sábado, 14 de julho de 2012

Olá, bom dia a todos e que o sábado seja produtivo para nós.
Vamos aos assuntos de hoje: novo livro sobre segregação nas cidades, de Carl Nightingale, afirma ser um relato detalhado de como as cidades foram, por milênios, divididas em linhas raciais.

Autoajuda e lugares comuns estão poluindo o Facebook? Leia mais.

Encontro de escritores na Realejo Livros, hoje, às 18h30.
Tem também no Café Filosófico - O ódio no Brasil, com Leandro Karnal. 
Veja as estreias dos filmes da semana. 
Bem, por hoje é só e amanhã tem mais.
Beijo grande a vocês, leitores do Histórias Fantásticas.
Miriam


Segregação

Novo livro de Carl Nightingale

 

O novo livro sobre segregação nas cidades, de Carl Nightingale, afirma ser um relato detalhado de como as cidades foram, por milênios, divididas em linhas raciais. Na verdade, trata-se de uma história de como o colonialismo afetou a construção, administração e policiamento de grandes áreas urbanas.
Nos últimos 500 anos, europeus brancos com frequência usaram o seu poder econômico e militar para construir e reconstruir paisagens urbanas de modo a garantir a parte mais segura, salubre e agradável das cidades para si. Mesmo em lugares onde o domínio colonial é agora uma memória distante, muitos ambientes urbanos não podem ser entendidos sem a lembrança de suas fundações como um enclave fortificado para europeus determinados a encontrar commodities ou abrir mercados. Calcutá, por exemplo, foi estabelecida em 1690 por um membro da Companhia das Índias Orientais, em desafio ao líder muçulmano local. Mais tarde a cidade indiana chegou a competir com Londres o título de maior metrópole do império britânico.
Tanto o colonialismo em si como as cidades divididas que este gerou alcançaram o ápice nas vésperas da primeira guerra mundial. Conforme europeus migravam em grande quantidade para cantos espalhados de seu império em expansão, a necessidade de lhes oferecer conforto, tanto físico como psicológico, quis dizer que outros grupos foram tratados com mais crueldade.
Nightingale mostra como as raízes do apartheid na África do Sul, por exemplo, são encontradas muito antes do que a vitória do Partido Nacional em 1948; elas se situam no projeto colonial que levou à criação de Joanesburgo meio século antes com áreas de brancos e de não brancos. Isto foi tornado muito mais explícito após 1948 – e isso chocou um mundo em que as ideologias raciais e o colonialismo estavam sendo desafiados e desmantelados. Mas o zelo segregacionista não vicejou no vácuo; antes foi erguido sobre um sistema existente de alocação de espaço que refletia as necessidades de uma elite imperial.
Nightingale, professor da Universidade Estadual de Nova York, em Buffalo, está correto ao assinalar que a segregação pode existir sem um regime formal. Mas sua crença em um punhado de “grandes narrativas” é tão forte que ele às vezes adequa os fatos à teoria. Os demônios que assombram seu universo são as elites imperiais, os mercados de propriedades (os quais ele imagina como um agente e não como um instrumento) e ideologias raciais. Todos esses fatores, ele acredita, operam “de cima para baixo” e frequentemente de maneira coordenada, para avançar os interesses dos poderosos e marginalizar os grupos mais fracos.
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Autoajuda e lugares comuns estão poluindo o Facebook?

 

Há poucos meses correu a notícia de que o fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, teria feito a seguinte declaração ao canal de notícias norte-americano CNN sobre o comportamento dos usuários do Brasil na maior e mais famosa rede social do planeta: “Se por um lado, os brasileiros fazem o Facebook crescer, por outro estragam tudo”.
A notícia era falsa, mas vejam como a redação da “matéria” soou tão factível que enganou muita gente: “Os engenheiros do Facebook estavam pensando em permitir a inserção de imagens no formato gifs animados (imagens com movimento), mas Mark impediu a ideia por causa do Brasil. Segundo Mark, se o Facebook abrir espaço para os gifs, o compartilhamento entre os usuários brasileiros ficará igual ao Orkut, cheio de letrinhas coloridas, se mexendo, com mensagens de carinho e amor”.
Quem usa diariamente o Facebook, e o usa em português, sabe muito bem: as linhas do tempo foram invadidas por frases pretensamente inteligentes, mas de lógicas duvidosas, lugares comuns postados como se fossem descobertas da pólvora, e — as campeãs — mensagens motivacionais, como se a própria rede social tivesse se transformado em um grande e virtual guru de autoajuda, isso sem contar as fotos escatológicas, de animais mutilados e constrangedoras confissões públicas de problemas pessoais.

Alguns exemplos

Umas das mensagens motivacionais mais compartilhadas e “curtidas” no Facebook mostra a imagem da silhueta de uma pessoa escalando um rochedo à beira mar e tendo como pano de fundo o sol ao horizonte. A mensagem exorta ao otimismo: “se você tem 1% de chance, tenha 99% de fé”.
Crítico ao culto da autoajuda, o blog Auto Atrapalha (http://www.autoatrapalha.com.br) observou com perspicácia: “Este é o tipo de mensagem que deveria ter um aviso do Ministério da Saúde. 99% de chances de morrer é maior do que qualquer cigarro, bebida ou os dois juntos!”.
Uma outra mensagem, essa de cunho ativista, diz que se o usuário do Facebook “é contra a violência doméstica e QUALQUER tipo de desrespeito as (sic) mulheres”, então ele tem que compartilhar uma mensagem que, entre outras advertências, faz esta, cujo autor talvez mal tenha notado o machismo implícito na maneira como se diz que uma mulher mal tratada é enxergada:
“Enquanto você a machuca, há um homem pensando que poderia fazer amor com ela”.

‘Eu queria morar no Facebook’

Uma outra mensagem, que começou a circular recentemente no Facebook:
“Queria morar no Facebook, aqui todo mundo é do bem, ama os animais, todo mundo odeia os falsos, todo mundo é amigo, odeia corrupção, é fiel, prefere namorar do que sair, tem a família perfeita, só tem momentos felizes e gosta das pessoas pelo caráter e inteligência e não pela beleza exterior ou pelos bens materiais”.
Isso mostra que, como em tudo na via, também em meio à pieguice, ao politicamente correto e às maçantes correntes pra frente que inundaram o Facebook, em particular, e a internet em geral, há o outro lado da moeda, cunhado por quem consegue fugir um pouco do ronrom virótico da autoajuda e edificâncias que tais via “curtir” e “compartilhar”.
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Encontro de escritores na 

Realejo Livros

Dois autores estarão reunidos na Realejo Livros hoje, às 18h30: Ademir Assunção, jornalista, compositor, escritor e co-editor da revista Coyote e Ademir Demarchi, criador do selo Sereia Ca(n)tadora e da revista Babel. Ambos lançaram livros recentemente - respectivamente “A Voz do Ventríloquo” (selo Edith) e “Pirão de Sereia”, pela própria Realejo  – e participam de um bate-papo. No evento, haverá sessão de autógrafos e leitura de trechos das obras. Durante o encontro, rola a tradicional Happy Hour musical com jazz, bossa e MPB, de Edinho Godoy e Theo Cancello. A entrada é franca.
“A Voz do Ventríloquo” é o sétimo livro de Ademir Assunção. O quinto de poesia. O primeiro pelo Selo Edith (capitaneado por Marcelino Freire e Vanderley Mendonça). Foi premiado no Programa de Ação Cultural (ProAC 2011) para publicação de livros inéditos, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
“Pirão de Sereia” reúne poemas concebidos ao longo dos 30 anos de carreira de Ademir Demarchi, e equivale a 17 livros, ou linhas temáticas. O livro foi contemplado pelo Facult 2010 e é editado pela Realejo, com quem Ademir já publicara “Os Mortos na Sala de Jantar”, de 2007. “Diante da dificuldade de publicação de poesia no país, este trabalho é um ato incisivo, faço um esforço de limpar a gaveta, trazer a público o que tem sido essa escrita e fazer um balanço de seus significados”, explica. 

Serviço:
Encontro com Ademir Demarchi e Ademir Assunção
Dia: Sábado, 14 de julho, às 18h30
Local: Realejo Livros – Av. Marechal Deodoro, 2, Gonzaga, Santos
Haverá MPB, jazz e bossa ao vivo, com Theo Cancello e Edinho Godoy
Entrada franca
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Café Filosófico

O Ódio no Brasil – Leandro Karnal


O que na história e no cotidiano do Brasil nos leva ao ódio e à violência? É possível sempre “amar o povo” (entendido como uma “multidão”), mesmo sendo invasivo, grosseiro, violento em suas manifestações históricas? Índio, negro e europeu: a “alma brasileira” detesta a si mesma? Apenas a fome leva o homem ao gosto pelo mal?

Palestra da série As Razões do Ódio, de Luiz Felipe Pondé.

Gravado no dia 23 de setembro de 2011 em Campinas.
O Café Filosófico CPFL vai ao ar na TV Cultura às 22h.
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Estréias dos filmes da semana

Na Estrada Aventura/Drama – (On the Road) França/Reino Unido/EUA/Brasil, 2012. Direção: Walter Salles. Elenco: Garret Hedlund, Sam Riley, Kristen Stewart, Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Amy Adams, Steve Buscemi, Elisabeth Moss, Terrence Howard, Alice Braga. Duração: 137 min. Classificação: 16 anos. Na Estrada é o título da adaptação ao cinema do livro de Jack Kerouac, On The Road, marco do movimento beatnik. Parcialmente autobiográfico, o romance de 1957 conta a história de Sal Paradise/ Jack Kerouac (Sam Riley), sujeito comum que vive em Nova Jersey e que conhece um alucinante andarilho de Denver, Dean Moriarty/ Neal Cassady (Garrett Hedlund). A personalidade magnética do recém-chegado conquista Sal e juntos partem para conhecer os Estados Unidos numa jornada de autoconhecimento. A direção é do brasileiro Walter Salles.


 

Bem Amadas Drama – (Les Bien-Aimés) França/Reino Unido/República Checa, 2011. Direção: Christophe Honoré. Elenco: Catherine Deneuve, Louis Garrel, Chiara Mastroianni, Ludivine Sagnier, Louis Garrel, Milos Forman, Paul Schneider. Duração: 139 min. Classificação: 14 anos. De Paris na década de 1960 à Londres nos 2000. Retrata a história de vida de Madeleine (Catherine Deneuve e Ludivine Sagnier) e sua filha Vera (Chiara Mastroianni), abordado o relacionamento delas com os homens de suas vidas. Busca responder: como resistir à passagem do tempo e resolver os nossos mais profundos sentimentos?





Fausto Drama – (Faust) Rússia. Direção: Aleksandr Sokurov. Elenco: Johannes Zeiler, Anton Adasinsky, Isolda Dychauk, George Friedrich. Duração: 134 min. Classificação: 14 anos. Estreia no Rio de Janeiro. Adaptação da lenda alemã sobre o médico Fausto, que fez um pacto com o diabo em troca de conhecimento. Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2011.

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