segunda-feira, 15 de outubro de 2012


Nanoconto
O grito

O grito ecoou na escuridão madrugada afora. Vindo de uma rua qualquer do Centro de Santos, poderia ser um pedido de socorro, ou qualquer coisa do submundo da zona de meretrício.

Use a sua criatividade e dê um final à história, pois esse é o intuito do nanoconto.
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Vem aí a peça
Casal TPM
 
A peça Casal TPM conta a história de um casal com visões diferentes sobre o mundo, mas que não consegue viver um sem o outro. O espetáculo dirigido por Amauri Ernani desce a serra pela primeira vez para apresentação única em Praia Grande, no Palácio das Artes.
No próximo dia 26, às 21 horas, o encontro é marcado com um casal bem complicado, que briga por ter opiniões diferentes e enfrentam conflitos no casamento: o dia a dia, as traições, decepções, ciúmes, desconfianças, aliado às crises de TPM da esposa e muito bom humor.

Serviço:
Casal TPM
Dia: 26/10 (sexta-feira), às 21h
Local: Palácio das Artes - Av. Pres. Costa e Silva, 1600, Trevo, Praia Grande
Ingressos: de R$20,00 a R$40,00 e podem ser comprados na bilheteria do teatro
Ingressos à venda também Boliche Litoral Plaza

Fonte: jornal Diário do Litoral
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Pacto
Mariano da Rosa

Ah! Quando não mais ouvires a minha voz,
Porque tornou-se um eco oco do pretérito,

Como a imitação de um gregoriano cântico...
E as tuas sílabas morrerem, fugitivas,
Nos ângulos agudos das fronteiras das paredes...
Serei o sagrado silêncio de uma igreja
Dentro das ruínas de uma barroca gruta!

Ah! Quando não mais beijares estes meus lábios,
Porque se tornaram mitológicas formas,
Como as tênues linhas das pétalas de rosa...
E a tua saliva se fizer um nó ácido,
Uma gota suja de dor na boca áspera...
Serei o vinho que transborda do cristal,
Que à procura da tua língua esvai-se, todo!...

Ah! Quando não mais tocares as minhas mãos,
Porque se tornaram esboços metafísicos,
Como o cósmico estrépito de muitas asas...
E a tua carícia se fizer assimétrica,
Diante da “Ausência-em-Si”, do “Nada-em-Pessoa”...
Serei a sombra do adeus de um nômade instante,
Um fio de arrebol resistindo ao crepúsculo!...

Ah! Quando não mais vires meu rosto (cógnito),
Porque se tornou um artifício da arte,
Como o busto de mármore de uma escultura...
E a tua face transmutar-se em outra, incógnita,
Diante da corrosiva macrobiose...
Serei uma raiz cirúrgica em teu tórax,
Uma fenda sofrível em teu coração!...

Ah! Quando não mais sentires teu o meu corpo,
Porque se tornou uma silhueta exangue,
Como a arqueológica imagem de um “ex-Ser”...
E os teus femíneos instintos vomitarem
Febris humores, hormônios, secreções múltiplas...
Serei o inodoro que banhará a carne,
E o magma vulcânico fluindo em teu íntimo!...

Ah! Quando não mais tiveres os passos meus,
Porque ininteligíveis signos se tornaram,
Como os rastros sem rumo de qualquer anônimo...
E o teu destino fizer-se um eterno claustro,
Um auto-exílio na Ilha do Desespero...
Serei o prelúdio da tua consciência,
O epílogo histórico da tua vida!...

Quando não puderes mais amar-me – “eu-homem”,
Porque tornei-me um predicado da saudade,
Como o adjetivo de um mais-que-perfeito tempo...
E o amor se fizer platônico, sonambúlico...
Um soro alienista, um néctar anestésico...
Serei um pronome oblíquo entre o Ontem e o Sempre,
Um sujeito oculto – porque morri!... Perdoe-me!

Texto selecionado no 9° Prêmio Paulo Setúbal / Poesias / 2011 e publicado no Suplemento Especial do Jornal O Progresso de Tatuí, Tatuí, 14 ago. 2011, p. 10 (Disponível em:http://issuu.com/oprogresso/docs/paulosetubal2011).
Texto publicado no blog do autor (Disponível em:http://marianodarosapoeta.blogspot.com.br/).

The Enigma of the Oracle, 1910, Giorgio de Chirico
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