segunda-feira, 31 de dezembro de 2012


RETROSPECTIVA 2012


Lá se foi mais um ano e tenho certeza de que realizei muitas coisas. Nem todas de minha lista, pois é, fiz uma listinha no dia 31 de dezembro de 2011 para realizar meus desejos neste ano, só que muita coisa não consegui fazer, que pena.
Vou fazer mais uma lista para 2013, vamos ver se agora vai!
Na verdade o ano que termina sempre não acaba sendo de grande realizações porque exigimos demais e queremos fazer mais. Bem, pelo menos isso acontece comigo, só que o cansaço da correria do dia a dia nos deixa estressados e sem forças para conseguirmos fazer tudo o que nos propomos. Então, acho que neste ano só colocarei três coisas na minha lista. Acho que isso será mais sensato.
Bem, em 2012 eu consegui escrever mais que no ano anterior, consegui lançar meu blog que está indo muito bem, consegui ler alguns livros interessantes, fui a vários eventos legais, visitei amigos da Sabesp e da Faculdade de Letras, amigos queridos que moram no meu lado esquerdo, viajei em maio e em outubro, visitei minha enteada duas vezes e passeamos muito.
Outra realização, aliás, foi a mais importante do ano, foi ter sido selecionada pela Prefeitura de Santos para participar do Momento do Autor, com o conto A Moça de Paranapiacaba. A edição VII do projeto realizou-se no dia 20 de maio, no Dia da Virada Cultural. Nossa, foi uma glória.
Uma grande alegria também foi ter aparecido no prédio onde moro um gatinho preto que chamamos de Chorão, ele recebeu uma crônica e está até hoje nos alegrando. 
TEM TAMBÉM FOTOS DA RETROSPECTIVA 2012, LOGO MAIS ACIMA EM PÁGINAS (JUNTO COM CONTOS, MINICONTOS ETC).
Amigos, tenham um bom ano. 
Grande beijo,
Miriam 


Bom dia queridos amigos! Chegamos a mais um final de ano e começo de outro, e por isso, vamos torcer para que 2013 seja melhor para todos. Lá no meu serviço uma colega falou que este é o ano da família e que será de grandes realizações. Espero mesmo que o Ano-Novo traga muita felicidade para todos.

É isso aí, muita paz, saúde, amor e grandes eventos para nós.

Como vou comemorar hoje e amanhã, deixo aqui algumas poesias e felicitações para os dois dias 31/12 e 1° janeiro.

Até ano que vem!!!!



 

Receita de Ano-Novo

Carlos Drummond de Andrade

 

Para você ganhar belíssimo Ano-Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano-Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano-Novo 
cochila e espera desde sempre.

 

Esperança

Mário Quintana

 

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
- Ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA

 


                                       
                   Feliz ano morto
                                  Marcos Henrique Martins


Ouço na porta o cântico da realidade. Um coral que canta desafinado todas minhas frustrações do ano que está prestes a morrer. (Afinados são meus infortúnios).

Gostava mais dos anos dos dentes de leite, pois não me pegava em falecidos sentimentos, pois o único enterro que quis ir foi o que não pude segurar na alça do caixão.

Porque as feridas sempre se abrem um dia antes da morte do ano velho? Essas feridas que me moldaram ao longo dos tempos opacos, coloridos, esperançosos e confusos.

Imagens circulam aqui e açula. Me enchem, esvaziam-me, acolhe e beijão minhas lágrimas.

Meu corpo continua preso, e sou tão consciente disso que, sei que não adianta, por mais que sonhe nunca poderei voar com essas asas atrofiadas que nasceram em minhas costas curvadas. (O nunca é malvadamente infinito).

Gostaria de ter uma agenda lotada para não ter que saldar a morte do ano velho que pari as duras penas – sem anestésicos -, o novo que chega com sua esperança, insuportavelmente, inocente. O novo. Com velhos lobos e novos figurantes, uns não tão novos assim.

Fico em teu velório meu velho amigo, até o último minuto, até o último segundo em que você povoa a terra. No entanto, não vou segurar tua mão úmida e engelhada, nem corrigir as imperfeições das flores colocadas, às presas, em teu caixão. Lá fora, gritam por um nome que não é o teu, o teu já se esqueceram de pronunciar.

Feliz ano morto, vida nova;
Feliz ano morto, minha cara alma;
Feliz ano morto, minha fé flácida;
Feliz ano morto, todas as promessas que nunca vou cumprir;
Feliz ano morto, para todos que nesse dia sofrem por ainda estarem cheios de lembranças geriátricas que lutam para se manterem, inutilmente, vivas antes da meia noite, porém irão se perder nos labirintos de um corpo novo, de um ano novo, de uma vida esperançosamente confusa.


Feliz Velho Ano-Novo

Cesar Carvalho

 

Dessa multidão fazemos parte
desse mundão nos fortalecemos
em vida a ousadia de um descarte
dissolve-se em que sobrevivemos

dia a dia a correria de um trajeto
simbólico rumo de posse mensageiro
tráfego em passos curvos em projeto
direcionada ao destino verdadeiro

bons modos nos atrai em aliança
carregado a um pé de fortaleza
a cada segundo nosso tempo avança
passa-se o ano sem muitas surpresas

doze meses sempre com mesmo nome
em sequência crescente se desfazendo
em carne e osso o tempo nos consome
do primeiro minuto vamos envelhecendo

só muda o nosso viver experiente
aprendemos com as pancadas exibidas
exercitando no pensar de sua mente
em cefálica se crescem destemidas

inexplicável se de você não lembrasse
abriria a porta do regresso humano
de todo coração em magia de grande passe
desejo a você amigo feliz final de ano 

domingo, 30 de dezembro de 2012


Bom dia. Segue o conto “O homem que espalhou o deserto”, de Ignácio de Loyola Brandão. Importante texto que serve de reflexão sobre a prática danosa da derrubada de árvores indiscriminada, uma tendência mundial de devastação da natureza.

O homem que espalhou o deserto
Ignácio de Loyola Brandão

Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome, filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia-a-dia, constante, de manhã à noite.
Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ia à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.
A mãe, muito contente, apesar de o filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não freqüentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas chamando os incautos. Seu único prazer eras as tesouras e o corte das folhas.
Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro, que era imenso, tinha mais de cinqüenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.
Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.
Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado. Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvores, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenhas arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo.
E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.
E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho a sua profissão.

 

Conto retirado do livro Para Gostrar de Ler volume 8 – contos – 1991, página 42

 

Conhecendo Ignácio de Loyola Brandão

 

Ignácio de Loyola Lopes Brandão nasceu em Araraquara - SP, no dia 31 de julho de 1936, dia de Santo Ignácio de Loyola, filho de Antônio Maria Brandão, contador, funcionário da Estrada de Ferro Araraquarense, e de Maria do Rosário Lopes Brandão. Foram, ao todo, cinco irmãos: Luiz Gonzaga (1933), Francisco de Assis (1934 - já falecido), Ignácio, José Maria (1946 - já falecido) e João Bosco (1953). 

Inicia seus estudos na escola primária de D. Cristina Machado, em 1944, onde cursa o primeiro ano. No ano seguinte transfere-se para a escola da professora D. Lourdes de Carvalho. Seu pai, que chegou a publicar histórias em jornais locais e que conseguiu formar uma biblioteca com mais de 500 volumes, o incentivou a ler desde que foi alfabetizado. Fascinado por dicionários, chegou a trocar com seus colegas de classe palavras por bolinhas de gude e figurinhas. Mais tarde, esse fato acabou se transformando no conto "O menino que vendia palavras", primeiro a ser publicado pelo autor. 

Em 1955, inicia o curso científico, muito embora admita hoje que foi por engano. "Deveria ter me inscrito no clássico, mais apropriado para quem pretendia se dedicar a Humanas". 

A Folha Ferroviária, semanário da cidade de Araraquara, publica no dia 16 de agosto de 1952 uma crítica do filme "Rodolfo Valentino", primeiro texto de Ignácio. Dias depois, o jornal Correio Popular daquela cidade a reproduz. 
Dado o primeiro passo, o precoce escritor passa a escrever reportagens, críticas de cinema e entrevistas em outro diário de Araraquara, O Imparcial. Nele aprende a arte da tipografia, lidando com composição com linotipo, clichê em zinco e paginação em chumbo. Em 1955 inaugura a primeira coluna social da cidade. 

 

Obras do autor: 
Contos: 
Depois do sol, Brasiliense, 1965 
Pega ele, Silêncio, Símbolo, 1976 
Cadeiras proibidas, Símbolo, 1976 
Cabeças de segunda-feira, Codecri, 1983 
O homem do furo na mão, Ática, 1987 
O homem que odiava segunda-feira, Global, 1999 

Romances: 
Bebel que a cidade comeu, Brasiliense, 1968 
Zero, Brasília/Rio, 1975 
Dentes ao sol, Brasília/Rio, 1976 
Não verás país nenhum, Codecri, 1981 
O beijo não vem da boca, Global, 1985 
O ganhador, Glogal, 1987 
O anjo do adeus, Global, 1995 

Infanto-juvenil: 
Cães danados, Belo Horizonte Comunicações, 1977. Reescrito e publicado com o título "O menino que não teve medo do medo", Global, 1995. 
O homem que espalhou o deserto, Ground, 1989 


Viagens: 
Cuba de Fidel: viagem à ilha proibida, Livraria Cultura, 1978 
O verde violentou o muro, Global, 1984 

Relatos autobiográficos: 
Oh-ja-ja-ja (Diário de Berlim, inédito em português). Tradução de Henry Thorau. LCB, 1982 
Veia bailarina, Global, 1997 


Cartilha: 
Manifesto verde, Círculo do Livro, 1985 e Ground, 1989 

Crônicas: 
A rua de nomes no ar, Círculo do Livro, 1988 
Strip-tease de Gilda, Fundação Memorial da América Latina, 1995 
Sonhando com o demônio, Mercado Aberto, 1998 

Biografias: 
Fleming, descobridor da penicilina, Ed. Três, 1973 
Edison, o inventor da lâmpada, Ed. Três, 1973 
Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, Ed. Três, 1974 

Antologia: 
Os melhores contos de Ignácio de Loyola Brandão, organização de Deonísio da Silva, Global, 1994 

Traduções: 
Para o alemão: 

Null (Zero), Suhrkamp, 1979 
Kein land wie dieses (Não verás país nenhum), Suhrkamp, 1984 

Para o coreano: 
(Zero), Seto, 1990 

Para o espanhol: 
Cero (Zero), Galba, 1976 
El hombre que espandió el desierto (O homem que espalhou o deserto), Global - México, 2000 


Para o húngaro: 
(Zero), JAK, 1990 

Para o inglês: 
Zero, Avon Books, 1983 
And still the earth (Não verás país nenhum), Avon Books, 1984 

Para o italiano: 
Zero, Feltrinelli, 1974 
Non vedrai paese alcuno (Não verás país nenhum), Mondadori, 1983 
Vietat le sedie (Cadeiras proibidas), Marietti, 1983 

Adaptações: 
Para o teatro: 

Não verás país nenhum. Direção de Júlio Maciel, Fortaleza, Teatro José de Alencar, 1987 (baseado no romance homônimo) 

Para o cinema: 
Bebel, a garota-propaganda. Direção de Maurice Capovilla, 1986 (baseado no romance Bebel que a cidade comeu) 
Anuska, manequim e mulher. Direção de Francisco Ramalho, 1969 (baseado no conto Ascensão ao mundo de Annuska"). 

 -----------------------------------

Dica de cinema para o domingo

A Vida de PI

 

Ontem fui assistir A Vida de PI, filme maravilhoso sobre o naufrágio de um rapaz indiano que se vê só num bote salva-vidas com um tigre-de-bengala.

Tem cinema que está passando o longa em 2D, mas não vale a pena pois o filme é em 3D, tornando-o deslumbrante num cenário encantador.

 

A Vida de Pi

Título original: Life of Pi
De: Ang Lee
Género: Drama, Aventura
Classificação: 12 anos
EUA, 2012, Cores, 127 min.

Sinopse: Durante toda a sua existência, o jovem Pi (Gautam Belur/Suraj Sharma/Ayush Tandon/Irrfan Khan nas várias idades) viveu na Índia, num jardim zoológico administrado pela família. Leitor voraz, alimenta a sua curiosidade com tudo o que se relacione com hinduísmo, budismo e cristianismo, assimilando e tendo a mesma fé nas três religiões. Até que a família decide mudar-se com os animais para o Canadá e o navio em que viajam naufraga. Pi inicia então a maior aventura da sua vida, dando por si à deriva num pequeno bote salva-vidas com uma hiena, uma zebra de perna partida, um orangotango e um tigre-de-bengala. Apenas Pi e o tigre sobrevivem à primeira semana. Depois, partilham o mesmo bote durante 227 longos dias no mar. O filme foi baseado no romance de Yann Martel, vencedor de um Booker Prize e publicado em mais de 40 países.
Veja o trailler, acesse:

sábado, 29 de dezembro de 2012


Estreia o longa nacional 
De Pernas pro Ar 2

Entrou em cartaz ontem o filme De Pernas pro Ar 2, com Ingrid Guimarães, Heloísa Périssé, Paulo Gustavo, Luís Miranda, Flávia Alessandra, Maria Paula, Bruno Garcia. A direção, mais uma vez, é de Roberto Santucci, que também fez o sucesso "Até que a Sorte nos Separe".
Existe uma diferença bastante perceptível entre o primeiro filme De Pernas pro Ar e o segundo: o tom do filme.  O longa de 2011, a maior bilheteria nacional daquele ano, com 3,5 milhões de ingressos vendidos, falava muito mais abertamente de sexo.
Nesta sequência, o pudor toma conta, como se, ao priorizar o potencial comercial e a necessidade de uma classificação etária mais baixa, De Pernas pro Ar 2 procurasse tornar-se um filme família.
Assinada novamente por Marcelo Saback e Paulo Cursino, a trama, em linhas gerais, não difere muito do primeiro filme - no qual Alice (Ingrid Guimarães) se redescobria como mulher e reinventava sua carreira graças ao ramo das sex shops.
Aqui, ela já está estabelecida profissionalmente - sócia de Marcela (Maria Paula) na Sex Delícia - e o casamento com João (Bruno Garcia) está muito bem, embora o vício dela de trabalhar o tempo todo seja motivo de algumas brigas.
Como sugerido ao final do primeiro longa, a dupla vai abrir uma loja em Nova York. Mas pouco antes disso, Alice tem um surto e acaba indo parar numa clínica de repouso, onde conhece tipos estranhos, como um jogador de futebol viciado em sexo (Luiz Miranda) e um sujeito igualzinho a ela, Ricardo (Eriberto Leão), que também só pensa em trabalho.
Os personagens vão para Nova York, em supostas férias. Para Alice, a viagem é a chance de assinar contrato com investidores norte-americanos para a loja. Coincidentemente, Ricardo também está na cidade, porque ele trabalha exatamente para as mesmas pessoas que querem investir na filial da Sex Delícia.
Marcela se apaixona pelo rapaz, que está interessado em Alice, cujo casamento está entrando numa nova crise porque ela vive fugindo dos passeios com o marido e o filho.
Quem novamente, quem rouba a cena é a experiente atriz Denise Weinberg, no papel da mãe tresloucada de Alice. 

Veja o trailler, acesse:
----------------------------------------

Mostra fotográfica da Noruega

Entrada gratuita na Pinacoteca 

Benedicto Calixto

 

A Pinacoteca Benedicto Calixto abriga mostra com 50 obras dos fotógrafos noruegueses Verena Winkelmann, Rune Johansen e Per Berntsen. A exposição Três fotógrafos noruegueses permanece até o dia 27 de janeiro.

As imagens exibem faces menos turísticas do país e foca em sua população, dando ao visitante a chance de conhecer diversos aspectos da Noruega, além da natureza da região. As fotografias de Verena Winkelmann apresentam grandes e pequenas cidades do sudeste da Noruega, assim como Rune Johansen, que mostra casas isoladas, no norte da Noruega e várias fotografias de Lofoten, o arquipélago que se estende do litoral do continente para o mar.

Já nas imagens de Per Berntsen, os detalhes e as amplas vistas caracterizam o trabalho do fotógrafo.

O objetivo da mostra é promover a integração cultural entre o Brasil e a Noruega. A exposição itinerante também será apresentada em outras seis cidades brasileiras: Brasília, Manaus, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Serviço:

Mostra fotográfica da Noruega

Quando: até dia 27 de janeiro - de terça a domingo, das 9h às 18h

Local: Pinacoteca Benedicto Calixto - Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Embaré, Santos

Telefone: (13) 3288-2857





sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Bom dia, hoje deixo uma crônica de Lygia Fagundes Telles, extraída do livro “As cem melhores crônicas brasileiras”, da Editora Objetiva. .

Crônica “Então, adeus!”

Lygia Fagundes Telles


Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:

- Vejo que aprecia essas imagens antigas – sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: – Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?


Solícito e trêmulo, foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas e grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos… Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.
- Volte sempre – pediu-me.

- Impossível – eu disse. – Não moro aqui, mas, em todo o caso, quem sabe um dia… – acrescentei sem nenhuma esperança.
- E então, até logo! – ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.
Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?… “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma idéia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!…

Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerá-las nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.
- Até logo! – eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.

Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. “Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”
Nesta mesma noite houve o clássico jantar de despedida em casa de uma casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.

Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.

- Boa noite!

Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.
- Que coincidência… – balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer. – Eu não esperava vê-lo… tão cedo.
Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era com se ele tivesse adivinhado meu pensamento quanto nos despedimos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com a minha surpresa. “Eu não disse, até logo?”os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.
Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho…”
Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:

- Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?

Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para o velhinho lá na ponta da mesa.

- Ah, não sei… Antes eu sabia, mas agora já não sei.

--------------------------------

Hoje é dia do nascimento 

de Stan Lee

 

Stanley Martin Lieber (Nova York, 28 de dezembro de 1922), mais conhecido como Stan Lee, é um escritor, roteirista, editor, publicitário,produtor e empresário norte-americano, que, em parceria com outros desenhistas — especialmente Jack Kirby e Steve Ditko — criou, a partir dos anos 1950, super-heróis complexos e problemáticos, dando ao gênero um tom mais "humano", "verídico", na contramão da principal editora de HQs de super-heróis da época, DC Comics, detentora dos direitos de personagens famosos como Superman, Batman e Mulher-Maravilha, que seguiam no tom de super-heróis "invencíveis", "insuperáveis", revolucionando o gênero[1][2]. Seu sucesso foi fundamental para transformar a Marvel Comics, de uma pequena editora de HQs, para uma das maiores corporações multimídia de entretenimento do mundo.
Entre suas maiores criações estão, Homem-Aranha, Incrível Hulk, Homem de Ferro, X-Men, Demolidor, Thor, Os Vingadores e Quarteto Fantástico.