quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Conto
Mistério no Reservatório-Túnel

Foi uma tarde inesquecível para o estudante do 5º ano do Ensino Fundamental Gabriel Marcondes, aluno da escola Estadual Marquês de São Vicente.
Aluno assíduo e bem aplicado, o garoto desde pequeno fora sempre amante da natureza e apreciador de grandes monumentos e tudo o que fosse relacionado à arquitetura chamava a atenção do menino, que se deslumbrava com grandes edifícios e construções ornamentais. O que fazia a família de Gabriel torcer para que ele fosse engenheiro ou arquiteto.
E na tarde de uma sexta-feira de agosto de 2002, dia em que os estudantes foram visitar o Reservatório-túnel Santa Tereza-Voturuá, entre a divisa de Santos e São Vicente e que estava aberto para visitação, o garoto foi o que mais se divertiu e adorou o passeio.
Para as outras crianças o reservatório não teve grande importância, pois eles gostaram mais de visitar o Horto Municipal de São Vicente, que abriga um pequeno zoológico, parada obrigatória para os visitantes porque o reservatório da Sabesp fica dentro do parque, no alto do morro.
Gabriel foi subindo o morro e já imaginando o que poderia encontrar ao final da caminhada.
          Ao chegar à porta do imenso reservatório, o maior da América Latina, o menino mal sabia o que ainda teria pela frente e ele foi o primeiro a colocar botas e capacete para entrar no local.
— Vamos logo pessoal, quero entrar neste túnel e descobrir como é por dentro, — dizia Gabriel, instigando os coleguinhas. — Coloquem as botas depressa, não percamos mais tempo, ia retrucando ele aos demais.
O técnico de plantão escalado para a visitação notara o entusiasmo do menino e ele recebera atenção especial do funcionário, que ia contando detalhes da grandiosa obra.
Desde a entrada do túnel Gabriel ficara fascinado. Um a um os alunos foram caminhando por poças d´água e observando os homens varrendo com a água o chão do reservatório, mesmo com a escuridão do local.
Escavado dentre da rocha, uma tubulação enorme divide o espaço, que tem altura de 18 metros, o equivalente a um prédio de seis andares.
Como podem ter construído tudo isso, pensava Gabriel, que falava sozinho. O técnico conduzia a turma e contava as curiosidades da construção.
— Essa pedra enorme que está aqui no caminho, — apontava o técnico, — caiu depois que o reservatório estava em uso e só fomos descobrir dois anos depois, período em que o mesmo é limpo. Falava o funcionário. — Depois uma vez após uma limpeza, quando tudo isso aqui já estava cheio de água, — informava o homem dizendo que o local tem 262 metros de comprimento só do lado de São Vicente, — um macaco pulou de alguma árvore e entrou aqui, saltando na água. Ele nos deu um tremendo trabalho, pois tivemos que esvaziar novamente para tirar o bicho, limpar e encher tudo de novo. — Ia relatando o técnico.
Ao final do túnel uma porta redonda sinalizava mais coisas.
— Essa porta aqui, — apontava o empregado, — está reprisando a água que está do outro lado, a continuação do reservatório do lado de Santos, o Santa Tereza e se eu abrir a porta, com a pressão, todos nós morreríamos, — disse o homem, que fez os alunos gritarem e correrem de pavor em meio à escuridão.
Após a visita Gabriel radiante e maravilhado com tudo o que aprendera sobre a importante obra que garantiu o abastecimento de água para as cidades de Santos e São Vicente depois de novembro de 1981, ano em que o reservatório entrou em funcionamento, o menino só falava do passeio.  Lembrou-se do avô, um operário que estivera na construção do reservatório e foi ter com ele no dia seguinte para saber mais detalhes. 
— Vovô, ontem eu fui conhecer um lugar onde o senhor trabalhou. — Suspirava Gabriel ao se lembrar da visita. — O funcionário falou de mistérios no local. — Acrescentou o menino.
— Há, o funcionário não estava lá desde o início. — Dizia o avô, um homem de 75 anos e que estivera na construção do reservatório.
— Me conte como foi a obra. — Falava Gabriel.
— Estávamos no ano de 1979, quando a região passava por grande falta de água. Então os engenheiros da Sabesp resolveram escavar as rochas e fazer, no topo do morro, um reservatório que pudesse abastecer as cidades. — Ia contando o avô. — Mediram, somaram e viram que conseguiriam cavar um túnel e construir o reservatório lá dentro, que demorou dois anos.
— Vários operários e engenheiros subiam e desciam pelo morro, em baixo de chuva e de terra. Os engenheiros não ligavam para os rumores de alguns moradores próximos dali, de que o lugar era aterrorizado por alguma coisa, que não sabiam o que era.
— A construção estava a todo vapor e na etapa de abertura de uma calota na parte superior do túnel, foram empregados 420 quilos de dinamite por dia. O barulho era estrondoso, e retiravam 38 mil metros cúbicos de rocha por mês.
— Certa noite jantávamos no alojamento quando começou a soprar forte o vento, arrancando a fiação e nos deixando no escuro, apenas com a luz do   fogão. Não estavam todos os funcionários da obra, que haviam descido para outros fins.
— O medo acometeu os presentes. Corremos para pegar as lanternas, mas as mesmas desapareceram do nada. Fizemos então uma fogueira com restos de troncos e folhas. O silêncio tomou conta de nós. Escutamos um estrondo vindo de dentro do túnel e pedras começaram a rolar de dentro dele quase nos atingindo.
— A gritaria foi geral e os operários indefesos e apavorados, mesmo no escuro começaram a descer o morro. Alguns escorregaram e se machucaram, mas não pararam.
— Nisso escutamos sons estranhos e troncos sendo arrastados e atirados a nós. De repente uma coisa conseguiu pegar alguns operários, que gritavam em sofrimento.
— Pelo barulho a criatura deveria ser grande e forte, pois conseguiu agarrar os homens. Na correria, levei um tombo e quebrei o pé. Sem gritar para que não fosse descoberto, me arrastei até um arbusto e fiquei escondido.
— O silêncio tomou conta do lugar. Os gritos cessaram e eu não sabia o que fazer. Resolvi ficar quieto onde estava até amanhecer. Nisso, escuto passos pesados arrastando a areia e se aproximando de onde eu estava; comecei a tremer da cabeça aos pés. O barulho se aproximava e foi ficando mais perto até que a folhagem que me encobria foi tirada brutalmente. Com um grito abafado, desmaiei e não vi mais nada.
— No dia seguinte acordei cheio de lama, com as roupas rasgadas e o corpo todo dolorido. O alojamento estava em polvorosa. Havia sangue pelo chão e restos de roupas. Dos 50 homens, três haviam desaparecido e nunca mais se soube nada sobre eles.
— Nossa, vovô, o senhor me matou de medo, disse Gabriel, com os olhos arregalados e palidez no rosto. — Como acabou essa tragédia?
— Em muita investigação que não levou a nada, disse o avô. — A polícia falou que estávamos bêbados e que causamos tudo aquilo. O certo é que ninguém soube o que realmente aconteceu naquela noite. A obra foi terminada, recebemos e ficou tudo por isso mesmo. É como diz o pião, voltaram para o Nordeste.
Se despedindo do neto, o velhinho trancou-se no quarto. Calmamente largando a bengala o avô se aproximou do espelho da cômoda. Do outro lado não refletia mais a imagem do idoso, que agora aparentava mais novo e revigorado. Radiante, o homem ocultava a real identidade. 
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Cinema na Pinacoteca

Frederic Chopin

 

A Organização Neo Humanitarismo Universalista realiza em parceria com a Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto de Santos, no litoral de São Paulo, a mostra de cinema de arte denominada “Mostra Frédéric Chopin, O Poeta Do Piano No Cinema” voltada para a difusão da vida e da obra do notável compositor e pianista Frédéric Chopin através de filmes raros, verdadeiras obras de arte.

Filmes Selecionados:
“Chopin em Paris” de 1969, são 15 minutos em p & b sob a direção de Stanislaw Grabowski, suficientes para assistirmos o encontro mágico da música clássica com a literatura e a pintura na cidade de Paris, no século XIX; “pelo diário de Delacroix, sabemos que George Sand, Chopin e Delacroix se encontraram no Palais du Luxembourg.” A pianista Regina Smendzianka nos encanta com a apresentação das composições de Chopin.
Na sequência, vamos assistir “Estudos das Cores na Música de Chopin” de 1944, são 11 minutos de emoção através de uma viagem no tempo conduzida pelo diretor Eugeniusz Cenkalski. O pianista W. Malcuzynski nos apresenta três composições de Chopin.
“O Passaporte Polonês de Chopin” de 2011, um filme sobre a vida e a obra de Chopin sob o olhar dos jovens pianistas do estado de São Paulo e de grandes celebridades da música clássica: Nelson Freire, Adam Makowicz e Zbigniew Raubo. Direção: Grzegorz Mielec.

Roteiro e Produção: Jam Pawlak.
Comentários:
produtor musical Fábio Luiz Salgado e da produtora audiovisual Jam Pawlak.

Serviço:
Mostra Frédéric Chopin, o Poeta do Piano no Cinema
Cine Calixto - 19 de dezembro de 2012 às 19 horas
Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto
Av. Bartolomeu de Gusmão, 15 – Boqueirão – Santos – SP
Programação livre e gratuita   


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