sexta-feira, 15 de março de 2013


Bom dia! Que a sexta seja boa para todos nós.

Ontem foi o Dia da Poesia!

Compartilho com vocês duas poesias, Beijo eterno e As Duas Flores de Castro Alves.

Tem também poesias de André Anlub, Margarida Cimbolini e Mirian Marclay.

 

14 de março: Dia Nacional 

da Poesia

 

Em 14 de março é comemorado o Dia Nacional da Poesia. A data foi escolhida em homenagem ao poeta Antônio Frederico de Castro Alves, que nasceu nessa data. 

A poesia é a arte da linguagem humana, do gênero lírico, que expressa sentimento através do ritmo e da palavra cantada. Através das rimas cadenciadas, transforma a forma usual da fala em recursos formais, e fazem adoração a alguém ou a algo, podendo também ser contextualizada dentro do gênero satírico.

Existem três tipos de poesias: as existenciais, que retratam as experiências de vida, a morte, as angústias, a velhice e a solidão; as líricas, que trazem as emoções do autor; e a social, trazendo como temática principal as questões sociais e políticas.

O professor do Departamento de Letras (Delet) da UFOP, Carlos Eduardo Lima Machado, fala que a importância da poesia na literatura brasileira está, principalmente, nas grandes obras de Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Murilo Mendes e João Cabral de Melo Neto. "Penso que a poesia posterior a esses autores merece mais uma posição crítica do que se registra hoje”, afirma.

Castro Alves 
Antônio Frederico de Castro Alves ficou conhecido como o “poeta dos escravos”. Ele lutou pela abolição da escravidão, além de ser um grande defensor do sistema republicano de governo.

Sua manifestação contra o preconceito racial ficou registrada na poesia “Navio Negreiro”, que faz um protesto contra a situação em que os negros viviam. 

Castro Alves cursou direito na faculdade do Recife e teve grande participação nas sociedades estudantis. Seus versos foram considerados mais tarde, como os poemas líricos mais lindos do Brasil.

Beijo eterno
Castro Alves

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz
Dormindo
em calmo sono a calma natureza,

Ou se debata, das tormentas presa,
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito de teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!

...

Diz tua boca: "Vem!"
Inda mais! diz a minha, a soluçar... Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

As Duas Flores
Castro Alves 

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo, no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Fogueira da vaidade

André Anlub

Cabelo por cima dos ombros
caindo como negra cachoeira
os olhos tão verdes, assombro
os lábios vermelhos, amoreira.


Paixão insustentável
é da vaidade, fogueira.

Que seja tudo ao agrado
que o amargo se faça doce
no espelho a jovialidade
narciso que traz o colosso.

Palavras de otimismo
o beijo ao pé da goiabeira
sem motivo para a tristeza
o apego com afinco e clareza.

Ver regente a maturidade
estar vivo é mais que suficiente
eficiente é a intensidade
regando o amor em corpo e mente.

No coração que não tem idade...

Insustentável paixão
é fogueira da vaidade.

A Essência de um poeta

Mirian Marclay Melo

 

Elemental não sou, sou apenas o meu dilema.
Um poema em forma de gente -sem lema
Sem trégua ou régua que me defina.
A vida que já não mais definha -pois é minha
Novamente alinha meu equilíbrio.
Sou viajante do tempo, sacerdotisa do brilho
Dos ordenamentos que eu mesma escrevo.
Muito aquém do trivial eu me porto.
Comporto mundos e vidas em mim, 
Como minhas jóias do enlevo.
Exercito um ato proscrito 
Entre as lacunas de um espaço
Em que habito,
Sou um ser que descobre 
O prazer de viver seu próprio jeito.

Sou espectadora dos enigmas
Sem paradigmas,
Dos laços delicados
Que dançam
Além das vozes abstratas
E de qualquer conceito.


Passos de Mim

Margarida Cimbolini

Espacei meus passos
tocou o carrilhão
aquela musica cintilante
música de água cantante
passam os meus passos
passam tocados nos sinos

deu-me algum Deus esta música
de presente
e nestas dobras do tempo
caiu tanta estrela cadente

passo agora passeando
meus passos no presente

Roubarei notas há musica

está a amanhecer
ás vezes roubo o dia
fica o sol ás vezes quente
Quero roubar-lhe a poesia
e esta alma demente
passeia sem alegria

Ao longe toca o carrilhão
ouço-o contente
afasto a nostalgia 

Um comentário:

Jeferson Cardoso disse...

Oi Miriam!
Linda homenagem aos poetas!
"É por isso que precisamos dos poetas. Pois são aqueles que tecem as suas palavras em volta do frágil fio que nos amarra sobre o abismo. Eles sabem que nos nossos corpos mora um adeus." (Rubem Alves)
http://jefhcardoso.blogspot.com lhe convida e espera para ler e comentar “O último choro”, a despedida de Chorão. Abraço e bom final de semana.