quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


Bom dia amigos.

Em comemoração ao nascimento do escritor Machado de Assis, no dia 21, compartilho aqui na página contos, dicas de leitura e depoimentos sobre esse importante escritor brasileiro.

 

 

Crisálidas, reedição de poesias de Machado de Assis

 

Primeiros versos do escritor não saíam na íntegra desde 1864 
Reedição traz poesia de Machado.

 

O professor de literatura da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Cláudio Murilo Leal avalia a obra poética de Machado de Assis, cuja reedição do primeiro volume supervisiona, com uma equação literária.
"Fernando Pessoa foi o maior poeta português e Machado o maior prosador brasileiro. Toda a prosa de Pessoa, que seria o equivalente à poesia de Machado, está sendo reeditada. Logo, o mínimo que um país civilizado pode fazer por seu maior escritor é reeditar seus poemas", diz.
"Crisálidas", o primeiro livro de poesias de Machado, publicado quando ele tinha 25 anos, volta pela primeira vez integral desde seu lançamento, em 1864. Em 1901, quando publicou suas "Poesias Completas", o escritor misturou ao conteúdo deste seus poemas posteriores, dos livros "Falenas" (1870), "Americanas" (1875) e "Ocidentais" (1880).
Machado de Assis também fez várias modificações na obra, talvez preocupado com a posteridade. Cortou 17 poemas de "Crisálidas" e o posfácio que escreveu, além de fazer mudanças em vários versos, das quais mais tarde se arrependeria em parte.
Corina foi a primeira musa de Machado, antes de Carolina, sua mulher, com quem dividiria 35 anos de vida. Os versos que fez para ela ("A Carolina"), assim como seus outros poemas mais conhecidos, como "Soneto de Natal" ou "Círculo Vicioso", já são de "Ocidentais", sem reedição prevista, embora possam ser encontrados na edição dos "Melhores Poemas" (Global).

Livro: Crisálidas Autor: Machado de Assis Editora: Nova Fronteira/UFRJ (115 págs.)

  

 

Conto O Oráculo, de 1866

 

Conheci outrora um sujeito que era um exemplo de quanto pode a má fortuna quando se dispõe a perseguir um pobre mortal.
Leonardo (era o nome dele) começara por ser mestre de meninos, mas tão mal se houve que no fim de um ano perdera o pouco que possuía e achou-se reduzido a três alunos.
Tentou depois um emprego público, arranjou as cartas de empenho necessárias, chegou mesmo a dar um voto contra as suas convicções, mas quando tudo lhe sorria, o ministério, na forma do geral costume, achou contra si a maioria da véspera e pediu demissão. Subiu um ministério do seu partido, mas o infeliz tinha-se tornado suspeito ao partido por causa do voto e teve uma resposta negativa.
Auxiliado por um amigo da família, abriu uma casa de comércio; mas, tanto a sorte, como a velhacaria de alguns empregados, deram com a casa em terra, e o nosso negociante levantou as mãos para o céu quando os credores concordaram em receber uma certa quantia inferior ao débito, isto em tempo indeterminado.
Dotado de alguma inteligência e levado pela necessidade mais que pelo gosto, fundou uma gazeta literária; mas os assinantes, que eram da massa dos que preferem ler sem pagar a impressão, deram à gazeta de Leonardo uma morte prematura no fim de cinco meses.
Entretanto, subiu de novo o partido a que ele sacrificara a sua consciência e pelo qual sofrera os ódios de outro. Leonardo foi a ele e lembrou-lhe o direito que tinha à sua gratidão; mas a gratidão não é a bossa principal dos partidos, e Leonardo teve de ver-se preterido por algumas influências eleitorais de quem os novos homens dependiam.
Nesta sucessão de contratempos e azares, Leonardo não chegara a perder a confiança na Providência. Doam-lhe os golpes sucessivos, mas uma vez recebidos, ele preparava-se para tentar de novo a fortuna, fundado neste pensamento que havia lido, não me lembra aonde: “A fortuna é como as mulheres, vence-a a tenacidade”.
Preparava-se, pois, a tentar novo assalto, e para isso tinha arranjado uma viagem ao norte, quando viu pela primeira vez Cecília B…, filha do negociante Atanásio B…
Os dotes desta moça consistiam nisto: um rosto simpático e cem contos limpos, em moeda corrente. Era a menina dos olhos de Atanásio. Só constava que tivesse amado uma vez, e o objeto do seu amor era um oficial de marinha de nome Henrique Paes. O pai opôs-se ao casamento por antipatizar com o genro, mas parece que Cecília não amava muito Henrique, visto que apenas chorou um dia, acordando no dia seguinte tão fresca e alegre como se lhe não houvesse empalmado um noivo.
Dizer que Leonardo se apaixonou por Cecília é mentir à história, e eu prezo, antes de tudo, a verdade dos fatos e dos sentimentos; mas é por isso mesmo que eu devo dizer que Cecília não deixou de fazer alguma impressão em Leonardo.
O que causou profunda impressão no ânimo do nosso mal-aventurado e conquistou desde logo todos os seus afetos, foram os cem contos que a pequena trazia em dote. Leonardo não hesitou em abençoar o mau destino que tanto o perseguira para atirar-lhe aos braços uma fortuna daquela ordem.
Que impressão produziu Leonardo no pai de Cecília? Boa, excelente, maravilhosa. Quanto à menina, recebeu-o indiferente. Leonardo confiou em que venceria a indiferença da filha, visto que já possuía a simpatia do pai.
Em todo o caso desfez a viagem.
A simpatia de Atanásio foi ao ponto de fazer de Leonardo um comensal indispensável. À espera do mais, o mal-aventurado Leonardo foi aceitando aqueles adiantamentos.
Dentro de pouco tempo era ele um íntimo da casa.


Fonte: Covil do Orc



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Recital poético dedicado à obra do poeta brasileiro Claudio Willer, um dos autores mais expressivos da poesia surrealista do Brasil, com organização de Maria Alice Vasconcelos e participação dos poetas Roberto Bicelli, Celso Alencar, José Geraldo Neres, Célia Musilli, Contador Borges, Lelia Miura, Edson Bueno de Camargo, Ivan Regina, Célia Ábila, Paulo Ortiz, Liz Reis e Claudio Daniel.

 

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