sexta-feira, 1 de junho de 2012


Olá, leitores do Histórias Fantásticas, tenham um excelente dia.
O jornal impresso está com os dias contados? Pelo menos em Nova Orleans, nos Estados Unidos, sim.
Em uma leva de mudanças na língua e no comportamento social, países têm proibido o uso de determinadas palavras. Você acredita no poder que as palavras têm? Leia mais.
Se você gosta de evento Gótico não pode perder a Alquimia Gothic Nights na Confraria São Pedro, dá uma olhada na programação.
Para quem curte cinema, veja os filmes vencedores do Festival de Cannes.
Espero que vocês gostem dos assuntos de hoje e até amanhã.
Beijo grande,
Miriam

Palavras proibidas

Freud é conhecido por grande parte da população por seus estudos sobre a sexualidade e sua investigação dos significados dos sonhos. Uma de suas maiores contribuições, porém, foi para o campo da psicolinguística, área que estuda os fenômenos da língua e seus significados. Para ele, erros e deslizes comuns na fala denunciavam os verdadeiros motivos ou medos do falante.
Em uma leva de mudanças na língua e no comportamento social, países têm proibido o uso de determinadas palavras. É o caso da França que recentemente decidiu excluir dos documentos oficiais a palavra Mademoiselle (senhorita), que denunciaria o estado civil da mulher. Enquanto a palavra Monsieur (senhor) não designaria a situação matrimonial. A iniciativa, segundo o governo, visa contribuir para o fim da discriminação entre homens e mulheres.
Para o linguista norte-americano Noam Chomsky, deletar ou proibir o uso de uma palavra não acaba com o preconceito em si. “Deletar uma palavra pode até mesmo ter um impacto negativo, estimulando a raiva pelo esforço de suprimir pontos de vista, que por mais que nós possamos nos opor, são defendidos com compromisso e, geralmente, paixão. Supressão não é a abordagem correta;  e sim educação”,
James W. Pennebaker, chefe do Departamento de Psicologia da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, acredita ser difícil definir como o não-uso de uma palavra afeta um comportamento. “Existem evidências de que o modo como usamos as palavras para nos referirmos a determinado grupo pode influenciar o que pensamos sobre este grupo. O problema é que a própria maneira como nós começamos a mudar o nosso pensamento sobre esse grupo também afeta como nos referimos a esse grupo”, esclareceu.
O Brasil também tem se posicionado em relação ao uso de palavras que privilegiem uma visão mais igualitária. É o caso recente da polêmica envolvendo determinadas acepções da palavra “cigano” no dicionário Houaiss: burlador; aquele que trapaceia; sovina. Apesar de a publicação explicitar que se trata de uso pejorativo, o Ministério Público Federal considera as expressões preconceituosas e ofensivas e, por isso, entrou com uma ação na Justiça Federal em Uberlândia, Minas Gerais, para proibir a circulação do livro.
Os termos favela e comunidade são outras palavras que tiveram seu uso modificado ao longo dos anos, como mostra o estudo do jornalista Átilas Campos. No Rio de Janeiro, as favelas eram vistas como espaços urbanos marginalizados até meados da década de 1980. A partir de então, o governo estadual adotou a política de urbanização das favelas – e não mais sua remoção.
O Plano Diretor de 1992 criou a definição oficial do que seria favela. Assim, os espaços favorecidos pelo programa “Favela Bairro”, implementado em 1994, passaram a não ser mais considerados favelas, segundo o próprio Plano Diretor. Apesar de o termo comunidade começar a ser mais utilizado, atualmente, por convenção, designa apenas as favelas que foram pacificadas e receberam a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Muitos desses locais, porém, se enquadram ainda como favela, de acordo com a definição adotada pelo Plano Diretor.
Seja senhorita, cigano ou favela, o uso ou a proibição revelam o poder que as palavras têm – ainda subestimado por nós. Se os conceitos expressos por esses termos designam algo ‘pejorativo’ conscientemente, por outro lado não são acepções que bastam por si. Elas estão inseridas em um contexto cultural, social e temporal distintos e são modificadas segundo os nossos desejos inconscientes.
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Nova Orleans sem jornal diário

Depois de sua cobertura do furacão Katrina, em 2005, ele foi considerado um símbolo da resistência de Nova Orleans, Estados Unidos. Porém, não resistiu aos novos tempos do jornalismo digital. O importante jornal The Times-Picayune, de Nova Orleans, anunciou que deixará de circular diariamente. Com 175 anos de existência, o veículo passará agora a ser impresso apenas três vezes por semana – quarta, sexta e domingo, dias de maiores vendas. Além disso, a editora Advance Publications anunciou que irá impor cortes na equipe para reduzir custos, e mudará o foco do jornal para a expansão da cobertura online.
Com a decisão, Nova Orleans será a primeira cidade norte-americana sem um grande jornal diário. O que poderá se tornar uma tendência para os veículos de duas mídias (publicação na internet e impressa), segundo o grupo Advance Publications, que edita o Times-Picayune. A agência prometeu um “jornal mais robusto” nas versões impressas e um serviço online “consideravelmente aumentado”, 24h por dia.
Em 2005, antes do Katrina, o Times-Picayune tinha tiragem diária de 261 mil exemplares; em março deste ano, ela era de 132 mil. Segundo dados do Audit Bureau of Circulations, jornais norte-americanos acima de 25 mil exemplares apresentaram queda de 21% na tiragem entre 2007 e 2012.

Fonte: Observatório da imprensa - Times-Picayune, de Nova Orleans,deixa de ser diário
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Confraria São Pedro
Alquimia Gothic Nights

No sábado, 2/6, acontece a Alquimia Gothic Nights na Confraria São Pedro. A edição Especial conta com Lycia e Mephisto Walz - Guest Djs: Tony (Black Sundays) e Morpheus Affinito (De Profundis), além de: Stands, Exposição de Zines, Sarau, Performance de Dark and Gothic Fusion com as meninas do Wipsy, sorteios de duas garrafas de Absinto, um Tarot Vampírico, cult movies: O Abominável Dr. Phibes e O castelo Assombrado (Vincent Price). Distribuição de 20 DVDs do Christian Death aos 20 primeiros convidados pagantes e muito mais.

Serviço:
Alquimia Gothic Nights
Dia: 2/6, às 23h
Local: Rua Albuquerque Lins, 184, Santa Cecília, São Paulo (próximo ao metrô Marechal Deodoro)
Valor: R$ 10,00, em dinheiro

Mais informações:
http://www.facebook.com/photo.php?fbid=418553034841651&set=a.388687014494920.89952.100000608732517&type=3
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Cinema, Festival de Cannes
‘Amour’ conquista a Palma de Ouro

Dentre os 22 filmes exibidos na 65ª edição do Festival de Cannes, quatro deles – Amour, de Michael Haneke; Mud, de Jeff Nichols; Holy Motors, de Leos Carax e Beyond The Hills, de Cristian Mungiu – se destacaram, sendo considerados francos favoritos para o principal prêmio do festival, a Palma de Ouro. Mud e Holy Motors saíram de mãos vazias, mas Haneke e Mungiu, ambos já com uma Palma no currículo, voltaram a receber prêmios, desta vez do júri comandado pelo cineasta italiano Nanni Moretti. O austríaco Haneke já havia conquistado a Palma de Ouro em 2009 com A Fita Branca.
No campo da atuação, os favoritos Garrett Hedlund (de Na Estrada, o filme novo do brasileiro Walter Salles) e Marion Cotillard (de Rust and Bone) acabaram sem prêmios que foram para o dinamarquês Mads Mikkelsen, que vive um professor acusado de pedofilia em The Hunt, de Thomas Vinterberg; e para a dupla de Beyond The Hills, as romenas Cosmina Stratan e Cristina Flutur.
O filme de Mungiu também levou o prêmio de melhor roteiro. A surpresa da cerimônia de encerramento ficou por conta do prêmio de melhor direção, entregue ao mexicano Carlos Reygadas, por Post Tenebras Lux.
O prêmio Camera D’Or, dado a um cineasta estreante, foi para o norte-americano Benh Zeitlin, diretor do elogiadíssimo Beasts of the Southern Wild.

Vencedores da 65ª edição do Festival de Cannes:

Palma de Ouro: Amour, de Michael Haneke

Grande Prêmio: Reality, de Matteo Garrone
Prêmio do Júri: The Angels’ Share, de Ken Loach
Prêmio de Interpretação Masculina: Mads Mikkelsen, por The Hunt
Prêmio de Interpretação Feminina: Cosmina Stratan e Cristina Flutur, por Beyond The Hills
Prêmio de Direção: Carlos Reygadas, por Post Tenebras Lux
Prêmio de Roteiro: Cristian Mungiu, por Beyond The Hills
Prêmio Camera D’Or: Beasts of the Southern Wild, de Benh Zeitlin
Prêmio de Curta-Metragem: Silent, de L. Rezan Yesilbas 

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