quinta-feira, 3 de janeiro de 2013


Bom dia amigos. Lendo o jornal Opinião, achei uma matéria cultural muito interessante, escrita por Bolivar Torres, e trouxe para vocês.

 

La poésie du Brésil’: 

uma antologia inédita

 

Quatro séculos nos contemplam nessas páginas. A tarefa de Max Carvalho, tradutor e poeta francês nascido no Rio de Janeiro, foi das mais árduas. De Anchieta a Drummond, dos cantos de amor indígena aos concretistas, ele selecionou, traduziu e contextualizou parte da nossa aventura poética para o público francês. Antes de La poésie du Brésil (Edições Chandeigne), o Brasil nunca havia ganhado uma perspectiva tão ampla – trata-se, afinal, da primeira grande antologia de poesia brasileira publicada no país de Molière. Recém-lançada na França, a edição bilíngue já está disponível em livrarias de países francófonos, mas também do Brasil e de Portugal.
Com a ajuda dos tradutores Ariane Wikowski, Isabel Meyrelles, Inês Oseki-Dépré, Michel Riaudel e Patrick Quillier, Carvalho dedicou-se cinco anos ao projeto. No total, foram nada menos do que 130 poetas distribuídos em 1500 páginas. Filho de cantores líricos brasileiros, Carvalho mudou-se para Paris aos três anos de idade. Em 1992, resolveu  “fugir para o mato”, a bela e tranquila região de Cévennes, no sul da França, onde vive até hoje. Adolescente, entrou em contato com a coleção de poesia na estante dos pais (lia especialmente Bandeira, Cabral, Drummond), que despertou sua paixão pela literatura brasileira. Vendo a falta de antologias gerais (além de limitadas em seu conteúdo, a maioria está esgotada e só se encontra disponível em bibliotecas ou sebos), empenhou-se no projeto quase solitário, que lhe exigiu muita paciência.
Teria sido muito mais simples para Carvalho deixar de lado tudo que veio antes do romantismo, negligenciando os mitos indígenas, o Quinhentismo e as primeiras manifestações barrocas. Mas interessava ao tradutor uma abordagem plurissecular, que se obrigasse a explorar uma arte a partir de sua “infância”.  É importante ressaltar que tais obras não foram incluídas apenas com um simples interesse documental, e sim por seu valor artístico intrínseco.
Por seu alcance e diversidade, o projeto assustou muita gente. Apesar da ajuda de colaboradores, Carvalho se lançou praticamente sozinho na tradução de obras de tempos e estéticas muito diferentes (ele calcula ter traduzido cerca de oitenta por cento dos 130 poetas do livro). 
Seguindo a ordem cronológica e analisando nossa evolução através de verbetes, a antologia acaba por lançar interrogações inevitáveis sobre a identidade brasileira, mas também sobre a própria legitimidade de sua tradução e organização: quando a poesia brasileira pode ser considerada realmente brasileira? Em que momento, e através qual autor, se dá início a sua expressão escrita? É legítimo incluir autores nascidos na Europa? São questões que permearam o projeto de Carvalho, sem nunca chegar a respostas definitivas. Como ele próprio afirma na introdução, a publicação não deve ser vista como uma simples “obra coletiva” que segue piamente as leis das antologias, mas sim como uma longa flanerie pela história poética do Brasil, que inclui seus sentidos, seus odores, o deslumbre diante dos grandes espaços e a descoberta das mais íntimas sensações.
A única frustração de Carvalho foi não ter conseguido chegar aos contemporâneos. Nenhum poeta da antologia nasceu depois de 1940. A intenção do tradutor era chegar até os dias de hoje, mas foi vencido pelo cansaço e o prazo que se esgotava.
O esforço titanesco de Carvalho certamente não foi em vão. A antologia vem recebendo boa recepção na imprensa francesa nas últimas semanas. Para a tradicional Magazine Littéraire, “este belo livro fará data”, pois incentiva continuações: “Já conhecíamos Carlos Drummond de Andrade ou Haroldo de Campos,  mas aqui está Raul Bopp e seu sábio ‘primitivismo’, aqui está o espirituoso Mario Quintana e o melancólico Augusto Meyer, dois poetas do Rio Grande. 
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Outro assunto que também achei muito bom, compartilho com vocês:

 

Aulas virtuais oferecem 

novas oportunidades

 

O fornecimento de aulas na internet está transformando a educação superior e oferecendo às melhores universidades a chance de ampliar o seu público, abrindo oportunidades para as mais ágeis e ameaçando as instituições retardatárias e medíocres.
As raízes desta empreitada já existem há algumas décadas. A Open University da Grã-Bretanha começou a ensinar via rádio e televisão em 1971; a Universidade de Phoenix (instituição com fins lucrativos), no Arizona, vem ensinando online desde 1989; o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e outros têm disponibilizado aulas na internet há uma década. Mas a mudança em 2012 foi eletrizante. Duas novas empresas de tecnologia, ambas geradas pela Universidade Stanford, na Califórnia, estão recrutando estudantes a uma taxa impressionante para “cursos online abertos em massa”. Em janeiro, Sebestian Thrun, um professor de ciência da computação da universidade, anunciou o lançamento da Udacity. A universidade começou a oferecer cursos no mês seguinte – um nanossegundo nos padrões do processo de tomada de decisões de universidades tradicionais. Em outubro, a Udacity angariou US$ 15 milhões de investidores e já conta com 475 mil usuários.
Em abril, dois ex-colegas de Thrun, Andrew Ng e Daphne Koller, lançaram uma concorrente, a Coursera, com US$ 16 milhões de capital de risco. Esta primeiramente oferecia cursos online de quatro universidades. Em agosto, o site já contava com 1 milhão de estudantes, os quais já somam 2 milhões hoje em dia. O seu curso mais bem-sucedido, “Como Raciocinar e Argumentar”, atraiu mais de 180 mil estudantes. Harvard e MIT anunciaram que investiriam cada uma US$ 30 milhões para lançar a EDX, uma iniciativa sem fins lucrativos para oferecer cursos de universidades norte-americanas de primeira linha para alunos do mundo inteiro. Outras universidades se uniram a esse esforço.
O custo dos cursos pode ser diluído entre um enorme número de estudantes. Uma única sala de aula virtual pode vir a acomodar 1,5 milhões de pessoas no futuro. Milhares de mentes se conectam em fóruns de discussão, onde estudantes no Peru, Finlândia ou Japão podem rapidamente responder as dúvidas de um estudante em dificuldade, salientar pontos que não ficaram claros e até mesmo corrigir os exercícios de seus colegas. 

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