segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


Bom dia amigos. Tenham uma excelente segunda-feira.

Encerro a semana de comemoração ao nascimento do escritor Machado de Assis com o conto A carteira. Participando da homenagem, uma fã incondicional, Maria Bernadete, que adora o escritor, veja o depoimento dela.

Tem também festival de férias Teatro Folha e exposição de Ana Maria Pacheco na Pinacoteca do Estado.

 

Conto de Machado de Assis

A carteira


...De repente, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:
- Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.
- É verdade, concordou Honório envergonhado.
Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma voragem.
- Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.
- Agora vou, mentiu o Honório.
A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, em que fundara grandes esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais.
D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus negócios. Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente falavam de política.


POR SER UMA HISTÓRIA GRANDE, CONTINUA NA PÁGINA ACIMA, NO INÍCIO DO BLOG (CONTOS DE MACHADO DE ASSIS), JUNTO COM AS PÁGINAS CONTOS, MINICONTOS E CRÔNICAS

Depoimento de Maria Bernadete Bernardo de Oliveira sobre 

Machado de Assis

 

-Olá Bernadete, tudo bem?
Você que é formada em Letras pela Universidade Metodista de São Paulo e adora Literatura.
Por que essa paixão por Machado de Assis?

Minha paixão por Machado de Assis se deu quando li sua biografia. Ao lê-la, soube que perdera a mãe muito cedo, fora criado por uma madrasta, vivendo no morro do Juramento no Rio de Janeiro e enfrentando todos as adversidades, ele superou tudo se instruindo por conta própria.

-Quais livros você já leu do escritor?
Já li, “Iaiá Garcia”, “Dom Casmurro” e também contos dos quais posso destacar “Missa do Galo”, “Uns Braços” e “A Cartomante”.

-Como surgiu seu interesse por esse autor?
Depois da Biografia, li o livro Dom Casmurro e percebi o engajamento dele pelas causas sociais da época (que não são diferentes das de hoje), assim estava declarada minha paixão.

-Qual seu livro preferido de Machado?

Quero ainda ler mais sobre ele, minha próxima leitura será ”Memórias Póstumas de Brás Cubas”, mas “Dom Casmurro” é fascinante.

-O que você o diferencia de outros escritores?

A capacidade de observar as nuances na vida das pessoas, através de pequenas coisas do cotidiano, que poderiam passar despercebidas aos olhos comuns.


Deixe seus contatos aos leitores do Histórias Fantásticas.
E-mail de contato: Virginia.filha@yahoo.com.br
Facebook: Maria Bernadete Bernardo
Obrigada Bernadete por sua participação e tenha uma ótima semana.
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Dica de lazer para as férias.

Festival de férias Teatro Folha

Contos de fadas e muita gargalhada será o resultado das férias para a criançada que permanecer em São Paulo. O Teatro Folha oferece diariamente, até dia 3 de fevereiro, peças infantis que prometem diversão a quem assistir.
Dentre as opções, estão adaptações das peças “A Bela Adormecida”, “Os Saltimbancos”, “A Chapeuzinho Vermelho”, “João e Maria”, “Deu a Louca na Dona Baratinha” e também o clássico “Marcelo, Marmelo, Martelo”, de Ruth Rocha.
A apresentação dos Parlapatões e suas palhaçadas também está na programação.

Serviço:
Festival de férias do Teatro Folha
Quando: até dia 3/2
Horário: às 16 h
Local: Teatro Folha (Shopping Higienópolis) – Avenida Higienópolis, 618, São Paulo/SP
Telefone: (11) 3823-2323
Ingresso: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
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Exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo

A Pinacoteca do Estado de São Paulo exibe até o dia 3 de fevereiro a exposição de Ana Maria Pacheco, com cerca de 50 obras entre gravuras, livros da artista e esculturas, realizadas entre 1998 e 2012.
Algumas das obras de destaque são as esculturas “Noite escura da alma” (1999), que reúne um grupo de figuras dispostas em torno de uma figura central, compondo uma arena forjada por uma situação intrigante e ameaçadora, e “Memória roubada I” e “Memória roubada II” (2008). 
Além de uma seleção de gravuras, com obras de pequeno e grande formato, que oferecem um panorama da produção da artista.
Goiana erradicada em Londres desde 1973, Ana Maria Pacheco consolidou seu trabalho em meio ao competitivo cenário artístico europeu, trazendo como traço definitivo as influências da vivência londrina com o imaginário de origem brasileira. Sua obra se reporta às tradições da nossa cultura popular e, por meio de seu amplo conhecimento de história, literatura e da tradição iconográfica, constrói um mundo muito particular de imagens densas e sombrias, carregadas de ironia e metáforas, sempre surpreendentes.

Serviço:
Ana Maria Pacheco na Pinacoteca do Estado de São Paulo
Endereço: Praça da Luz, 2, bairro da Luz, São Paulo (próxima à Estação Luz do Metrô)
Telefone: 55 11 3324-1000
Data: de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h) e às quintas até às 22h, com ingressos combinados (Pinacoteca e Estação Pinacoteca) por R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia-entrada). Às quintas-feiras, das 18h às 22h e, aos sábados, a entrada é franca. Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam.
Mais informações: site www.pinacoteca.org.br 




2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog Miriam! Adorei o encerramento dado a comemoração ao nascimento de Machado. O depoimento foi uma boa ideia para fechar tal comemoração.
Mais uma vez parabéns!
Beijão!

miriam santiago disse...

Olá, fico muito feliz que tenha gostado.
Obrigada, grande beijo,
Miriam