terça-feira, 13 de novembro de 2012

Para animar o dia, uma crônica que gosto muito.


Crônica
Serás ministro
De Carlos Drummond de Andrade


- Esse vai ser ministro - sentenciou o pai, logo que o garoto nasceu.
- E você, com esse ordenado micho de servente, tem lá poder pra fazer nosso
filho ministro? - duvidou a mãe.
- Então, só porque meu ordenado é micho ele não pode ser ministro? A Rádio
Nacional deu que Abraão Lincoln trabalhava de cortar lenha no mato, e chegou a
presidente dos Estados Unidos.
- Isso foi nos Estados Unidos.
- E daí? Nem eu estou querendo tanto pra ele. Só quero uma de Ministro.
- Tonzinho, deixa isso pra lá.
- Pra começar, a gente convida o Ministro pra padrinho dele.
- O Ministro não vai aceitar.
- Não vai por quê? Trabalho no gabinete há dois anos.
- Ele é muito importante, filho.
- Por isso mesmo. Com padrinho importante, o garotinho começa logo a ser
importante.
- O Ministro é tão ocupado, você mesmo diz. Vê lá se tem tempo pra batizar filho
de pobre.
- Pois sim. Ele me trata com toda a consideração, de igual pra igual. Hoje mesmo
eu faço o convite.
Fez. O Ministro não pôde comparecer, mas enviou representante. Era quase a mesma
coisa. Na hora de dizer o nome do menino, o pai não vacilou; disse bem sonoro:
- Ministro.
- Como? - estranhou o padre.
- Ministro, sim senhor.
A mulher ia atalhar: "Tonzinho, não foi Antônio de Fátima que a gente combinou?"
mas era tarde.
No cartório, também estranharam:
- Ministro por quê?
- Porque eu escolhi. Acho lindo.
- Não é nome próprio.
- Pois eu cá acho muito próprio. Não tem aí uma família chamada Ministério,
aliás com pessoas distintas, médicos, dentistas, etc.?
- Tem.
- Pois então. Meu filho é Ministro, só isso. Ministro Alves da Silva, futuro
cidadão útil à Pátria. Tem alguma coisa demais?
O garoto registrou-se. Cresceu. Na escola, a princípio achavam-lhe graça no
nome. Parecia apelido. Depois, o costume. Há nomes mais estranhos. Ministro não
era o primeiro da classe, também não foi dos últimos.
Já moço, o leque das opções não se abriu para ele. Entre o ofício sem brilho e o
andar térreo da burocracia, acabou sendo, como o pai, servente de repartição.
Promovido a contínuo.
- Eu não disse? - festejou o pai. - Começou a subir.
O máximo que subiu foi trabalhar no gabinete do Ministro.
- Ministro, o Sr. Ministro está chamando.
- Ministro, já providenciou o cafezinho do Sr. Ministro?
- Sabe quem telefonou pra você, Ministro? A senhora do Sr. Ministro. Diz que
você prometeu ir lá consertar umas goteiras e esqueceu.
- Ministro! Roncando na hora do expediente?!
Começaram os equívocos:
- Telefonema para o Ministro.
- Qual? O Ministro ou o Sr. Ministro? - Este Ministro é um cretino! Me fez
esperar uma hora nesta poltrona!
- Perdão, Deputado, o senhor está ofendendo o Sr. Ministro.
- Eu? Eu? Estou me referindo a esse animal, esse...
Até que se apurasse que o animal era Ministro, o contínuo - que confusão!
O Ministro de Estado, ciente da confusão, recomendou ao assessor:
- Faça esse homem trocar de nome.
- Impossível, Sr. Ministro. É o seu título de honra.
- Então suma com ele da minha vista.
Mandaram-no para uma vaga repartição de vago departamento. Queixou-se ao pai,
aposentado, que isso de se chamar Ministro não conduz a grandes coisas e pode
até atrasar a vida.
- Ora, meu filho, hoje no bueiro, amanhã no Pão de Açúcar. E você não tem de que
se queixar. Num momento em que tanta gente importante sua a camisa pra ser
Ministro, e fica olhando pro céu pra ver se baixa um signo do astral, você já é,
você sempre foi Ministro, de nascença! de direito! E não depende de governo
nenhum pra continuar a ser, até a morte!
Abraçaram-se, chorando.
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Lançamento do livro João e Maria
Da jornalista Marina Gonçalves

João e Maria é uma coleção de contos sobre relacionamento entre casal, incluindo separação, as vontades e hábitos de cada um, as expectativas, alegrias e tristezas, onde os personagens são homem e mulher - João e Maria. João e Maria conta aquele momento em que a cama ficou grande demais, o sonho ficou pequeno, a lágrima inundou tudo e só há o desespero de agarrar com as pontas dos dedos o restinho de paz que insiste em escapar. E Numa narrativa cosmopolita de Marina Gonçalves, vemos um estilo tão particular quanto sedutor. João e Maria fala de pessoas que querem e buscam romance, mesmo com todos os medos e inseguranças. 
O EU AMO ESCREVER foi o maior concurso literário do Brasil promovido na internet pelo Cantão e Livros Ilimitados, no ano de 2011 e os dez contos selecionados foram publicados em um livro. Dando continuidade ao projeto, a Livros Ilimitados e o Cantão lançam o SELO Eu amo Escrever. O selo já surge com 10 autores: os 10 vencedores do concurso agora têm os seus textos publicados em livros próprios. 

Autora:

A carioca Marina Gonçalves é jornalista, blogueira e twiteira.
Tornou-se jornalista porque sempre quis ser escritora.
Encontrou na profissão a maneira de colocar em palavras as histórias que queria contar, mas nunca deixou de escrever as suas próprias. Blogueira, esse é o terceiro livro que nasce de seus posts: primeiro foi um de crônicas, depois outro sobre a experiência de um ano que passou em Madri. Agora, é sua alma: nos contos de João e Maria ela inaugura seu estilo próprio.
Marina Gonçalves virou referência para muitas jovens mulheres no assunto relacionamentos. Não por ser uma expert ou grande teórica estudiosa, mas por escrever textos muito passionais e viver uma realidade comum à várias outras mulheres que buscam plenitude em seus relacionamentos, ou começar novos relacionamentos ou simplesmente conhecer melhor seu(s) parceiros(s).

Serviço:
Lançamento do livro João e Maria
Dia: hoje (13/11), às 18h
Local: Saraiva MegaStore – Rio Sul – Av. Lauro Muller, 116, Botafogo – 3º piso – Rio de Janeiro
Telefone: (021) 2543-7002
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XIII Encontro Musical da Oficina de 

Música Pri-Si-Lá

A Oficina de Música Pri-Si-Lá apresenta às 19h30, no Teatro Guarany, o XIII Encontro Musical. A exibição contará com a performance de alunos e professores do curso.

Serviço:
XIII Encontro Musical
Dia: hoje (13/11), às 19h30
Classificação: livre
Local: Teatro Guarany – Praça dos Andradas 100, Centro, Santos
Ingressos: R$ 30,00 (inteira)
Informações: (13) 3029-8287  


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