segunda-feira, 16 de setembro de 2019


César Vallejo no Cantinho da Poesia

Bom início de semana a todos nós!
Para esta segunda, a coluna Cantinho da Poesia traz o poeta peruano César Vallejo, com tradução de Jorge Henrique Bastos.
Abraços.

Isto
Sucedeu
isto entre duas pálpebras; tremi
no ventre, colérico, alcalino,
parado junto ao equinócio lúbrico
ao pé do frio incêndio que me devasta.

O resvalo alcalino, digo,
mais perto do alho, sobre o sentido da calda,
no interior da ferrugem,
no ir da água e no rolar da onda.

O resvalo alcalino, também,
era enorme na montagem colossal
do céu.

Que dardos e arpões lançarei, se morrer
no ventre hei de dar em folhas de plátano sagrado
meus cinco ossos subalternos,
e no olhar o próprio olhar!

(Dizem que nos suspiros criam-se
acordeões ósseos, táteis;
dizem que quando morrem os que se acabam assim,
falecem fora do relógio, a mão
a segurar um sapato solitário)

Compreendendo tudo, coronel,
e tudo no sentido lastimável desta voz
castigo-me: extraio tristemente
durante a noite, as minhas próprias unhas
depois não possuo nada e falo sozinho,
inspeciono os semestres
e para encher as minhas vértebras, toco-me.

OUVE a massa, o teu cometa, escutai-os, não venhas carpir
a memória, gravíssimo cetáceo;
ouve a túnica com que estás sonâmbulo,
ouve a tua nudez, detentora do sonho.

Narra-te segurando
a cauda de fogo e os chifres
em que acaba a crina do rasto atroz;
rompe-te em círculos,
forma-te, mas em colunas curvas
descreve-te atmosférico, ser vaporoso,
ao passo reforçado do esqueleto.

A morte? Impugna todo o vestido!
A vida? Obsta parte da tua morte!
Fera venturosa, pensa,
deus desgraçado, despoja-te da fronteira.
Falaremos em breve.


César Abraham Vallejo Mendoza
Poeta peruano, nascido em Santiago de Chuco, a 16/03/1892, de tendência vanguardista foi unanimamente considerado pela crítica especializada como um dos maiores poetas hispano-americanos do século XX e o maior poeta peruano, tendo sido também contista, romancista, dramaturgo e ensaísta. 
Vallejo, que faleceu em Paris, França no dia 15/04/1938, deixou grande obra, destacando-se Trilce, Los Heraldos Negros, Poemas Humanos, El Tungsteno, España aparta de mí este cáliz, La piedra cansada, Colacho Hermanos o Presidentes de América, entre outros. 

sábado, 14 de setembro de 2019


Dica de evento cultural beneficente
Festival da Juventude em Praia Grande traz atividades nos finais de semana

A Administração Municipal de Praia Grande organiza em setembro eventos para o público jovem da Cidade, que já atinge 75 mil.

Nos dias 14 e 15 (das 10h às 22h), acontece o Praia Games, evento que comemora seus 10 anos com foco em games, competições, workshops, painéis de debate, concursos e tudo relacionado ao mundo Geek. Estarão presentes diversos artistas (dubladores e youtubers, entre outros). Para participar das competições, basta se inscrever durante o próprio evento através da doação de um pacote de 400 gramas de leite em pó, que serão doados para o Fundo Social de Solidariedade.

Na Feira dos Estudantes, realizada entre os dias 23 e 25 (das 9h às 22h), os jovens da região poderão conhecer as oportunidades e opções de faculdade, cursos técnicos e cursos de idiomas. Cerca de 20 instituições de ensino estarão presentes com estandes e palestras.



Encerrando o mês ocorre nos dias 28 e 29, a partir das 12h, o F.E.R.A. – Festival de Esportes Radicais, que contará com diversas modalidades,  como skate, crossfit e parede de escalada. Os mais experientes poderão competir valendo premiações. Para participar é necessário doar 1 kg de alimento não perecível.

As atividades acontecem no Pavilhão de Eventos Jair Rodrigues - Av. Ministro Marcos Freire, na altura do nº 6.420, no bairro Quietude. 

Fonte: site da prefeitura de praia grande 

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Dica de leitura
A Última Mulher de Luiz Alfredo Garcia-Roza

Olá, excelente sexta-feira a todos nós.
Recebi por e-mail dica de leitura de Carlos Jonas, leitor do Histórias Fantásticas sobre o livro A Última Mulher.
Então fica a dica e agradecemos a participação de nosso leitor.


Imagem pública
Em A Última Mulher, da Companhia das Letras, Luiz Alfredo Garcia-Roza apresenta novamente o delegado Espinosa que se envolve em jogo de gato e rato que conta com um cafetão bem-sucedido, sua nova prostituta favorita e outras figuras da Lapa profunda.
Ratto é um cafetão da Lapa, coração do Rio de Janeiro, que, acompanhado de seu sócio, Japa, consegue tirar uma pequena fortuna todo mês. Quando um violento policial resolve chantageá-lo, querendo abocanhar parte do quinhão, Ratto precisa desaparecer dali e arranjar um jeito de sobreviver. Refugiado em Copacabana, ele conhece Rita, uma prostituta jovem e muito inteligente que vira sua protegida, mas logo ambos se veem em meio a uma caçada pelas ruas e becos escuros da cidade.
O delegado Espinosa, que conhece Ratto dos seus tempos de inspetor da 1ª DP, no Centro, é forçado a entrar no caso quando começam a surgir mulheres mortas com requintes de crueldade. Auxiliado pelos inspetores Welber e Ramiro, Espinosa precisa entender quem é a mente por trás de crimes tão brutais para impedir que Rita seja a próxima vítima.

Imagem pública
Nasceu em 1936, no Rio de Janeiro. Formado em Filosofia e Psicologia, foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é autor de oito livros sobre psicanálise e filosofia. Deixou a vida acadêmica para dedicar-se à ficção policial e às investigações do delegado Espinosa, personagem central de quase todas as suas histórias.
Em 1996, Garcia-Roza iniciou sua vida profissional como literato e publicou o primeiro livro de romance policial, intitulado “O Silêncio da Chuva”, obra vencedora do Prêmio Jabuti (principal premiação do gênero no Brasil). O personagem criado para a obra, o detetive Espinosa, obteve tamanho sucesso que se tornou recorrente em quase todas as outras narrativas criadas pelo escritor, especialmente nas duas publicações seguintes: “Achados e Perdidos” e “Vento Sudoeste”.
As obras de Luiz Alfredo Garcia-Roza se passam em um cenário específico e existente na realidade, em plena Copacabana, onde está a delegacia de Espinosa, podendo dar uma passeada até outro bairro carioca, o Peixoto. A influência psicanalítica nas obras literárias do autor é óbvia, mas o público leitor é totalmente distinto. O mergulho nas características de personalidade dos personagens é facilmente percebido mesmo nas leituras mais desatentas, isso porque Garcia-Roza alia seu eu-filósofo, eu-psicanalista e o eu-literato.
Apaixonado pelo Rio de Janeiro, Luiz Alfredo Garcia-Roza também se dedicou a mostrar visões bem particulares e peculiares da capital.


SEXTA-FEIRA TREZE!
Redobre os cuidados com seu pet

A sexta-feira Treze é um dia bastante perigoso para os gatos de cor preta. Por conta da “crença” de que trazem má sorte, esses animais são procurados para realização de rituais que são dolorosos e cruéis.
Portanto, vale redobrar a atenção e os cuidados com os pets! Se você tem um gato ou cachorro preto em casa, evite que ele tenha acesso à rua nos próximos dias. Fique atento também aos bichinhos sem lar que podem estar em risco.
Lembre-se de que nesta época e em todas as outras, é preciso denunciar qualquer caso de maus tratos. O artigo 32 da Lei Federal 9605/98 (Lei dos Crimes Ambientais) prevê pena de 3 meses a 1 ano de detenção para quem praticar atos de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais.




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quinta-feira, 12 de setembro de 2019


Dicas da Língua Portuguesa
Litote, você sabe o que é?

Olá, bom dia.
Na coluna desta quinta-feira, vamos tocar no significado de Litote, assunto que causa confusão. 
Pelo que me lembro sobre o assunto, aproveitei para relembrar a informação no site Toda Matéria com a professora Daniela Diana.

Litote é uma figura de linguagem usada para abrandar uma expressão por meio da negação do contrário, como por exemplo: Eu não estou feliz com a notícia da prefeitura. Nesse exemplo, a expressão “não estou feliz” atenua a ideia de “ficar triste”.
Lembre-se que essas palavras de significados opostos são chamadas de antônimos, por exemplo: bom e mau, feliz e triste, caro e barato, bonito e feio, rico e pobre etc.
O litote é muito utilizado na linguagem coloquial (informal) e geralmente o locutor tem o intuito de não dizer diretamente o que se pretende. Além disso, ele é empregado nos textos literários porque algumas vezes a expressão pode soar desagradável ou mesmo ter um tom agressivo para o ouvinte.



Alguns exemplos:

Joana pode não ser das melhores alunas da classe. (é ruim, ou seja, não é boa)
Essa camisa não é cara. (é barata)
Seus conselhos não são maus. (são bons, ou seja, não são maus)
Rafael não está certo sobre o crime. (está errado)
Essa bebida não está quente. (está fria)
Sofia não é nada boba. (é esperta)
Manuela não dançou bem na apresentação da escola. (dançou mal, ou seja, não dançou bem)

Espero ter contribuído no esclarecimento de dúvidas, obrigada, abraços.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Dica cultural
Exposição Pretatitude – Emergências, Insurgências e Afirmações

A mostra gratuita, que acontece no Sesc Santos, de 11 de setembro a 26 de janeiro de 2020, com curadoria de Claudinei Roberto da Silva, apresenta um recorte da produção afro-brasileira contemporânea a partir de trabalhos de artistas consagrados e emergentes, todos insurgentes na afirmação de suas vocações ante as adversidades que transcendem o universo da arte.
São obras de caráter muito variado e que permitem especulações sobre identidade, memória, política do corpo negro, gênero e formulações de caráter político que não abdicam da complexidade que o lugar da fala dos artistas contempla.

Serviço:
Exposição Pretatitude
Quando: de 11/09 a 26/01/20
Local: Sesc Santos – Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida
Horários: de terça a sexta, das 9h às 21h30, sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30, no Espaço Convivência
Mais informações: (13) 3278-9800


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Exposição em SP reúne Di Cavalcanti, Portinari e Vitor Brecheret

Olá, bom dia e excelente início de semana a todos.
Exposição interessante acontece no Farol Santander, vale a pena.

Obras de artistas como Di Cavalcanti, Tomie Ohtake, Portinari e Victor Brecheret podem ser conferidas na exposição "Contemporâneo, Sempre” no Farol Santander, no Centro de São Paulo.
A mostra apresenta também obras com relevos táteis em alto contraste, legendas em braile e áudio descritivo para atender ao público deficiente visual. Outra novidade fica por conta de um espaço multimídia disposto em uma projeção de parede que interage com o público. Gestos como caminhar em direção à parede frontal fazem com que as imagens sejam apresentadas de forma mais acelerada.

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Serviço:
Exposição “Contemporâneo, Sempre”
Quando: até 5 de janeiro de 2020
Local: Farol Santander - Rua João Brícola, 24, Centro, São Paulo
Horários: de terça a domingo, das 9h às 20h
Ingressos: R$ 25,00 (visitação completa ao Farol Santander)

Fonte: Blog Jovem Pan

segunda-feira, 9 de setembro de 2019


Olá, bom dia e excelente início de semana a todos.
A coluna Cantinho da Poesia desta segunda é dedicada ao grande poeta Jorge Luis Borges, com a poesia Arte Poética, tradução de Rolando Roque da Silva. 

Arte Poética

Mirar o rio, que é de tempo e água,
E recordar que o tempo é outro rio,
Saber que nos perdemos como o rio
E que passam os rostos como a água.

E sentir que a vigília é outro sonho
Que sonha não sonhar, sentir que a morte,
Que a nossa carne teme, é essa morte
De cada noite, que se chama sonho.

E ver no dia ou ver no ano um símbolo
Desses dias do homem, de seus anos,
E converter o ultraje desses anos
Em uma música, um rumor e um símbolo.

E ver na morte o sonho, e ver no ocaso
Um triste ouro, e assim é a poesia,
Que é imortal e pobre. A poesia
Retorna como a aurora e o ocaso.

Às vezes, pelas tardes, uma face
Nos observa do fundo de um espelho;
A arte deve ser como esse espelho
Que nos revela nossa própria face.

Contam que Ulisses, farto de prodígios,
Chorou de amor ao avistar sua Ítaca
Humilde e verde. A arte é essa Ítaca
De um eterno verdor, não de prodígios.

Também é como o rio interminável
Que passa e fica e que é cristal de um mesmo
Heráclito inconstante que é o mesmo
E é outro, como o rio interminável.

 

 Jorge Luis Borges
Nascido em 24/08/1899, em Buenos Aires, Argentina, Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo foi escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta.
Em 1914, sua família mudou-se para Suíça, onde estudou e de onde viajou para a Espanha.
Borges faleceu em Genebra, Suíça, no dia 14/06/1986, deixando para o mundo vasta obra, e o Prêmio Miguel de Cervantes, dentre outras premiações.

domingo, 8 de setembro de 2019


Olá, bom dia e excelente domingo a todos nós.
Aqui em Santos, hoje também é feriado, Dia de Nossa Senhora do Monte Serrat.
O conto faz parte da edição de setembro da Revista Conexão Literatura, espero que gostem. Abraços.

Conto: Mundo hostil  

Depois da escuridão, uma porta sempre se abre,
para nos receber!
É a mais pura verdade!

Enfim, cheguei novamente neste paraíso! Nesse mundo que aparentemente, me parece acolhedor, sem a burocracia e a rotina diária, que deixa qualquer um louco só de pensar! E por conta dessa vida repetitiva a que nós, “reles humanos” estamos acostumados a padecer é que me trouxe para este novo mundo! Se sou feliz por estar aqui ainda não tenho uma resposta conclusiva, mas digamos que me sinto mais aliviado, mais livre, leve e solto das obrigações!
E foi assim que resolvi sair da “zona de conforto” para explorar novos horizontes, conquistar um mundo estranho e tudo o que fiz foi dar o primeiro passo, abrir a porta oculta da minha vida!
Estou do outro lado, tenho muito a explorar, com a certeza de que a cada vez um episódio inédito eu hei de encontrar!
- Achei que estivesse sozinha, e a propósito, você sabe que lugar é este?
- Não sei, e você apareceu assim do nada, pensei que este mundo fosse só meu. Moça, você é estranha, porque está vestida toda de branco? É um anjo ou coisa parecida?
- Para ser sincera, eu gosto dessa cor de roupa, não sou um anjo, sou alguém que se importa com a vida. Posso te acompanhar? Eu também estava solitária e acabei parando aqui, não fiz nada, nem cogitei vir pra cá e acabei te avistando caminhando nesse mundo hostil.
- Hostil? Porque diz isso? Até agora não vi nada de errado. Então vamos caminhar, pois temos muito a conhecer. Meu nome é Carlos e o seu?
- Sou Fernanda, pode me chamar de Nanda.
- Veja lá adiante, parece um caminho no meio da mata Nanda, acho que devemos ir nessa direção. Estou gostando desse passeio, pois mesmo em plena floresta, é o que me parece ser isso aqui, não tem mosquito, não tem barulho algum. Acho que vou morar aqui para sempre!
- Para sempre é muito, você nem sabe o que tem neste mundo Carlos, devagar!
- Mulheres! Sempre medrosas! Vamos andar, conhecer e curtir! Temos a vida toda pela frente e me sinto em paz neste lugar!
- Como você veio para cá, já se perguntou?
- Não sei, adormeci nervoso e vim parar aqui, este recanto me deixa calmo e com vontade de ser quem sou, não há cobrança de ninguém, não há preconceito e nem mesmo discriminação. - Me parece um rio, que lindo! Estou amando!
- Carlos, realmente o rio é bonito, mas creio que vi algo nele, uma sombra a se mexer, não sei! Olha lá, veja, e está vindo em nossa direção!
- Você tem razão e é grande, corra, vamos sair da beira, depressa, vamos nos esconder!
- Carlos, é um monstro! Ai que medo, que horror! É muito grande, com duas cabeças, e vem nos pegar!




- Nanda, vamos correr, depressa, me dê sua mão.
- Olha Carlos, outro monstro se aproximando, e estão brigando! É uma luta territorial, que cauda imensa ele tem e solta fogo, é um dragão! Que força descomunal, como se atacam e se mordem, depressa partimos daqui a nos esconder na mata.
- Ufa, conseguimos despistar, ainda escuto os dois se duelando.
- Carlos, olhe, tem uma cabana logo adiante. Vamos pedir ajuda, estamos perdidos!
- Verdade, me parece abandonada.
- Ó de casa! A porta está destrancada, venha Nanda, vamos descansar um pouco e beber água.
- Calma aí, acho que não devemos, o dono pode chegar a qualquer momento e achará que invadimos, melhor irmos.
- Ficaremos poucos minutos para descansar. É impressão minha ou a cabana é maior do que vimos do lado de fora?
- Muito estranho isso, não estou gostando, devemos partir agora!
- Tá bem, me deixa ao menos beber água. Minha nossa!
- Que foi Carlos, você está gritando.
- Olha só para isso, que corredor imenso, não enxergo o fim dele, e tem grades... acho que são jaulas! Vamos Fernanda, corre!
- A cabana está se mexendo! Socorro, o que é isso? Estou tonta e não consigo andar direito.
- Eu também não veja, tem alguém abrindo a porta. Ai não, o que é aquilo?
- Me parece uma bruxa!!! Está com um garoto em uma das mãos!
- Já vi essa história antes Fê... É a velha bruxa de João e Maria!
- Se apresse então que ela nos viu e vem em nossa direção!
- Vocês quem são? O que fazem em minha casa? Como se atrevem!
A bruxa levantou as mãos para o alto e olhando para os dois gritou palavras em outro idioma! Ela estava com ódio e sua feição ficou ainda mais aterrorizante. Foi quando Carlos atirou uma lamparina acesa em cima da bruxa, e a mulher ficou em chamas! Gritava sem parar e rodopiava contra as paredes, derrubando quadros e porta-retratos das mesas. A cabana parou de chacoalhar e os dois conseguiram sair, correndo novamente pela mata. Ao olharem para trás, a casa inteira pegava fogo, a labareda em pouco tempo a consumia com rapidez e gritos se ouviam, além de estalos do fogo destruindo o local, que ainda sofrera uma explosão.
- Meu Deus, quantas pessoas morreram? Que horror Carlos!
- Não tinha o que fazer, a mulher iria nos matar.
- Vamos voltar de onde viemos, por ali, acho que é o caminho.
- Nanda, estamos andando em círculo.
- Quieto, estou escutando passos, alguém se aproxima...
- Alguém não querida, é um leão enorme! Que vamos fazer agora?
- Não sei, se corrermos ele nos alcançará e seremos devorados.
Carlos deu dois passos para trás e não viu mais nada, caiu ao chão desmaiado.
...
- Carlos, Carlos, levanta irmão!
- Nanda, cadê o leão? Sumiu?
- Ei Cara, sou eu, Joaquim. Tá sonhando? Você falava o tempo todo e chamava por uma tal de Nanda, quem é essa mulher?
- Tudo era tão real, estou confuso.
- Você viajou cara, foi para outro mundo, conheceu até uma mulher!
- Então nada daquilo aconteceu de fato? Aquele mundo inusitado não existe? Estava feliz com ela, apesar de tanta coisa que aconteceu por lá. Fernanda era tão linda!
- Olhe ao redor, é tarde da noite e estamos aqui embaixo de uma marquise nos abrigando da chuva e do frio. Ainda bem que é uma marquise grande, a loja é imensa e nos acolhemos bem.
- Preciso de uma pedra Joaquim, quero voltar para aquele mundo!
- Não temos mais cara. Aonde vai, volte pra cá! - Grita Joaquim, mas Carlos estava desnorteado e tremendo.
- Vou arrumar, preciso ver a garota, grita ele ao amigo, tremendo o corpo todo e gritando alucinado. Nisso, ao atravessar a rua sem olhar um veículo vem em alta velocidade e não dá tempo de parar e nem desviar e Carlos é jogado longe inconsciente. O motorista sai do carro em desespero, mas ao avistar Joaquim que vinha gritando, entra no carro e deixa o local rapidamente.
Joaquim chora ao pegar a mão do companheiro de vício. Carlos abre os olhos e diz que foi feliz nos poucos momentos em que passou ao lado de Fernanda.
...

É uma história triste com final trágico, uma de tantas que estamos acostumados a ler em jornais ou escutar nos telejornais. O vício tem tirado tantas vidas, incontáveis, histórias que se acabam dia a dia, e o pior de tudo isso é que acabamos nos acostumando.
Só para se ter ideia, segundo Relatório Mundial Sobre Drogas lançado pela Organização das Nações Unidas, em todo o mundo, as mortes causadas diretamente pelo uso de drogas lícitas e ilícitas aumentaram 60% entre 2000 e 2015.
Por isso, diga não às drogas! Veja o mundo por seu prisma, mesmo que para você ele pareça hostil, sempre há esperança!  

sábado, 7 de setembro de 2019


Revista Conexão Literatura
Edição de Setembro, disponível para download
 
Bom dia e ótimo sábado a todos nós.
A Edição de Setembro da Revista Conexão Literatura pode ser baixada gratuitamente.


“Setembro chegou com mais uma novíssima edição da Revista Conexão Literatura, com dicas de livros, entrevistas com escritores, contos e muito mais. A nossa luta em prol do incentivo à leitura continua e deve prosseguir. Nossas edições são gratuitas para os leitores, mas para mantermos esse trabalho precisamos do seu apoio. Leia, comente e compartilhe a nossa edição com os seus amigos. Tenha uma ótima leitura!”, ressalta o editor-chefe Ademir Pascale.

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