segunda-feira, 22 de outubro de 2012


Oficina de Quadrinho no Cinema         
Ministrada por André Azenha

O mês de novembro começa com histórias em quadrinhos que viraram histórias de cinema. É esse o tema da Oficina Quadrinhos no Cinema, ministrada pelo jornalista André Azenha no Sesc Santos, que abre inscrições no próximo dia 23.
De 6 a 9 de dezembro você confere o início das adaptações das HQs para as telonas, na época das matinês nos EUA, até a evolução dos filmes, que progrediu em 2000 e se estabeleceu.
Produções como os primeiros seriados do Superman, Capitão Marvel e Batman serão analisados e discutidos.
A volta dos quadrinhos às telonas ocorre com Batman Begins, quando começam a ser levados a sério e desencadeiam uma série de adaptações. A Marvel cria seu próprio estúdio cinematográfico e começa um projeto diferente: heróis em filmes-solo para depois reuní-los em só, como é o caso de Batman – O Cavaleiro das Trevas e Os Vingadores ultrapassam US$ 1 bilhão de dólares cada um e a indústria se consolida.
Esta é apenas uma pitada do que o aluno conhecerá. A oficina ocorre de terça a sexta, das 19 às 22 horas. O Sesc Santos fica na Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, Santos. Inscrições e informações: (13) 3278-9800.
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O Anjo Poeta
De Eddy Khaos

O Anjo Poeta, de Eddy Kaos, da editora Literata é a indicação da vez para quem aprecia contos e prosas poéticas.

"Porque as pessoas acreditam em anjos? Eles estão em todas as religiões, são seres iluminados e não levam em conta os registros de nossos atos negativos, portanto não perdoam, já que não cabe a eles julgar.
Anjos eles realmente existem. Não apenas em produções do cinema mundial ou em historias em quadrinhos ou nos animes (desenhos) japoneses. Ou em nossas mentes, em nossos mitos, ou nossos símbolos, ou nossa cultura em geral.
Eles são tão reais quanto seu cachorro que não para de latir no quintal enquanto você brinca com ele, ou sua irmã sapeca que não para de te pentelhar, ou a eletricidade que necessitamos para quase tudo no mundo de hoje. Eles estão presentes, bem aqui, agora, bem perto de você, lendo estas palavras com você. Eles não são bonitos, fofos, confortáveis, íntimos, ou "maneiros". Eles são temíveis e formidáveis. Eles são enormes. Eles são guerreiros. Eles são assassinos do reino celestial".

Conheça o autor, acesse: https://www.facebook.com/eddy.khaos
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No restaurante
Carlos Drummond de Andrade

- Quero lasanha.
Aquele anteprojeto de mulher - quatro anos, no máximo, desabrochando na ultraminissaia - entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria.
Queria lasanha.
O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais.
- Meu bem, venha cá.
- Quero lasanha.
- Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.
- Não, já escolhi. Lasanha.
Que parada - lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato:
- Vou querer lasanha.
- Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.
- Gosto, mas quero lasanha.
- Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede uma fritada bem bacana de camarão. Tá?
- Quero lasanha, papai. Não quero camarão.
- Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?
- Você come camarão e eu como lasanha.
O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:
- Quero uma lasanha.
O pai corrigiu:
- Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada.
A coisinha amuou. Então não podia querer? Queriam querer em nome dela? Por que é proibido comer lasanha? Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou:
- Moço, tem lasanha?
- Perfeitamente, senhorita.
O pai, no contra-ataque:
- O senhor providenciou a fritada?
- Já, sim, doutor.
- De camarões bem grandes?
- Daqueles legais, doutor.
- Bem, então me vê um chinite, e pra ela... O que é que você quer, meu anjo?
- Uma lasanha.
- Traz um suco de laranja pra ela.
Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interessado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez, no mundo, a vitória do mais forte.
- Estava uma coisa, hem? - comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. -
Sábado que vem, a gente repete... Combinado?
- Agora a lasanha, não é, papai?
- Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo?
- Eu e você, tá?
- Meu amor, eu...
- Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.
O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultrajovem. 

Um comentário:

Alvaro Domingues disse...

Uma boa esta oficina de HQs.

Eddy Kaos é gente finíssima.

Eu também quero lasanha.