensolarado!
Aos fãs de Vinicius de Moraes, vejam que livro interessante sobre o poeta que será lançado hoje, às 18h30, na Realejo Livros. O evento conta também com apresentação musical. Achei interessante esse livro sobre o grande poeta brasileiro e disponibilizo para vocês.
Abraços,
Miriam

Lançamento do livro 
Vinicius de Moraes
Hoje, na Realejo Livros


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Olá, até que enfim chegou a sexta-feira!
Para quem tiver interesse, e pretendo ir, estréia na Rede Cinemark, nos dias 21, 22, 23 e 26/12, Don Quixote, uma nova produção de Carlos Acosta, do Royal Opera House. Don Quixote, obra clássica de Miguel de Cervantes.
Abraços,
Miriam

Don Quixote chega 
à Baixada Santista

Chega à Baixada Santista a nova temporada de balés e óperas do Royal Opera House de Londres.
No dia 21 de dezembro (sábado) estreia o balé “Don Quixote”, com coreografia do cubano Carlos Acosta. A temporada será exibida com exclusividade na Rede Cinemark, nos dias 21, 22, 23 e 26/12. Em Santos, em cartaz no Praiamar Shopping, no bairro Aparecida.
A programação dos espetáculos e a pré-venda dos ingressos estão disponíveis no site: 
A Royal Opera House apresenta mais de 400 espetáculos por ano no seu consagrado teatro em Londres, em Covent Garden, e atinge um público de mais de 650 mil pessoas. Em 2012, mais de 7,5 milhões de pessoas apreciaram os espetáculos no mundo todo através de sessões de cinema. O Brasil tem um papel importante entre os mais de 35 países onde são apresentadas as óperas e os balés do ROH desde 2011, quando foi o segundo país em público na exibição de “Carmen em 3D”, atrás apenas do Reino Unido.

Don Quixote

Duração: cerca de 3h | Dois intervalos

“Don Quixote”, um exuberante conto de amizade, amor e lealdade, e chega às telas dos cinemas de todo o mundo em produção do bailarino e coreógrafo cubano Carlos Acosta, Principal Guest Artist (artista convidado) do Royal Ballet.
A história, contada em três atos, foi criada especialmente para o corpo de baile da companhia pelo artista mais de cem anos após a sua primeira encenação, e traz coreografias que desafiam os bailarinos e design contemporâneo em cenários e figurinos.
“Don Quixote” é baseado em uma passagem da obra de Miguel de Cervantes, Don Quixote de La Mancha, e sua versão mais conhecida foi criada pelo coreógrafo Marius Petipa, em 1869, com música de Ludwing Minkus. A aventura do sonhador cavaleiro Don Quixote e de seu fiel escudeiro Sancho Panza, para ajudar na fuga do casal Kitri e Basílio é um clássico dos palcos.
Uma das marcas registradas de “Don Quixote”, a contagiante alegria e bom-humor ao lado do impressionante pas de deux no Ato III, fazem do espetáculo um programa fantástico para o público.

Ficha técnica:
Coreografia original: Marius Petipa
Coreografia: Carlos Acosta
Produção: Carlos Acosta
Basílio: Carlos Acosta
Kitri: Marianela Nunez
Música original: Ludwing Minkus
Adaptação musical: Martin Yates
Figurino e cenários: Tim Hatley
Iluminação: Hugh Vanstone 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Olá, para alegrar a quinta-feira, uma crônica de Luis Fernando Verissimo – Clic.
Abraços,
Miriam

Clic
Luis Fernando Verissimo

Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idéia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher.
— Aloa.
— Quem fala?
— Com quem quer falar?
— O dono desse telefone.
— Ele não pode atender.
— Quer chamá-lo, por favor?
— Ele esta no banheiro. Eu posso anotar o recado?
— Bate na porta e chama esse vagabundo agora.

Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo.
— Aloa.
— Escute. Desculpe o jeito que eu falei antes. Eu preciso falar com ele, viu? É urgente.
— Ele já vai sair do banheiro.
— Você é a...
— Uma amiga.
— Como é seu nome?
— Quem quer saber?

O cidadão inventou um nome.
— Taborda. (Por que Taborda, meu Deus?) Sou primo dele.
— Primo do Amleto?

Amleto. O safado já tinha um nome.
— É. De Quaraí.
— Eu não sabia que o Amleto tinha um primo de Quaraí.
— Pois é.
— Carol.
— Hein?
— Meu nome. É Carol.
— Ah. Vocês são...
— Não, não. Nos conhecemos há pouco.
— Escute Carol. Eu trouxe uma encomenda para o Amleto. De Quaraí. Uma pessegada, mas não me lembro do endereço.
— Eu também não sei o endereço dele.
— Mas vocês...
— Nós estamos num motel. Este telefone é celular.
— Ah.
— Vem cá. Como você sabia o número do telefone dele? Ele recém-comprou.
— Ele disse que comprou?
— Por que?

O cidadão não se conteve.
— Porque ele não comprou, não. Ele roubou. Está entendendo? Roubou. De mim!
— Não acredito.
— Ah, não acredita? Então pergunta pra ele. Bate na porta do banheiro e pergunta.
— O Amleto não roubaria um telefone do próprio primo.

E Carol desligou de novo.
O cidadão deixou passar um tempo, enquanto se recuperava. Depois ligou.

— Aloa.
— Carol, é o Tobias.
— Quem?
— O Taborda. Por favor, chame o Amleto.
— Ele continua no banheiro.
— Em que motel vocês estão?
— Por que?
— Carol, você parece ser uma boa moça. Eu sei que você gosta do Amleto...
— Recém nos conhecemos.
— Mas você simpatizou. Estou certo? Você não quer acreditar que ele seja um ladrão. Mas ele é, Carol. Enfrente a realidade. O Amleto pode Ter muitas qualidades, sei lá. Há quanto tempo vocês saem juntos?
— Esta é a primeira vez.
— Vocês nunca tinham se visto antes?
— Já, já. Mas, assim, só conversa.
— E você nem sabe o endereço dele, Carol. Na verdade você não sabe nada sobre ele. Não sabia que ele é de Quaraí.
— Pensei que fosse goiano.
— Ai esta, Carol. Isso diz tudo. Um cara que se faz passar por goiano...
— Não, não. Eu é que pensei.
— Carol, ele ainda está no banheiro?
— Está.
— Então sai daí, Carol. Pegue as suas coisas e saia. Esse negocio pode acabar mal. Você pode ser envolvida. — Saia daí enquanto é tempo, Carol!
— Mas...
— Eu sei. Você não precisa dizer. Eu sei. Você não quer acabar a amizade. Vocês se dão bem, ele é muito legal. Mas ele é um ladrão, Carol. Um bandido. Quem rouba celular é capaz de tudo. Sua vida corre perigo.
— Ele esta saindo do banheiro.
— Corra, Carol! Leve o telefone e corra! Daqui a pouco eu ligo para saber onde você está.

Clic.
Dez minutos depois, o cidadão liga de novo.
— Aloa.
— Carol, onde você está?
— O Amleto está aqui do meu lado e pediu para lhe dizer uma coisa.
— Carol, eu...
— Nós conversamos e ele quer pedir desculpas a você. Diz que vai devolver o telefone, que foi só brincadeira. Jurou que não vai fazer mais isso.

O cidadão engoliu a raiva. Depois de alguns segundos falou:
— Como ele vai devolver o telefone?
— Domingo, no almoço da tia Eloá. Diz que encontra você lá.
— Carol, não...

Mas Carol já tinha desligado.
O cidadão precisou de mais cinco minutos para se recompor. Depois ligou outra vez.
—Aloa.
Pelo ruído o cidadão deduziu que ela estava dentro de um carro em movimento.
— Carol, é o Torquatro.
— Quem?
— Não interessa! Escute aqui. Você está sendo cúmplice de um crime. Esse telefone que você tem na mão, esta me entendendo? Esse telefone que agora tem suas impressões digitais. É meu! Esse salafrário roubou meu celular!
— Mas ele disse que vai devolver na...
— Não existe Tia Eloá nenhuma! Eu não sou primo dele. Nem conheço esse cafajeste. Ele esta mentindo para você, Carol.
— Então você também mentiu!
— Carol...

Clic.
Cinco minutos depois, quando o cidadão se ergueu do chão, onde estivera mordendo o carpete, e ligou de novo, ouviu um "Alô" de homem.
— Amleto?
— Primo! Muito bem. Você conseguiu, viu? A Carol acaba de descer do carro.
— Olha aqui, seu...
— Você já tinha liquidado com o nosso programa no motel, o maior clima e você estragou, e agora acabou com tudo. Ela está desiludida com todos os homens, para sempre. Mandou parar o carro e desceu. Em plena Cavalhada. Parabéns primo. Você venceu. Quer saber como ela era?
— Só quero meu telefone.
— Morena clara. Olhos verdes. Não resistiu ao meu celular. Se não fosse o celular, ela não teria topado o programa. E se não fosse o celular, nós ainda estaríamos no motel. Como é que chama isso mesmo? Ironia do destino?
— Quero meu celular de volta!
— Certo, certo. Seu celular. Você tem que fechar negócios, impressionar clientes, enganar trouxas. Só o que eu queria era a Carol...
— Ladrão
— Executivo
— Devolve meu...

Clic.

Cinco minutos mais tarde. Cidadão liga de novo. Telefone toca várias vezes. Atende uma voz diferente.
— Ahn?
— Quem fala?
— É o Trola.
— Como você conseguiu esse telefone?
— Sei lá. Alguém jogou pela janela de um carro. Quase me acertou.
— Onde você está?
— Como eu estou? Bem, bem. Catando meus papéis, sabe como é. Mas eu já fui de circo. É. Capitão Trovar. Andei até pelo Paraguai.
— Não quero saber de sua vida. Estou pagando uma recompensa por este telefone. Me diga onde você está que eu vou buscar.
— Bem. Fora a Dalvinha, tudo bem. Sabe como é mulher. Quando nos vê por baixo, aproveita. Ontem mesmo...
— Onde você está? Eu quero saber onde!
— Aqui mesmo, embaixo do viaduto. De noitinha. Ela chegou com o índio e o Marvão, os três com a cara cheia, e...


Extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 41